Setor de educação vê modelo híbrido como nova tendência

Setor de educação vê modelo híbrido como nova tendência

Anderson Nascimento

O mercado de educação superior privada no Brasil, que soma mais de 2 mil instituições e 5 milhões de alunos matriculados – 73% do total – caminha para a consolidação de um novo modelo híbrido de ensino. O conceito envolve a mistura de elementos de aulas presenciais e remotas, a partir do uso de tecnologia. A carioca Estácio, por exemplo, com mais de 40 anos de atuação, quase 400 mil alunos e presente em 20 estados brasileiros e no Distrito Federal, já coordena projetos docentes com base nesse conceito.

“O professor só deve definir o que o aluno precisa estudar. A decisão de onde e a que horas estudar deve estar nas mãos do educando”, revela o reitor da Estácio e ex-secretário Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ronaldo Mota. O especialista aponta questões regulatórias definidas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDB – cuja atualização mais recente foi feita em 1996 -, como as responsáveis pela não adesão completa deste formato. “O [conteúdo da] LDB foi aprovado no Congresso na metade dos anos 1990. Logo, nosso guia geral de educação é, literalmente, pré-tecnologia digital. Quem montou nosso marco regulatório maior não poderia conceber o impacto e a revolução que as tecnologias digitais causariam”, analisa.

O maior problema da LDB, na visão do reitor da Estácio, é a diferenciação entre o ensino presencial e o a distância. Para Mota, esses conceitos perdem força com as tecnologias vigentes. “O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (a sigla em inglês é MIT), que é vanguarda nesse aspecto, considera que computador registrado com endereço IP ativo, independentemente do local, presencial. O aluno interage de maneira bilateral do seu dormitório, por exemplo. Não se pode mais dizer, do ponto de vista conceitual, se essa aula é a distância ou presencial”, conta.

Com base no conceito de educação híbrida, a Estácio aposta em unificar sua plataforma de conteúdo, de modo que todo tipo de dispositivo, de smartphones e tablets a desktops, acessem o mesmo material. “O curso de Administração da Estácio, por exemplo, já tem grade unificada na modalidade a distância e na presencial, o currículo é o mesmo. Quando houver uma liberalização de regras, estaremos preparados para isso”, conta Mota.

Para o presidente da Estácio, Rogério Melzi, a aposta em unificar a grade curricular de cursos presenciais e a distância mostra a total confiança da instituição no modelo híbrido de ensino. “Acreditamos que essa barreira regulatória vai cair em breve”, analisa o presidente. Já a diretora de Inovação da Estácio, Lindalia Reis, crê que atitudes inovadoras têm o poder de definir novos paradigmas. “Eu costumo dizer que no setor de inovação nós não pedimos licença, nós pedimos desculpa”, conta.

Tecnologia

Empresas do setor de TI já olham com atenção ao formato híbrido de educação. A Samba Tech, por exemplo, especializa em soluções digitais em vídeo, apoia boa parte de seu projeto de expansão em instituições de ensino. O negócio, que faturou R$ 30 milhões em 2013, mira um crescimento de 30% para este ano. “O mercado de educação é o grande driver de crescimento da Samba Tech hoje. Entendemos que o vídeo vai estar enraizado na educação, sendo transmitido na sala de aula, em celulares… como um complemento. E as empresas do setor vão investir cada vez mais em tecnologia como diferencial para que o aluno tenha uma experiência melhor”, analisa o CEO da Samba Tech e presidente da Associação Brasileira de Strartups (ABStartups), Gustavo Caetano.

Além da Estácio, a Samba Tech atende outras grandes instituições privadas de educação superior, como Kroton, HSM e Anhanguera. “Hoje, o setor de educação já representa 40% do faturamento total da Samba Tech. Para 2015, nossa expectativa é que este número chegue a 60%”, diz o CEO da empresa. Caetano crê que o formato híbrido de ensino superior representa o futuro da educação no País. “O formato a distância por completo é interessante para cursos menores, pontuais, rápidos. Mas cursos de longa duração necessitam de interação com outras pessoas, de preferência em sala de aula”, conta. Caetano crê que encontros presenciais não necessariamente precisam representar a maior parte do formato do curso. “Acho que 20% do tempo pode ser presencial, em sala de aula. Acredito no modelo híbrido como o futuro”.

O reitor da Estácio vê tendências com a educação híbrida e o uso frequentes de tecnologia como fatores importantíssimos na evolução da qualidade do ensino superior no Brasil. “Não há outra saída que não seja essa. A educação brasileira não tem nenhuma possibilidade de melhoria sem a incorporação de muita tecnologia. Não falo só de maquinas, a evolução também envolve acoplá-las a metodologias apropriadas”, finaliza.

Fonte: DCI