SP dará aula extra para alunos ‘atrasados’

SP dará aula extra para alunos ‘atrasados’

Elton Rodrigues
Sidnei Costa

Sala de aula na escola Justino Jerry Faria ontem: melhora em Português e piora em Matemática Alunos de escolas estaduais com deficiência de aprendizado em Português e Matemática vão ficar uma hora a mais na sala de aula, três vezes por semana, a partir de abril. São 5 mil unidades em todo o Estado, 193 delas na região de Rio Preto. A medida, divulgada ontem pela Secretaria Estadual de Educação tenta preencher uma lacuna no aprendizado dessas duas disciplinas, principalmente no segundo ciclo do fundamental (6º ao 9º ano). Nessa etapa, de 99 municípios do Noroeste paulista, 71 não atingiram a meta proposta pelo último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Os dados são de 2013.

“São as disciplinas que oferecem condições para que os alunos vão bem nas demais matérias. O domínio da língua portuguesa e da matemática é a chave para que se deem bem. Se esses conceitos não forem consolidados, vão interferir no desempenho do aluno no futuro, por isso o reforço será nessas duas disciplinas”, Ghisleine Trigo Silveira, coordenadora da CGEB (Coordenadoria de Gestão da Educação Básica).

O reforço faz parte de um pacote de medidas pedagógicas anunciadas numa tentativa de melhorar o ensino na rede estadual. Essa é a segunda ofensiva do Estado para promover um reforço escolar com qualidade. Em setembro do ano passado, foram anunciadas aulas extras aos sábados, porém o sistema não funcionou. Dessa vez, a ideia é fazer com que os estudantes com dificuldades frequentem aulas extras das 12 às 13 horas, para quem estuda de manhã, e das 18 às 19 horas para os que estudam à tarde.

“Queremos fazer no mesmo período escolar. Quanto o reforço acontece fora do período acarreta dificuldades para a família. As vezes os pais tem alguma programação para o final de semana ou problemas para levar os filhos. O apoio dos pais é fundamental”, afirmou a coordenadora. Os alunos que farão as aulas extras serão indicados pelos próprios professores. Ainda neste mês o Estado vai promover uma avaliação diagnóstica para identificar as habilidades e conhecimentos de todos os estudantes da rede.

Games

Para motivar os alunos, as escolas também vão oferecer jogos online. Nos games, é possível desenvolver exercícios e aprender de forma lúdica. “Os estudantes são muito antenados pela mídias. Os games trabalham as habilidades demandadas em língua portuguesa e matemática. Dessa maneira, ele desenvolve o que é pedido nas aulas. Também é uma forma de estimular os alunos. Eles se sentem desafiados e encorajados a passar para a etapa seguinte do jogo”, disse.

Ensino piora, revela prova

O ensino público piorou em Rio Preto, segundo os resultados da Prova Brasil de 2013, avaliação que serve de base para ao Ideb. No 9º ano do ensino fundamental a nota caiu em metade das escolas estaduais de Rio Preto. (Veja no quadro ao lado, os resultados mais atuais divulgados). Em matemática, de 30 escolas avaliadas, 16 tiveram desempenho pior do que a prova anterior, realizada em 2011. Em língua portuguesa, os resultados foram semelhantes. Das 30, 15 ficaram abaixo da nota de 2011.

Pela classificação do MEC, o desempenho do município foi considerado ruim. A Prova Brasil é considerada a avaliação oficial do Governo. É aplicada a cada dois anos a alunos de 5º e 9º anos. A escola Justino Jerry Faria, por exemplo, melhorou em Língua Portuguesa, mas piorou em Matemática. A escola Bady Bassitt piorou em tudo.

Em reportagem publicada pelo Diário em dezembro, o gerente de conteúdo da ONG Todos pela Educação, Ricardo Falzetta, afirmou os resultados gerais das escolas estaduais de Rio Preto no 9º ano não são satisfatórios. “Quando metade das escolas regridem na nota isso se torna péssimo para o município. Isso mostra que você tem um grupo avançado e outro não, ou seja, vai aumentando a desigualdade. Do jeito que está, a média do município não evolui”, afirmou. Ele observou que falta investimento e formação profissional direcionada aos alunos do anos finais, além de incentivo para o estudante sentir vontade de aprender, principalmente no caso de matemática.

Fonte: Diário Web