Professores manifestam apoio à gestão de escola ocupada

Professores manifestam apoio à gestão de escola ocupada

Inaê Miranda
Elcio Alves

Um grupo de professores da Escola Estadual Carlos Gomes, em Campinas, e de diretores da Diretoria de Ensino Campinas-Leste manifestou apoio à diretora Mirian Glaciete de Lazzari Shimizu, acusada de assédio e de perseguição a professores e alunos. Em cartas de apoio enviadas por professores ao Correio, a diretora é considerada “exigente e rigorosa como todo diretor tem que ser”. A saída da diretora do colégio atualmente é a principal pauta dos estudantes que ocuparam a instituição. Das 11 escolas que foram ocupadas em Campinas em protesto contra a reorganização escolar estadual, apenas a Carlos Gomes e a Francisco Glicério continuam tomadas. Os estudantes da Francisco Glicério se organizam para devolver o espaço.

Um professor da Escola Carlos Gomes classificou as reivindicações de afastamento da equipe gestora — incluindo diretora, vice e coordenação — como absurdas e descabidas. “Nossa diretora, Mirian, nunca perseguiu alunos, muito menos os intimidou. É exigente e rigorosa como todo diretor tem que ser. Ela tem total apoio dos demais professores e alunos da escola que estão em casa aguardando uma decisão.” O professor afirmou ainda que muitos alunos estão sendo prejudicados com a paralisação e que pais de estudantes do primeiro e segundo ciclo (1º a 5º ano e 6º a 9º ano) estão correndo risco de perder o emprego, pois não têm com quem deixar os filhos. Disse ainda que os alunos do 3º ano do médio tiveram a colação e a formatura suspensas, o que dificultará o ingresso na faculdade dos que passaram em vestibulares.

“Estes professores que idealizaram isto e o pequeno grupo de alunos (em torno de 20) não se preocupam com os demais alunos e membros da comunidade escolar. Quero informar aos senhores que a posição deles (…) não reflete a opinião dos mais de 900 estudantes e 30 professores da Escola Estadual Carlos Gomes”, afirmou o professor Abel Furlan Garcia.
Já o professor Maurício Lucarelli afirmou que ficou feliz por entender o movimento de ocupação dos jovens como democrático, mas disse que estranha e condena a atitude de “alguns poucos alunos e outros poucos professores que, usurpando da dita democracia, buscam, após já atendidas as reivindicações, com discursos e acusações vazias e interesses próprios, destituir arbitrariamente a diretora de Ensino Mirian Glaciete de Lazzari Shimizu, sendo essa uma profissional gabarita, com experiência profissional na Educação contando mais de 20 anos, concursada e titular de cargo”.

Pedro Oliveira, representante do Coletivo 15 de Outubro e um dos diretores da Apeoesp, informou que alunos estão elaborando um dossiê com todas as questões relacionadas ao que apontam como assédio e perseguição que a diretora estaria fazendo aos estudantes, “impedindo a organização estudantil e o próprio acesso à educação”.

Fonte e imagem: Correio Popular