Paim: ensino médio ainda precisa avançar

Paim: ensino médio ainda precisa avançar

Demétrio Weber

O ministro da Educação, Henrique Paim, admitiu ontem que a melhoria da aprendizagem verificada nas séries iniciais do ensino fundamental não se estendeu às séries finais nem ao ensino médio. Segundo ele, isso frustrou a expectativa do governo de que a “onda de melhoria” nas turmas iniciais chegaria naturalmente às demais séries.

– O Brasil avançou muito com relação aos anos iniciais do ensino fundamental. Achávamos que a onda de melhoria chegaria aos anos finais do fundamental e ao ensino médio. O que estamos vendo é que não é bem assim. E o grande nó que temos é no 6º ano do fundamental e no 1º ano do ensino médio – declarou ele.

Paim tratou do tema após a assinatura de parceria do Ministério da Educação (MEC) com dez governos estaduais e a Fundação Roberto Marinho. O MEC financiará o uso do Telecurso e da metodologia da Telessala para atender a 211 mil estudantes com defasagem idade-série. A defasagem ocorre quando o aluno tem dois ou mais anos de idade acima do previsto para a respectiva série.

Em 2012, quase um terço (31,1%) dos estudantes do ensino médio estava nessa situação, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). No fundamental, o índice era de 22%.
Na linha do que disse Paim, as taxas eram mais elevadas justamente no 6º ano do ensino fundamental (32,1%), quando ocorre a transição do primário para o ensino interdisciplinar, e no 1º ano do médio (34,9%), quando começa a última etapa da educação básica.

A metodologia da Telessala segue a lógica do Telecurso, mas vai muito além da exibição de vídeos. O conteúdo é elaborado por professores de instituições como a Universidade de São Paulo (USP). A exibição de cada vídeo demora 15 minutos e serve de ponto de partida para a realização de atividades em sala de aula, com a presença de um professor.

Mais estados usarão método

No ano passado, cinco redes estaduais utilizaram a metodologia: as de Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Acre e Amazonas. Em 2014, serão dez, com a criação de turmas também na Bahia, na Paraíba, no Piuaí, no Pará e em Rondônia. Além dos 211 mil estudantes, a iniciativa envolverá 7.750 educadores.

O presidente do Inep, Francisco Soares, disse que é preciso não só garantir o acesso das crianças à escola, mas, principalmente, sua permanência, promoção com aprendizagem e, por fim, a conclusão da escolaridade básica.
– Nossa sociedade é tolerante com a desigualdade e o abandono – afirmou Soares.

O secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto, destacou que a Telessala é uma metodologia testada e com um histórico de sucesso. Daí, segundo ele, o interesse do MEC de investir e disseminar o sistema.
– É um modelo brasileiro de inovação na forma de construção da aprendizagem – afirmou Barreto.

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal indicador de qualidade do MEC, mostra que os alunos dos anos iniciais do fundamental avançaram 0,4 ponto no Ideb a cada dois anos, quando é aplicada a Prova Brasil, entre 2005 e 2011. A expectativa do ministério era de que esse ritmo acabaria se reproduzindo nas séries seguintes, o que não ocorreu.

Fonte: O Globo Digital