Semente Esperança utiliza música como instrumento de fortalecimento de vínculos

Semente Esperança utiliza música como instrumento de fortalecimento de vínculos

Por Laura Gonçalves

O som dos surdos, pandeiros, atabaques e tamborins dão o ritmo das aulas de percussão no Centro Socioeducativo Semente Esperança, que tem como proposta utilizar a música como instrumento de fortalecimento de vínculos sociais e familiares.

Todas as terças-feiras, cerca de 50 crianças e adolescentes, de 6 a 14 anos, reúnem-se para o ensaio e ainda desenvolvem a socialização e a responsabilidade. Na aula também é constituído um espaço de convivência e de formação da cidadania, além do desenvolvimento do protagonismo e da autonomia das crianças e jovens.

“Não é somente aprender o instrumento. Acredito que todos têm habilidades e com as oficinas do Programa Arte e Cultura do Semente Esperança, a criança tem oportunidade de se encaixar no que mais gosta e se desenvolver”, explicou a coordenadora e regente Priscila Graner.

Além do aprendizado de um instrumento, a música ajuda na assimilação de conteúdos trabalhados em disciplinas que exigem raciocínio lógico e concentração. “Também auxilia a coordenação motora, atenção e memorização e isso reflete na sala de aula e na vida”, garantiu o professor de percussão Wilians Rizze.

Na instituição, a valorização da autoestima dos jovens é essencial. “A partir das oficinas, os alunos passam a entender uma célula rítmica, um compasso, uma música inteira, além de aprenderem a escutar o colega e a obedecer o regente. E com todo esse conhecimento, a criança vê o quanto é capaz de se desenvolver, fazendo com que sua autoestima fique elevada. Isso faz com que esses jovens enxerguem o mundo de uma forma diferente” ressaltou Priscila.

Como iniciativa socioeducativa, a música atua como ferramenta de integração onde cada participante contribui para o cumprimento de um objetivo comum na execução de uma ação coletiva. “Também desenvolve o senso de união e fortalecimento do grupo em torno do cumprimento de metas, exercício necessário para a vida em comunidade”, complementou a assessora técnica do Departamento de Assistência Social (DAS) da FEAC, Nadir Semenzin Braga da Silva.

Oficina e apresentações

Na hora de pegar os instrumentos, as crianças e adolescentes querem mesmo é fazer barulho. Entre um som e outro, os alunos aprendem percussão de bloco, ritmos tradicionais como samba, maracatu e outros, técnicas de baquetas, manuseio dos instrumentos de mão e muito mais. “Queremos que a partir dessa iniciação, as crianças continuem seus estudos musicais e que um dia possam formar uma banda ou até mesmo ser um instrutor”, pontuou Rizze.

Há 10 anos no Semente Esperança, instituição parceira da Fundação FEAC, o educador explica que as aulas ganham adeptos todos os anos e que com as apresentações musicais, que ocorrem durante o ano, as crianças se sentem motivadas a participar das oficinas.

Para as crianças que frequentam a oficina de percussão, a diversão é garantida. “Eu me solto com as aulas, o som e a batida me deixam feliz”, falou o aluno da Escola Estadual Coriolano Monteiro, de 13 anos. Seu colega Lucas Henrique de Oliveira, 14 anos, concorda. “Faço aulas há quatro anos e não falto. Depois das apresentações que fizemos ao longo dos últimos anos, tive certeza de que quero ser músico, tocar em alguma banda. Acho que fico mais concentrado e aprendo cada vez mais”, completou.

Maria Beatriz Marques de Oliveira, 13 anos, aluna da escola Estadual Francisco Glicério, também é frequentadora assídua da oficina. “A percussão me deixa mais focada e eu sinto isso até mesmo nas aulas de matemática. Penso na batida e isso me ajuda, me inspira”, garantiu.

Os pais também aprovam o estudo da música. “Meus dois filhos fazem aula de percussão e eles melhoraram muito com relação ao comportamento. Não há mais brigas, eles são concentrados e dedicados em casa e na escola. Eu também adoro, vou nas apresentações e fico muito orgulhosa com o resultado”, constatou a agente escolar Luciana Mendes, mãe de Thiago e Yasmin.

Arte e Cultura

O Semente Esperança conta com o Programa Arte e Cultura que é composto por diversas oficinas, como percussão, coral, flauta, balé, sapateado, dança de rua, artes manuais e outras. Quando a criança entra na instituição, ela passa por todas as aulas e escolhe a que prefere. “Essa liberdade de escolha é essencial para que o jovem continue participando”, explicou a coordenadora.

“As oficinas abrem um leque de oportunidades. O fortalecimento de vínculos é um deles porque os alunos levam pra casa a arte que aprendem, os pais percebem, gostam e elogiam e isso é fundamental”, complementou Priscila.

De acordo com a regente, as apresentações colaboram ainda mais com esse fortalecimento e com a valorização da autoestima. “Os jovens se apresentam na comunidade, estão lá como artistas, são aplaudidos e ganham o respeito de todos. É o filho da comunidade empoderado e isso não tem preço!”, ressaltou.

Por meio da arte, o Semente Esperança também participa do programa FEAC Arte e Cultura (FAC), desenvolvido pelo Departamento de Assistência Social – DAS da Fundação FEAC, que tem o objetivo de valorizar e fomentar o desenvolvimento de projetos socioculturais que possibilitem a crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos o contato, a fruição e o estímulo à produção artística e cultural como instrumento de inclusão social e direito fundamental de todos os cidadãos.

“Sempre participamos do programa da FEAC e nossa ligação é muito grande. Ele proporciona às instituições participantes um suporte imenso, que vai desde o figurino até o transporte. Além disso, o programa nos lança um desafio que nos une e nos faz crescer. Os professores querem fazer o seu melhor, as crianças se sentem valorizadas e a família vê o resultado final”, enfatizou Priscila.

Saiba mais: www.sementeesperanca.org.br