Projetos instigam crianças no processo de aprendizagem

Projetos instigam crianças no processo de aprendizagem

(Por Laura Gonçalves Sucena)

Na sala de aula as crianças questionam, participam e são as protagonistas de seus desenvolvimentos. Com a intenção de que os pequenos aprendam livremente e despertem o desejo de descobrir coisas novas, as creches Semente da Vida e Menino Jesus de Praga, instituições parceiras da Fundação FEAC, começaram a trabalhar com a didática dos Projetos Investigativos.

Com os Projetos, as crianças passam a descobrir o prazer de aprender em um contexto que contribui para o desenvolvimento de suas capacidades. O objetivo é que elas sintam a escola como um lugar seguro, acolhedor e agradável, onde têm a oportunidade de explorar, aprender e desfrutar ao mesmo tempo de inúmeras experiências.

A ideia é desdobrar o Projeto, por meio do tema escolhido pelos alunos, a partir de questões problematizadoras. Desta forma, as crianças pesquisam, buscam hipóteses e acham soluções. Com isso são conscientes de seus processos de descoberta. “O envolvimento ativo dos alunos nesse processo lhes dá oportunidade de fazerem escolhas, assumirem responsabilidades e planejarem ações. Desta forma, a criança é a protagonista da aprendizagem”, relatou a pedagoga e doutora em Psicologia Educacional, Andréa Patapoff Dal Coleto.

Por meio do Programa Primeira Infância em Foco (PIF), do Departamento de Educação da Fundação FEAC, Andréa trabalhou a didática dos Projetos Investigativos com as duas instituições por um ano. “A formação realizada foi enriquecedora. É importante que a criança aprenda com autonomia, pesquise e reorganize novas informações. É isso que define esta didática. Porém, não se pode perder de vista que a função do professor é ser mediador das pesquisas para solucionar as questões levantadas pelo grupo”, explicou.

Para a assessora técnica do PIF, Adriana Nunes da Silva, o trabalho com projetos está possibilitando o envolvimento ativo da criança que atua como investigadora no processo de construção do conhecimento. “Além da provocação de uma maior autonomia das crianças, o trabalho com Projetos também exige mudança do professor, que passa a atuar com uma postura mais flexível, de pesquisador e mediador do processo”, pontuou.

Trabalhar com os Projetos Investigativos também leva os pequenos a um ambiente cooperativo, em que professores e alunos convivem em uma relação baseada no respeito mútuo. Isso torna o processo de construção de conhecimentos mais facilitado para se chegar a uma aprendizagem significativa. “Cooperar na ação é operar em comum, isto é, ajustar por meio de novas operações de correspondência, reciprocidade ou complementaridade, as ações executadas por cada um dos parceiros”, já citava o psicólogo Jean Piaget, falecido em 1980.

De acordo com a também assessora técnica do PIF, Denilze Ricciardelli, os Projetos oferecem autonomia para as crianças. “Elas praticam atividades pelo prazer de realizá-las; têm oportunidade de discutir ideias, de argumentar e de irem além. Esse convite para a busca do saber demonstra a vontade em aprender”, enfatizou.

Brincando e aprendendo

De acordo com a pedagoga, falar da experimentação ativa da criança nos remete a relevância do significado da infância. “Isso nos ajuda a compreender a importância deste tema e o seu caráter fundamental como meio para favorecer o pleno desenvolvimento infantil”, explicou Andréa.

Com a didática dos Projetos as crianças de 0 a 3 anos aprendem por meio da ação e das descobertas. “Com isso, temos que assumir o compromisso de respeitá-las e oferecer um ambiente em que tenham contato direto com brinquedos, sejam estruturados ou não estruturados. Isto significa que as instituições educativas devem apoiar a criação e a organização de espaços para que as crianças descubram o prazer de aprender em um contexto que possa contribuir para o desenvolvimento de suas capacidades”, completou a pedagoga.

Na creche Semente da Vida, as mudanças com os projetos estão em pleno vapor. “Com as formações que recebemos por meio do Primeira Infância em Foco, estamos estudando mais e o ganho é significativo. Tivemos mudanças com dinâmicas na sala de aula, utilizamos todos os espaços da creche e nossa intenção é estimular o interesse e a criatividade de nossas crianças”, contou a orientadora pedagógica da creche Semente da Vida, Teresa Ferreira de Camargo.

Nas salas, os pequenos já escolhem os temas que serão estudados. Os professores têm a função de criar um ambiente desafiador e buscar estratégias para incentivar os alunos. “Atualmente, estamos trabalhando os temas ‘pirata’, ‘supermercado’, ‘corpo humano’ e ‘praia’, mas desses temas saem subtemas e esse processo de pesquisa torna o projeto muito instigante para as crianças. São conteúdos integrados que têm significado para os pequeninos”, ressaltou Teresa.

“Aqui as crianças falam, descobrem, se expressam e são pesquisadoras. Elas estão numa situação de autonomia e são capazes de desenhar o caminho que o projeto vai seguir. Os grandes diferenciais são a argumentação, o querer saber, a pesquisa. A criança delimita onde quer chegar. Isso é enriquecedor”, garantiu a orientadora.

Para a professora do maternal Suelen Feliz da Silva, é preciso estar atenta ao interesse dos pequenos. “Em uma dinâmica que realizamos de caça ao tesouro, percebi que todos se mostraram muito interessados no tema e começamos com o projeto do pirata. É um aprendizado conjunto porque eles trazem o que querem saber”, explicou.

Berçário

Mesmo no berçário, os professores e monitores usam a didática dos projetos, mas de uma forma diferenciada. A prioridade é ampliar os momentos de contato, fortalecer os vínculos afetivos, a integração e despertar a confiança.

De acordo com Adriana Nunes da Silva, os projetos visam mais a questão da exploração. “O professor tem que ter muita sensibilidade, perceber o interesse e apresentar um olhar apurado”, explicou.

Na creche Menino Jesus de Praga, os pequenos de 4 meses a 1 ano contam com estimulação dos sentidos por meio das sensações. “A professora percebe a criança e propõe as atividades. Temos o momento de brincar com alimentos, por exemplo. Já oferecemos melancia e eles ficaram encantados, principalmente quando a fruta se abre e se mostra de forma diferente, com nova cor e texturas”, garantiu a diretora pedagógica, Rosane Ferreira.

Já as crianças de 1 a 2 anos são estimuladas por meio dos sons. “Nossa professora confeccionou chocalhos e os pequeninos adoram acompanhar a música. O projeto ‘tocando, cantando e encantando’ faz um grande sucesso. Buscamos sempre inovar para que as crianças se sintam atraídas”, garantiu Rosane.

Saiba mais: crechemeninojesusdepraga.org.br e sementedavida.org.br