Rosely Sayão defende uma nova escola para atuar em um cenário de rápida transformação.

Rosely Sayão defende uma nova escola para atuar em um cenário de rápida transformação.

A escola brasileira deve pensar e executar mudanças imediatas em seu pensamento e meios de atuação, para atuar de modo mais eficaz em um mundo que se encontra em constante e rápida transformação.

Esta foi uma das ideias apresentadas no último 24 de abril pela psicóloga Rosely Sayão, no 2º Encontro Mensal do Compromisso Campinas pela Educação (CCE), realizado no auditório da Fundação FEAC. Educadores, gestores de escolas e estudantes acompanharam e participaram ativamente do encontro com a especialista, que também defendeu um diálogo mais realista, e fundamentado na tolerância, entre escola e família.

“Todos educadores estão ansiosos por mudanças, então por que a situação não muda?”

indagou a conferencista, em tom provocação logo no início da conversa.

Rosely Sayão destacou que a escola no Brasil ainda não percebeu, de forma adequada, as radicais modificações sociais, econômicas, políticas e culturais que o mundo vivencia desde a década de 1960. Uma das mais importantes mudanças, que afetou diretamente o cotidiano escolar, se deu no perfil da família, disse a psicóloga.

“Aquela família numerosa e sempre junta, que se reunia todos os finais de semana e tinha a sua referência principal nos pais, não existe mais. Agora temos, no contexto de relações instáveis, uma família muito menor, às vezes com pais separados, e na qual o centro são os filhos. Essa mudança precisa ser considerada pela escola”,

destacou Rosely.

Uma das consequências das mutações sociais verificadas nas últimas décadas, sublinhou, é a acentuação da diversidade. “Em uma mesma sala de aula, estão reunidos, hoje, alunos em diferentes estágios de desenvolvimento de aprendizado. Não dá para imaginar então, aulas com conteúdo padronizado. A diversidade acontece até na altura dos alunos. Há 50 anos todos tinham mais ou menos a mesma estatura”, observou a psicóloga.

A relação entre professor e aluno também se alterou, naturalmente, no cenário das rápidas mudanças em curso, acentuou.

“Fala-se muito de crise de autoridade, mas ela acontece em todas as instituições, não é só na escola”.

“Também se fala em indisciplina, mas transgredir, questionar, é próprio da criança e do adolescente. E são aquelas consideradas mais difíceis que de fato precisam de nós, professores”, completou.

Para Rosely Sayão, a escola poderia tentar compreender melhor as mudanças de valores que atingiram a família. “Não foi a família que inventou as mudanças. A família também é vítima dessas mudanças”, disse.

A conferencista entende que a escola continua muito focada no conteúdo, apesar do discurso pontuar o contrário. “Todos falam no aprender a aprender, no estímulo ao pensar, mas o foco ainda é o conteúdo, as provas. Hoje o conteúdo está à disposição de todos, em diversas mídias”, complementou.

“Uma melhor organização escolar e mais profissionalismo nas relações são fundamentais para uma nova escola”, comentou. Rosely Sayão também defendeu participação mais efetiva do professor na elaboração do Projeto Político Pedagógico da escola. “Quando todos participam, todos defendem e praticam o que foi escrito e acordado. O professor vai se sentir mais confiante para executar a sua missão. O aluno percebe quando ele está um pouco inseguro”, advertiu a psicóloga, que também ressaltou a importância da autovalorização do educador.

“Temos muitos leigos ainda atuando em educação, infelizmente. Existem muitas teorias educacionais, e todas podem dar sua contribuição. Não existe uma fórmula única”, concluiu Rosely Sayão, psicóloga formada pela PUC-Campinas, consultora em educação, conferencista, colunista e autora de livros como “Família: modos de usar” (2006, Editora Papirus), “Em defesa da escola” (2004, Editora Papirus) e “Como educar meu filho?” (2003, Publifolha).

Pais na Escola – No 2º Encontro Mensal do Compromisso Campinas pela Educação (CCE), também foi apresentado o Projeto Pais na Escola, desenvolvido em empresas de Campinas e da região metropolitana. A coordenadora do projeto, Bruna Ferreira, lembrou que o Pais na Escola nasceu das discussões promovidas pelo CCE, sobre a necessidade de maior envolvimento dos diferentes setores para a melhoria da educação.

A coordenadora explicou que o Projeto Pais na Escola tem quatro pilares: Participação Familiar, Leitura, Educação Financeira e Saúde. Várias ferramentas são utilizadas, explicou, para colocar em prática esses pilares.

“Os colaboradores das empresas são pais de alunos. O projeto os estimula e indica caminhos para que os colaboradores atuem na melhoria da educação dos filhos”,

disse Bruna Ferreira. Workshops sobre os quatro pilares do projeto, ações em redes sociais e comunicação interna, suporte técnico e pesquisas para medir a efetividade das ações são algumas ferramentas usadas, complementou a coordenadora do Pais na Escola.

O próximo Encontro Mensal do CCE acontecerá no dia 29 de maio com a palestra do professor e doutor em educação Severino Antônio Moreira Barbosa, que abordará  o tema O Professor como autor – de conhecimento, de diálogos, de histórias.

A Valorização do Professor é a bandeira de 2014 do Compromisso Campinas pela Educação, que tem a missão de mobilizar a sociedade civil a fim de chamar a atenção para a causa e o tema Educação, evidenciando dados, promovendo estudos, discussões e debates acerca da qualificação da educação, especialmente na cidade de Campinas (SP).

Informações: (19)3794-3512.