Pessoas e projetos educacionais para ficar de olho em 2018

Pessoas e projetos educacionais para ficar de olho em 2018

A educação brasileira teve avanços e desafios em 2017. Por um lado, muitas iniciativas foram interrompidas por causa da crise ou episódios como a tragédia de Janaúba mostraram como existem professores que fazem muito mais do que dar aula. Por outro, um número incontável de educadores, empreendedores e outros profissionais da educação tiveram um ano de muitas conquistas.

Mapeamos quase 100 experiências neste post. Aqui, separamos as 11 pessoas ou iniciativas que mais se destacaram no ecossistema de educação e inovação e que precisamos ficar de olho em 2018:

gina-vieira

Projeto Mulheres Inspiradoras

Iniciativa criada em 2014 com o objetivo de incentivar a valorização da figura feminina através de exemplos inspiradores. Em 2016, recebeu apoio da Corporação Andina de Fomento, um banco de desenvolvimento social que sinalizou o desejo de investir recursos para que o projeto chegasse a mais escolas do DF.  A Organização de Estados Ibero-americanos se propôs a ser gestora dos recursos e o Governo de Brasília aceitou a parceria, tendo o papel de colocar a Secretaria de Educação como articuladora e executora.

“Assim, conseguimos definir um desenho do programa que tem como principal pilar o fortalecimento da formação das professoras, o fomento à leitura e à escrita autoral, a valorização do Protagonismo Juvenil e a concepção do professor como Intelectual transformador, protagonista da própria prática”, contou a professora Gina Vieira, fundadora do projeto.

Em 2017, foram 17 escolas atendidas, 48 professores e professoras em formação e mais de 3.000 estudantes integrados ao programa. O projeto distribuiu mais de 1500 livros, organizou quase 60 palestras e recebeu 5 prêmios (Prêmio Grandes Educadores, do UniProjeção; Prêmio Medalha Mérito Buriti, do Governo de Brasília; Prêmio Igualdades de Gênero na Cultura, da Secretaria de Cultura; Finalista no Prêmio Cláudia, na categoria Trabalho Social; e Prêmio WEDO, Mulheres Empreendedoras).

Para o ano de 2018, a perspectiva é tornar o Programa uma Política pública para que ele não seja enfraquecido a cada nova gestão que assumir a educação no DF.

Fast Food da Política

A Fast Food da Política desenvolve ferramentas educacionais abertas, para promover o entendimento das regras que regem a Política, sua estrutura, processos e personagens. Em 2017, criou seu conselho consultivo, foi certificado como Tecnologia Social pelo ITS e Fundação Banco do Brasil. Eles também foram aprovados no Concurso de Projetos 2017 da Fundação Arymax e realizaram dois projetos com a Prefeitura de São Paulo pelo programa Agentes de Governo Aberto.

“Ganhar o prêmio de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil na categoria Educação foi muito importante e gratificante para a equipe da Fast Food da Política. Para nós é um reconhecimento que a temática é urgente e necessária. Em tempos onde projetos de intolerância política buscam terreno, uma iniciativa que fortalece a democracia e a diversidade ser reconhecida é motivo de esperança, um símbolo de que o Brasil não precisa mais ter medo de discutir política”, contou Júlia Carvalho, uma das fundadoras da iniciativa.

O Fast Food também ampliou sua atuação a partir de produtos e formações. A iniciativa desenvolveu e realizou uma série de cursos gamificados sobre educação política, educação de gênero e gamificação política, além de disponibilizar os jogos online para download. Os pontos altos da produção foram o lançamento do projeto Molho Especial – jogos sobre Gênero e Política na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e a formação da primeira turma de Multiplicadores Oficiais Fast Food da Política.

politicas-publicas-marcos-silveira.jpg

Datapedia

O Datapedia consolida dados públicos em uma plataforma única, acessível e pública, facilitando o entendimento de dados de todas as cidades brasileiras. Em 2017, eles lançaram o site – que já teve mais de 200 mil visualizações – e iniciaram vários projetos com governos e outras organizações. Indicado para o prêmio Veja-se na categoria de Políticas Públicas, a iniciativa acabou de fechar uma grande parceria com Itaipu. “O Projeto Site de Passargada – para criar um modelo ideal de site para prefeituras do Brasil seguirem a LAI, transparência e serviços para cidadãos”, contou Marcos Silveira, fundador da Datapedia.

seminario-amplifica

Seminário Amplifica

Essa iniciativa que foca na capacitação de educadores para a transformação da sala de aula com ferramentas digitais colaborativas Google, fez barulho em 2017. Foram quase 10 edições em todo o Brasil – uma delas sendo a edição internacional. O Amplifica também conquistou um público fiel no Amplifix, as lives semanais que as organizadoras realizam via Facebook.

