“Valorização do professor acontecerá com a educação como prioridade”

“Valorização do professor acontecerá com a educação como prioridade”

Os indicadores de avaliação das escolas brasileiras, considerando todos os níveis, estão demonstrando que o professor, fundamental no processo de ensino e aprendizagem, não está sendo valorizado como deveria. Esta é a opinião do professor Samuel Mendonça, coordenador da Pós-Graduação em Educação da PUC-Campinas. O professor Samuel Mendonça é um dos membros do Comitê Deliberativo do Observatório da Educação, ligado ao Compromisso Campinas pela Educação (CCE).

Para o especialista, a valorização do professor acontecerá, efetivamente, quando a educação for considerada prioridade máxima na agenda pública. Ele observa, como exemplo das mudanças necessárias, que a educação é “prioridade número 3” na própria Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). “A valorização do professor também acontecerá com uma melhor qualificação do educador, na esfera do ensino superior”, diz Samuel Mendonça.

O educador da PUC-Campinas considera que o novo Plano Nacional de Educação (PNE), nos termos em que está sendo discutido no Congresso Nacional, representará “avanços tímidos” para a valorização do professor. Segundo ele, a maior destinação de recursos para a Educação, acenada pelo novo PNE, sinaliza em tese a possibilidade de valorização do professor. “Mas dependerá muito de como a aplicação desses recursos será feita, considerando as diretrizes e metas do Plano”, adverte o especialista.

“A dificuldade é a operacionalização do que for pactuado no Plano. O Brasil tem uma diversidade enorme e existem diversos interesses que não coincidem na área da educação”, complementa Samuel Mendonça.

Ponto igualmente relevante para a maior valorização do professor, diz o coordenador da Pós-Graduação em Educação da PUC-Campinas, é o processo de formulação, elaboração e execução dos Planos Municipais de Educação, de forma alinhada com conceitos apontados no Plano Nacional de Educação.

“Não faz sentido um Plano Nacional de Educação avançado, se avanços também não forem observados nas bases, nos municípios, onde acontece de fato a aplicação das políticas educacionais”, lembra o professor Samuel Mendonça. Ele considera estratégico o processo de discussão dos Planos Municipais de Educação, momento em que “a sociedade, as comunidades locais organizadas, vão definir as suas prioridades”.

A discussão do Plano Municipal de Educação de Campinas já começou. Os primeiros passos estão sendo debatidos no Fórum Municipal de Educação, por meio de um Grupo de Trabalho Temporário.