Transição sem traumas

Vilma Gasques

Num dia, o predomínio é de brincadeiras e o aprendizado se dá por meio do lúdico. No outro, começam os preparativos para as etapas seguintes, há novos amigos, novos desafios, mais disciplinas e, consequentemente, mais professores. Natural haver uma certa ansiedade entre alunos e pais, não é? Portanto, para que a transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental ocorra de forma tranquila e sem traumas, é preciso ter planejamento e parceria entre escola e família.

Para profissionais de pedagogia do movimento Todos pela Educação, essa mudança não deve representar uma ruptura. Eles defendem que o trabalho das duas etapas seja o mais coeso e unificado possível, com interlocução entre os professores de ambas. O movimento sugere que melhorias devem ser feitas para se chegar à transição ideal. Entre as possíveis soluções estão o trabalho conjunto das secretarias que cuidam desses estágios e a participação das equipes das escolas nesse realinhamento, com foco em ações práticas que favoreçam a relação e a convivência entre as crianças das duas fases.

O Todos pela Educação é um movimento da sociedade brasileira cuja missão é contribuir para que, até 2022, o País assegure o direito a educação básica de qualidade a todas as crianças.
Instituto Integral

Os profissionais do Instituto Integral dedicam atenção especial a essa transição, para oferecer confiança aos pais e segurança aos estudantes. Segundo a coordenadora pedagógica da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, Luciana Haddad, a escola precisa atender à expectativa de acolhimento da família e manter uma rotina lúdica necessária à criança, ao mesmo tempo em que insere a responsabilização do ensino. “O colégio deve resguardar as práticas do faz de conta enquanto conduz o aluno aos processos de educação. A mudança de espaço físico e a gradativa exigência pela sistematização de saberes tem de ser conduzida de modo a respeitar as singularidades dos estudantes. É imprescindível que os professores e a equipe gestora acompanhem os diferentes tempos e ritmos, buscando tornar a adaptação prazerosa e acolhedora”, enfatiza.

Construção de obras tridimensionais com argila, pedras e elementos naturais: atividade de exploração sensória e desenvolvimento de percepção está na grade criada para crianças de dois anos

Luciana informa que a formalização dos saberes é gradativa, com vários itens da rotina das crianças preservados e a introdução gradual da lição de casa. Segundo ela, a adaptação à nova fase segue do primeiro para o segundo ano e só se consolida no terceiro. “Essa etapa é tratada de forma bastante respeitosa no Integral. A disciplina expressão corporal, por exemplo, não é obrigatória na grade das escolas, mas é muito valorizada por nós. A professora trabalha o desenvolvimento da sensibilidade atrelada à coordenação motora para facilitar a iniciação das tarefas escolares”, observa.

A coordenadora reforça que esse cuidado é necessário porque a Educação Infantil tem como propósito oferecer um espaço de convivência lúdica e fomentar a aquisição de formas de linguagem. No Ensino Fundamental, as premissas básicas do desenvolvimento infantil não podem ser abandonadas e, assim, as propostas escolares asseguram que o estudante ainda tenha tempo e espaço para brincar ao ar livre diariamente, entre outras atividades.

“O principal desafio assumido por nós nessa transição está em dosar adequadamente a mescla entre os segmentos, oferecendo aos alunos mais desafios e criando condições para aprenderem o que é dado em cada série. A educadora responsável pelo grupo deve ter uma formação que compreenda as particularidades da primeira infância aliada a um sólido conhecimento dos conteúdos de série, o que permitirá a mediação personalizada, direta e afetuosa com os estudantes”, garante.

Colégio Lyon Campinas

Tendo como premissa que o despertar da criança para o saber é um momento mágico, no qual o conhecimento precisa estar aliado a um ambiente humano e harmônico, a equipe do Colégio Lyon Campinas também dispensa atenção extra ao momento de passagem da Educação Infantil para o Ensino Fundamental. “Sabemos que a Educação Infantil é uma fase da vida marcada pela afetividade e por descobertas extremamente importantes, pois constroem a base da formação humana e psicológica da criança”, atesta Maricélia Pédico Saragiotto, diretora de projetos da instituição. Ela acredita que a transição deve ser uma continuidade desse processo.

Maricélia Pédico Saragiotto e Simone Vaccari Batista, do Lyon: ambiente acolhedor, estrutura adequada e equipe qualificada favorecem transição tranquila

“Hoje em dia, as crianças passam por esse processo mais cedo e, consequentemente, estão mais imaturas e necessitam de um apoio maior. Conscientes e atentos a isso, buscamos manter essa assistência e fazer com que essa base, tão cuidadosamente trabalhada, seja concretizada por meio de um ambiente humano e acolhedor”, destaca a diretora pedagógica do Lyon, Simone Vaccari Batista. Como exemplo dessa preocupação ela cita que as salas do primeiro ano são cuidadosamente planejadas e contam com estímulos visuais, espaços para leituras e brincadeiras e professoras especializadas e afetivas.

Simone lembra que as exigências e o grau de complexidade mudam conforme o currículo das séries, o desenvolvimento e as possibilidades de cada um. “Utilizamos o Sistema de Ensino Uno Internacional, altamente qualificado e atento às inovações que o mundo moderno exige. Também trabalhamos com projetos socioculturais, nos quais alunos e professores têm a oportunidade de pensar, conviver, se informar, levantar hipóteses, enfim, ampliar as estruturas de pensamento e a visão do universo”, lista a diretora pedagógica.

Fonte: Revista Metrópole