O Amplifica também criou um programa de Bootcamp para ajudar os educadores a se certificarem e se qualificarem ainda mais para o mercado. Carla Arena, uma das criadoras da iniciativa, conta: “O resultado nos deixou radiantes e confiantes de que estamos trilhando um caminho em que o professor se sente acolhido e apoiado. Vários educadores que passaram pelo Amplifica e pelo nosso Bootcamp acabam de se tornar Educadores Inovadores certificados pelo Google, os Google Innovators, o que nos dá uma sensação de missão cumprida ao ver os projetos de inovação de impacto que eles estão desenvolvendo”

alex-bretas.jpg

Alex Bretas

Em 2017, Alex abriu a primeira turma da Multiversidade!, uma comunidade de aprendizes autônomos ou, se você preferir, uma “universidade para autodidatas”. “Superamos a dificuldade de comunicação que costuma ocorrer em projetos de inovação e acabamos com uma lista de espera de mais de 250 pessoas para as próximas turmas”, contou. No trajeto, a Multiversidade teve oportunidade de apresentar a proposta em vários lugares, dentre eles na Romênia, na sede da Universidade Alternativa, um de seus parceiros internacionais.

conrado_schlochauer_afferolab_2017.jpg

Conrado Schlochauer

Sócio-fundador da Affero Lab, começou 2017 ajudando na criação da Multiversidade e encerrou o ano como embaixador responsável por trazer a Singularity University para São Paulo.

Na Affero Lab, o ponto alto foi a disseminação da Nextpedia, um modelo que usa sala de aula invertida e considera o antes e depois da aula tão importante quanto o momento da instrução. “A Multiversidade foi uma grande conquista e, especialmente, fonte de aprendizado. Tendo feito doutorado em aprendizado autodirigido, está sendo lindo ver a criação de uma comunidade democrática de aprendizado”, contou.

numi-educacao.jpg

Numi Educação

A Numi é uma escola criativa que oferece experiências para despertar a inteligência emocional em crianças e adolescentes. Em seu primeiro ano oficial, já realizam 10 cursos com mais de 50 crianças e jovens. Encerraram 2017 com a inauguração de um espaço próprio que dará mais força e novas perspectivas para 2018.

Mentoring Young Talents Brazil

Projeto que oferece mentoria gratuita aos alunos do ensino médio público e organiza uma rede de jovens de todo o país que trocam experiências e oportunidades em um grupo de Facebook. Em 2017, participou de eventos como a Conferência Mapa Educação, Campus Party e TEDxItajubá. Também começaram a ser acelerados pelo Instituto Legado, que apoiou a reorganização do projeto e uma ampliação da estrutura operacional e organizacional para 2018.

rafael-parente.jpg

Rafael Parente

PhD em educação (NYU), CEO da Aondê/Conecturma, presidente do conselho do CEIPE e sócio-efetivo do Movimento Todos pela Educação. Fundou e dirigiu o LABi, Laboratório de Inovação Educacional, de 2014 a 2017. Foi subsecretário na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro de 2009 a 2013.

Nesse ano, Rafael teve grandes conquistas com a Conecturma. Foram mais de 10 mil alunos usando a metodologia, a criação de parcerias com o Google – para desenvolvimento de jogos de realidade virtual e aumentada – e com Porvir e Canal Futura para a criação do programa Educação na Veia. Também está desenvolvendo o Conecturma Mini, para crianças de 3 a 5 anos

Junto com isso, Rafael e sua equipe também começaram um grande projeto em Goiás, com 5 mil crianças, e vão trabalhar para modernizar 200 escolas por ano, com infraestrutura tecnológica, formação de professores e gestores, metodologias e materiais inovadores. Ele completa: “Também estamos criando parcerias com gente incrível como o Instituto Singularidades, o Instituto Unibanco e o Inspirare para projetos de formação de professores, gestores, inovação nas escolas e socioemocionais”

Instituto Rodrigo Mendes

O IRM teve um ano e tanto. O Portal Diversa, portal que apoia redes de ensino no atendimento de alunos com deficiência na escola regular, ganhou destaque e novas seções, participou de grandes eventos e ganhou prêmios nacionais e internacionais.

Após sua participação no painel “O impacto transformador do esporte” no World Forum on Sport and Culture, realizado no Japão pelo Fórum Econômico Mundial, Rodrigo Hübner Mendes palestrou no TEDxEducação. O Instituto também venceu a etapa nacional do World Summit Award (WSA) 2017, levou o Leão de Prata no Prêmio Cannes Lions Festival of Creativity e conquistou o Grande Clio de Entretenimento. Em outubro, Rodrigo Hübner Mendes foi homenageado na 15ª edição do jantar de gala da ONG em Nova Iorque. O evento marcou o lançamento da iniciativa Abrace o Brasil, da qual o IRM participa com a campanha Abrace a Comunidade DIVERSA.

O instituto também apoiou a criação de uma política nacional de educação especial em Angola e alcançou mais de 20 mil usuários em seus debates via Facebook.

Noc Educação

Um dos cursos de pré-vestibular que mais dá acesso à jovens de baixa renda, a Noc beneficiou 400 alunos em 2017 e conquistou prêmios e parcerias. “Uma conquista legal desse ano foi ter sido premiada em inovação social pelo Acelera FIESP, dentre 22500 organizações participantes!”, contou Luis Mendes, fundador da Noc.

O destaque do ano foi a parceria com o Instituto Acqua. Com ela, foi criado o projeto Universidade Cidadã, que  oferece curso preparatório gratuito para jovens de baixa renda e teve atuação no Maranhão, Santo André e neste ano contou com a participação da Casa1, uma república de acolhimento para LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) que foram expulsos de suas casas.

Fonte: Caindo no Brasil