Tecnologia Assistiva pode ser usada para oportunizar o aprendizado para todos

Tecnologia Assistiva pode ser usada para oportunizar o aprendizado para todos

por Ingrid Vogl

Como se constrói a qualidade da educação? O que é uma escola inclusiva? Quem precisa ser incluído? Com reflexões como essas, Sonelise Auxiliadora Cizoto, pesquisadora do Centro Nacional de Referência em Tecnologia Assistiva (CNRTA) e autora de livros didáticos, comandou o Encontro Mensal do Compromisso Campinas pela Educação (CCE) na noite desta quinta-feira, dia 31 de agosto, no auditório da Fundação FEAC. O tema do evento foi “Educação e inclusão: o uso da Tecnologia Assistiva (TA)” e atraiu muitos profissionais da educação interessados no assunto.

Sonelise apresentou um paralelo entre as inteligências múltiplas, a questão da inclusão e ainda abordou o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), que consiste em um conjunto de princípios e estratégias relacionadas com o desenvolvimento curricular que pretendem  maximizar as oportunidades de aprendizagem para todos os alunos e respeitar o ritmo e as diferenças de aprendizagem de cada um.

A especialista defendeu que cada indivíduo tem características e potencialidades específicas e as escolas deveriam incentivar o desenvolvimento de todas as inteligências, coisa que não é feita atualmente, já que ainda temos uma escola muito próxima do século 19, enquanto vivemos séculos à frente.  “A gente tem a tendência de pensar que a pessoa com deficiência é quem precisa ser incluída, mas a inclusão deve ser de todos. Mas mais que para todos, a escola precisa ser com todos”, defendeu.

Na opinião de Sonelise, é preciso oportunizar o aprendizado levando-se em conta as particularidades de cada um, independentemente de algum tipo de deficiência. “Todo mundo tem sua especificidade. Se eu fizer algo para um aluno cego aprender matemática, será que isso não serve para quem enxerga que pode se identificar com aquele recurso ou metodologia diferente? Este tema nos leva a pensar que os recursos podem ser usados independentemente da deficiência, e podem ser oferecidos para todos”, defendeu.

Sonelise também defendeu a busca constante pela qualidade na educação. “Mais do que uma escola para todos e que promova a inclusão, a busca pela qualificação educacional nunca sessa. Neste sentido, a Tecnologia Assistiva pode contribuir com produtos, metodologias e até mesmo boas práticas pedagógicas. E isso deve ir para além dos muros da escola”, disse.

 Participação

Interessado e participativo, o público do Encontro Mensal de agosto atuou efetivamente na discussão sobre o tema em debate. Para Luciana Cury, superintendente de educação da prefeitura de Araçariguama/SP, na região de Sorocaba, eventos como o EM são importantes para validar o trabalho desenvolvido pelos profissionais da educação ao mesmo tempo que traz reflexões sobre outras alternativas que podem aprimorar ainda mais o que já vem sendo feito.

“É importante quando a gente sai do nosso contexto, da nossa zona de conforto, do nosso grupo de interlocutores costumeiros e vê que tem mais gente que compartilha das mesmas ideias. Isso é uma ratificação do que estamos fazendo. Ao mesmo tempo, visto de um outro ponto de vista, a minha própria opinião me faz provocações. Assim, a gente acaba fazendo contrapontos com o que estamos fazendo e conseguimos enxergar o limite da própria visão. Isso me faz pensar que existem outras possibilidades. Sair do próprio contexto, ouvir outras pessoas e outros pontos de vista é sempre importante e desafiador”, avaliou.

O próximo Encontro Mensal do CCE acontece no dia 26 de outubro, já que de 28 de setembro a 4 de outubro acontece a 8ª Semana da Educação de Campinas, com diversas atividades gratuitas que serão realizadas em vários pontos de Campinas.

Confira a apresentação de Sonelise adotada durante o último Encontro Mensal do CCE: https://compromissocampinas.org.br/encontro-mensal/