Parcerias tornam cidades mais inteligentes

Parcerias tornam cidades mais inteligentes

Tainara Machado

Em um único aplicativo é possível ter acesso ao número de crianças em idade escolar matriculadas nas escolas, à quantidade de professores por sala de aula, à inflação média nos últimos cinco anos e ao consumo de energia da iluminação pública, além de outros 76 indicadores. O painel é parte do BIGov, um serviço desenvolvido pela BISmart em parceria com a Microsoft que compila 80 indicadores propostos pelo Banco Mundial com objetivo de facilitar a formulação de políticas públicas pelas cidades.

Inovações geradas no setor privado têm cada vez mais atraído a atenção de gestores municipais e estaduais, interessados em agregar a grande capacidade de processamento de dados disponível com o forte aumento da geração de conteúdo pelos próprios cidadãos. O uso da tecnologia para tornar as cidades mais inteligentes vem da ideia de que é nestes espaços que a competitividade de um país é definida, afirma Roberto Prado, diretor de competitividade nacional da Microsoft para a América Latina, que conversou com o Valor durante o Fórum de Líderes Governamentais, promovido pela empresa na capital do México no mês passado.

Por isso, a empresa tem apostado em soluções, além do desenvolvimento de produtos e serviços. A infraestrutura de comunicação das cidades tende a ser uma ferramenta cada vez mais importante para os governos, diz Prado. A interação com os usuários deve aumentar já que as estimativas indicam que 1 bilhão de pessoas terão celulares conectados à internet até 2016, e novas alternativas para monitoramento e solução de problemas serão possíveis a partir dessa combinação entre mobilidade, conexão pelas redes sociais, o acesso aos dados na nuvem e ao rápido processamento de grande volume de dados.

Por isso, a empresa tem investido para participar ativamente deste processo. O acompanhamento dos indicadores econômicos e sociais para formulação de políticas públicas, por exemplo, faz parte do CityNext, serviço da Microsoft para tornar as cidades mais inteligentes. O aplicativo permite o monitoramento em tempo real de diversas ocorrências em um único painel, como falhas no transporte público e possibilidade de danos causados por chuvas e tempestades, diz Prado. A iniciativa está sendo testada em nove cidades desde julho do ano passado, entre elas Buenos Aires. A ideia, diz Prado, que disse já ter conversado com os governos de São Paulo e do Rio, além de cidades no interior do país, é aos poucos expandir parcerias para outras localidades.

Em São Paulo, por exemplo, a Microsoft firmou parceria com o governo do Estado para adotar o Detecta, um sistema de monitoramento de ocorrências na área de segurança que já havia sido testado em Nova York e que permite alertas em tempo real, integração de dados e comunicação unificada. O sistema ainda está sendo implementado aqui. “Dentro do CityNext, temos soluções para diferentes necessidades no transporte, na segurança, na educação”.

Algumas iniciativas apresentadas durante o fórum chamaram atenção de gestores públicos. Andres Ibarras, secretário de modernização de Buenos Aires, contou em painel durante o evento que a cidade recentemente assinou uma parceria com a CodeAcademy, empresa que fornece cursos básicos de programação online para dar noções básicas de programação para crianças da rede pública.

A ação interessou o chefe de gabinete da Secretaria de Educação de São Paulo, Fernando Padula, que pretende incluir essa possibilidade na pauta de discussão da pasta. “Acredito que essa é uma iniciativa que poderia despertar interesse dos alunos, principalmente no ensino médio, e pode ser até uma maneira de premiar alunos com bom desempenho, em um primeiro momento”, afirma.

Padula avalia que existem oportunidades enormes de uso da tecnologia para a educação e por isso a secretaria tem procurado se associar a diversas empresas e fundações, como Google, Instituto Natura e Fundação Telefônica, para tornar o aprendizado mais dinâmico. Por meio de convênio com a Microsoft, por exemplo, a secretaria vai distribuir o pacote Office (Excel, Word e PowerPoint) para os alunos da rede pública com a possibilidade de instalação em até cinco máquinas, além de disponibilizar treinamento a distância para uso de softwares, previsto para ter início no segundo semestre deste ano. Já a Fundação Lemann está traduzindo para o português o conteúdo da Khan Academy, que fornece aulas e exercícios gratuitos de matemática e outras matérias no YouTube.

Padula diz ainda que a secretaria tem investido em programas de inclusão digital que garantem o acesso dos alunos à internet, mas também busca formar professores para que possam usar esses recursos. Ele avalia que “o uso da tecnologia não é uma panaceia e um fim em si mesmo, pois depende de um professor familiarizado e encorajado a usar conteúdos digitais durante as aulas”.

Fonte: Valor Econômico