Saraiva se reinventa com projetos de educação digital

Saraiva se reinventa com projetos de educação digital

Karin Salomão

Prestes a completar 100 anos, a Saraiva está se reinventando, ao adaptar seu conteúdo a outras plataformas.

Além de suas livrarias, a empresa também é conhecida pelo seu conteúdo editorial, voltado à educação. Levar esses títulos a plataformas digitais faz parte de sua estratégia, de aproximar conteúdos relevantes a serviços e tecnologia.

A divisão editorial do Grupo Saraiva, que produz conteúdos para alunos desde o ensino fundamental até o superior, corresponde a grande parte do faturamento do grupo, que foi de R$ 2,14 bilhões em 2013.

A educação é 35% da receita, mas responde por 50% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações). A parcela alta é compreensível, já que a editora detém os direitos de comercialização desse conteúdo, ao contrário de livros, revistas e CDs do varejo.

É exatamente nessa divisão educativa que a empresa está lançando diversos novos produtos – e tem outros tantos na manga.

Aprender brincando

Em setembro, foi lançada a plataforma Vivaz, que mescla jogos e aprendizagem. Voltada para alunos do ensino fundamental I, do 1º ao 5º ano, a plataforma incorpora todo o conteúdo didático da editora voltado a essa faixa.

Segundo Mauricio Fanganiello, vice-presidente de Negócios Editoriais do Grupo, “é a única plataforma no Brasil que tem o conteúdo didático completo, nas matérias de português, matemática, ciências, história e geografia”.

“A plataforma é um game, para engajar mais o aluno”, diz Fanganiello. O conteúdo é abordado por meio de jogos e os alunos podem ganhar recompensas – quem acerta as perguntas pode “comprar” itens para customizar seu avatar.

Os jogos se adaptam ao aluno. Se ele demonstra ter dificuldade em um tipo de questão, a plataforma irá incentivá-lo a melhoras.

O serviço também pode ser usado pelos professores, que monitoram os resultados de suas salas de aula por meio de relatórios.

A plataforma está pronta para ser usada a partir do ano letivo que vem, com início de 2015. As escolas que já adotam o conteúdo didático da Saraiva terão acesso à plataforma Vivaz.

Preparo para a OAB

Outra iniciativa de ensino adaptativo é a parceria feita com a Kroton, grupo de educação superior, para fornecer conteúdo jurídico. A Saraiva tem de 30% a 40% de participação no mercado no segmento de livros jurídicos.

Os títulos e conteúdos estão sendo adaptados para os alunos do último ano de Direito para as faculdades do grupo Kroton, para estudarem para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O maior grupo de educação superior do mundo tem 1,2 milhão de alunos e é dono de marcas como Anhanguera e Unopar.

“Nossos autores sabem exatamente o que cai na OAB. Por isso, estamos adaptando o conteúdo em vídeos. A plataforma pode transmitir melhor o conteúdo em forma de aulas”, diz o vice-presidente.

A partir de um teste inicial, cada estudante pode detectar os conteúdos em que tem mais dificuldade, ajudando o software a direcionar o reforço para essas deficiências. 3.500 alunos já usam o serviço, que também pode ser levada a outras instituições de ensino.

Adaptar o conteúdo de livros didáticos para plataformas de aprendizagem não é simples. Para aprender essa nova tecnologia, a editora está investindo em novas contratações e parcerias com startups. O projeto Vivaz, por exemplo, foi feito em parceria com a Tamboro e o conteúdo para a Kroton foi desenvolvido com a startup Adaptativa.

Novas oportunidades

Essas são apenas as duas iniciativas mais recentes do grupo. Em 2013, a Saraiva adquiriu a editora Érica, que produz livros didáticos para o ensino técnico.

No mesmo ano, também com uma parceria com o grupo Kroton, passou a o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Ensino a distância também faz parte dos negócios da editora, que adapta o conteúdo a outras universidades.

Além disso, para Fanganiello, as possibilidades do ensino adaptativo são inúmeras. Ele conta que a empresa tem diversos projetos na mesa, sem detalhar. Segundo ele, existem oportunidades para ajudar alunos a estudar para o Enem e Enade, entre outras.

“Cada ver mais, você vai ver a Saraiva investindo para aproximar o conteúdo a serviços e tecnologia”, diz o vice-presidente.

Fonte: Revista Exame