Startups testam modelos de negócio ligados a ensino

Startups testam modelos de negócio ligados a ensino

Henrique Julião

Ferramentas de ensino e aprendizagem desenvolvidas por startups começam a atrair a atenção de usuários e também das empresas tradicionais do mercado de educação. O desafio dos empreendedores é amadurecer seu modelo de negócios.

Fundada em 2011 com base em um jogo de perguntas e respostas, a mineira Qranio já conquistou 1,2 milhão de usuários. Agora, procura parcerias para avançar. “Temos que buscar um degrau maior”, diz o fundador e CEO Samir Iásbeck. “Se não renovarmos, os usuários se cansam e saem. Precisamos entender o público e sempre colocar novidades.”

As atualizações vão desde variações no modo de uso – a modalidade com vários jogadores é um exemplo – até parcerias como a que conecta a base de usuários da Qranio ao sistema da Estácio. Este é um ponto-chave para o negócio.

Os alunos da universidade podem medir seu desempenho acadêmico por meio do aplicativo e retirar prêmios, como vales em livrarias. Em contrapartida, usuários mais eficientes do Qranio concorrem a bolsas de estudo de até 100%.

Com acordos como esse, a Qranio espera se consolidar no Brasil, ainda que já esteja a caminho da internacionalização. A trilha para o exterior também passa por parcerias, com operadoras de telefonia em Portugal, Índia e China.

Consolidação também é a palavra de ordem na Geekie. A startup paulista oferece uma plataforma de “aprendizado adaptativo”: o interessado faz provas on-line e, dependendo do seu desempenho, recebe conteúdos mais avançados. Fundada em 2011, a empresa venceu a edição de 2014 do Prêmio Empreendedor Social, oferecido pelo jornal Folha de S. Paulo e pela Fundação Schwab. “Isso contribuiu para mostrar que o negócio está se consolidando”, diz Eduardo Bontempo, idealizador do projeto ao lado de Claudio Sassaki. “A parceria com a Schwab trouxe visibilidade e contato com grandes empresários.”

A ferramenta tem uma versão gratuita e outra que é vendida a instituições de ensino. Já existem mais contratos firmados para este ano do que em 2014, quando 650 escolas particulares adquiriram o programa. A equipe de 100 desenvolvedores está em expansão.

Impulso indireto

Um fator que pode ajudar essas startups a conquistar clientes é a mudança nas regras do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES). Para o consultor William Klein, CEO da Hoper Educação, as alterações vão obrigar as instituições de ensino a reorganizar seu orçamento. Isso abriria espaço para empresas como a paranaense EngagED, que aposta em soluções tecnológicas em nuvem para aproximar alunos, professores e instituições de ensino – algo parecido com uma rede social para compartilhamento de conteúdo. “As empresas de educação vão ter que reduzir o custo operacional e isso vai nos criar oportunidades”, afirma um dos sócios da startup, Thiago Chaer. A EngagEd conta com um aporte de US$ 100 mil na forma de uso de serviços da plataforma Google Cloud. Os recursos virão da rede Startup Grind, que já incentivou empresas de educação como a Khan Academy.

Embora procurem não cobrar do aluno, as startups buscam tornar a operação rentável. A premissa é diferente no caso da Duolingo, uma das mais populares do mundo, com 80 milhões de usuários, 6 milhões deles no Brasil. “Estamos testando modelos, mas nosso fico é otimizar a maneira como as pessoas aprendem, não monetizar”, diz a diretora de marketing e desenvolvimento internacional, a brasileira Gina Gotthilf. Para oferecer ensino de idiomas gratuito, a Duolingo tem duas fontes de receita. Uma é traduzir textos do inglês usando mão de obra dos próprios usuários. O cliente desse serviço é a rede de televisão CNN. Outra fonte é o Duolingo Test Center, uma alternativa a testes de proficiência em inglês como o Toefl.

Fonte: DCI