Prêmio Atitude Educação 2015 tem inscrições abertas até 14 de agosto

Prêmio Atitude Educação 2015 tem inscrições abertas até 14 de agosto

Permanecerão abertas até o dia 14 de agosto as inscrições para a segunda edição, referente a 2015, do Prêmio Atitude Educação, uma iniciativa da Fundação FEAC, no âmbito do Compromisso Campinas pela Educação (CCE). O Prêmio visa reconhecer ações que fazem a diferença para a qualidade de ensino nas redes públicas, estadual e municipal, de Campinas.

O slogan da campanha publicitária elaborada para divulgar o Prêmio Atitude Educação 2015 é “Leve a escola para o seu mundo, traga o seu mundo para a escola”. Serão premiados projetos de escolas públicas de Campinas que tenham como objetivo aproximar a escola e comunidade e vice-versa, já que este é reconhecidamente um recurso importante para consolidar o processo de ensino e aprendizagem.

São três categorias em disputa, contemplando: 1) a rede pública municipal de ensino, 2) a rede pública estadual correspondente à Diretoria Regional de Ensino Campinas Oeste e 3) a rede pública estadual correspondente à Diretoria Regional de Ensino Campinas Leste.

Serão três projetos premiados em cada categoria, cabendo R$ 6.000,00 ao primeiro lugar, R$ 4.000,00 ao segundo e R$ 3.000,00 ao terceiro colocado, somando R$39.000,00 em prêmios. Regulamento e inscrições no site www.atitudeeducacao.feac.org.br

Tríade da Coesão Social: Escola, Família e Comunidade

O filósofo e teólogo Fernando Gomes de Moraes, especialista em elaboração e gerenciamento de projetos sociais, além de professor universitário, aplaude a temática do 2º Prêmio Atitude Educação, da Fundação FEAC no âmbito do CCE.

Fernando Gomes de Moraes já participou de vários projetos comunitários, envolvendo a presença de escolas públicas, em diversas regiões brasileiras, como Região Metropolitana de Campinas (RMC), Nordeste e Amazônia, e também em países como Angola, Moçambique e Timor Leste. É membro titular da Comissão de Estudos para o Desenvolvimento da África Austral do Parlamento Europeu (Bruxelas, Bélgica) e membro da Comissão do Relatório Final do Projeto “Processos de Democratização e Desenvolvimento em Angola e África Austral” 2015 – da Universidade Católica de Angola e do Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa. Atualmente é Diretor Estadual de Desenvolvimento Social da Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel – Funap e lançou recentemente o livro “A arte de pertencer”, pela Editora Novo Conceito.

Para Moraes, escola, família e comunidade formam o que chama de “tríade da coesão social”. Ele nota que, em meio a uma agenda extensa sobre a complexidade do ato de educar, “acabamos por vezes esquecendo que a sociedade, a escola e a educação são criações históricas, e sendo históricas, dependendo do momento, do contexto, atribuímos significados diferentes”.

A função da escola, afirma o especialista, não está centrada apenas nas formalidades do ensinar, “mas também em promover em seus alunos uma contemplação do saber que vai além dos muros. A escola deve compreender as novas demandas sociais, como aprimorar o aluno como pessoa, ampliar o espaço democrático e preparar o educando para o exercício prático da cidadania”.

E mais do que nunca, ele entende que “a urgência nos convida para essa aproximação da escola com a família e com a comunidade, considerando que a própria ideia de família, como conhecida hoje, enfrenta um grande desafio, pois as formas de organização familiar modificaram de forma significativa nas últimas décadas, fator este preponderante na discussão sobre quais caminhos e alternativas para que esse encontro seja diário, e consiga dar conta dessa mutação social”.

A educação, assinala Fernando Gomes de Moraes, tem neste novo século um grande desafio pela frente, “expandindo-se na promoção de alternativas e estratégias que possibilite uma formação integral, que saia dos formatos estabelecidos por algumas ‘mãos’ e se perceba dentro de uma esfera maior, que vai além das estruturas físicas e se integre ao cotidiano social”.

Neste contexto, acredita que a escola precisa mais do que nunca “ter uma prática ativa da cidadania, na formação de pessoas que possam inserir-se socialmente como protagonistas da ação e não meros participantes desse processo de intervenção social. Compreendo que é indissociável o ambiente escolar do meio social, e por isso se faz necessário e urgente a busca de uma relação de reciprocidade e coesão”, sustenta.

O especialista defende que a comunidade precisa rever seu conceito sobre a importância da escola, “rompendo com a visão de obrigatoriedade de um sistema social”. A distância entre comunidade e escola é perigosa, adverte, “pois acaba por criar zonas de conforto imediatistas, na ilusão de que cada um está cumprindo o seu papel, quando na verdade os caminhos se direcionam por vias opostas, e o resultado é o lendário retrabalho no mundo adulto”.

É evidente, admite, que a família ocupa um lugar estratégico nessa equação, “pois é somente através dela que se torna possível a integração social, mas quando a família também se posiciona de forma alheia a escola, lembrando que a escola lida o tempo todo com questões originadas no âmbito familiar, tudo fica mais delicado e preocupante”, na medida em que a “bagagem adquirida na convivência familiar pelo aluno é preponderante para toda a sua vida escolar”.

Por todos esses fatores, acrescenta Fernando Gomes de Moraes, “a participação da família é a ligação mais forte que a escola tem com a comunidade, e sem esse tripé não se tem bons resultados no estado de convivência social, os cenários serão sempre os mesmos, e as condições de modificações positivas na sociedade se esvaziam no esfriamento dessas relações”.

Em síntese, na sua avaliação, promover a participação ativa e crítica da comunidade no espaço escolar e vice-versa “em muito contribuirá para o fortalecimento dessas instituições, que apesar de terem funções especificas, são complementares, principalmente quando se unem na promoção de ações solidárias que favoreçam o crescimento pessoal dos alunos, na melhoria das condições de suas vidas e de suas famílias e consequentemente de suas comunidades”.