Ocupada, escola Carlos Gomes entra em recesso até acordo para fim de ato

Ocupada, escola Carlos Gomes entra em recesso até acordo para fim de ato

A Escola Estadual Carlos Gomes, em Campinas (SP), irá permanecer em recesso até que haja acordo para desocupação do colégio, segundo a diretoria regional de ensino. O protesto é feito há dois dias por alunos do ensino médio, contrários à reorganização proposta pelo governo.

As aulas desta quarta-feira (18) foram suspensas para os quase 1,3 mil alunos mariculados nos ensinos fundamental, médio e turma para educação para jovens e adultos. O diretor regional de ensino da Campinas-Leste, Nivaldo Vicente, afirmou que responderá nesta tarde à pauta de reivindicações feitas por alunos e professores, e espera que o movimento seja encerrado.

“Depois que eles receberem o documento, devemos reabrir as negociações. Os dias parados serão repostos durante o período de recesso, entre dezembro e janeiro”, falou Vicente. Sobre a hipótese de não haver acordo, o diretor não descartou o pedido de reintegração de posse.

“Isso é de praxe, mas acreditamos que não seja necessário. A manifestação é pacífica”, frisou.

A proposta do governo do estado prevê fim do turno noturno na escola. Para ele, a decisão não deve ser alterada, apesar das manifestações. “Acreditamos que a reorganização não possa mudar. Ela foi bem pensada e nenhum aluno será prejudicado”, defendeu Vicente.

Reivindicações

Vicente afirmou que considera legítima a criação de um grêmio estudantil e isso deve ser levado adiante no próximo ano. Ele reforçou que os participantes dos protestos não serão prejudicados, mesmo que tenham perdido provas aplicados durante o período em que participaram das manifestações. “Todos terão uma segunda oportunidade, não haverá retaliação”, ressaltou.

Sobre o uso de uniforme, ele disse que o item não é obrigatório, porém, há uma orientação para que ele seja usado por segurança, uma vez que facilita a identificação dos alunos da escola.

Pressão
A advogada Cristiane Anizeti, integrante do Coletivo de Educadores e Educadoras Quinze de Outubro, disse que pelo menos 60 estudantes estão no prédio. Segundo ela, a ocupação do prédio ocorreu porque a direção da escola teria tentado deslegitimar os atos realizados pelos estudantes, e também porque houve pressão sobre as provas e possibilidade de reprovação.

Uma estudante de 16 anos, matriculada no segundo ano do ensino médio, afirmou que o grupo alugou barracas para passar a noite e conta apoio do sindicato que representa os professores da rede estadual (Apeoesp). A entidade informou, por meio de assessoria, que apoia a ocupação.

Mobilização em outras escolas

Um grupo de alunos das escolas estaduais Residencial São José e Veneranda Martins, na região do distrito de Ouro Verde, realizou passeata nesta manhã em protesto contra a reorganização.

Durante o ato, que levou quase três horas, os estudantes usaram faixas e apitos. O trânsito ficou lento nas proximidades.

A Emdec informou que não foi comunicada sobre o ato com antecedência. Porém, um agente foi ao local por volta das 9h50 e constatou que já não havia ocorrências.

Por meio de assessoria, o diretor regional da Campinas-Oeste, Antonio Admir Schiavo, alegou que o protesto não era contra a reorganização, mas para tentar impedir a aplicação da Prova Brasil. De acordo com a assessoria da Secretaria da Educação do estado, nenhum aluno foi prejudicado no exame.

Mudanças

A região de Campinas terá 55 escolas estaduais com ciclo único de ensino a partir de fevereiro, segundo o governo. No geral, as instituições estaduais de ensino listadas ficarão divididas de acordo com os ciclos de educação, em unidades de ensino médio, unidades para os anos iniciais (do 1º ao 5º ano) e unidades para os anos finais (do 6º ao 9º ano).

Fonte: G1