OCDE recomenda aperfeiçoamentos na educação brasileira

OCDE recomenda aperfeiçoamentos na educação brasileira

Juliano Basile

O Brasil aumentou os investimentos em educação nos últimos anos, mas ainda são necessários aperfeiçoamentos. A avaliação é de Andreas Schleicher, diretor-adjunto de Educação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), responsável pela aplicação do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês), a maior avaliação internacional de qualidade do ensino. Segundo ele, o país investe por aluno apenas um terço do que é gasto pela média dos países da OCDE.

Em palestra no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Schleicher disse que não adianta apenas obter verbas para a educação. “É preciso gastar bem”, ressaltou. Ao apresentar o Pisa, que é feito por alunos de 15 anos de vários países -, Schleicher reconheceu alguns avanços brasileiros. Em matemática, por exemplo, o Brasil elevou a sua nota de 356 pontos, em 2003, para 391 pontos, em dezembro do ano passado, tornando-se o país que mais avançou nessa área. Por outro lado, o país ainda ocupa o 58º lugar entre 65 países.

Segundo Schleicher, a avaliação do Pisa mostra que os estudantes brasileiros não confiam em suas próprias habilidades, ao contrário do que acontece na China, por exemplo. Essa situação poderia ser melhorada através do mero incentivo dos pais. Outro problema identificado por Schleicher no Brasil é a questão da autonomia das escolas. Segundo a OCDE, as escolas com mais autonomia decisória obtêm os melhores resultados. Mas, para que isso aconteça, é necessária transparência, além de conferir participação ativa de pais e comunidade em torno dos resultados a serem obtidos nas escolas.

O secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC), Luiz Cláudio Costa, afirmou que um dos grandes desafios do Brasil é ter jovens entre 15 e 17 anos no ensino médio. Segundo ele, há, hoje, mais de 2,2 milhões de estudantes no terceiro ano do ensino médio. “Não há mais funil para entrada no ensino superior”, enfatizou. “Mas nós temos alguns problemas”, reconheceu. “Muitas pessoas estão fora [do ensino superior] porque, no passado, não havia essa oferta. Só que, mais do que resolver problema numérico, nós temos que resolver questões ligadas à competência e verificar como os jovens estão sendo formados.”

Para João Bacchetto, gerente nacional do Pisa no Brasil, é preciso analisar a avaliação do programa dentro da realidade do país. Segundo ele, o que aconteceu na última edição do teste não foi uma piora na avaliação, mas sim a inclusão de mais jovens no ensino. A população de 15 anos no país é de 3,5 milhões. Em 2000, a avaliação do Pisa tratou de pouco mais de 1,5 milhão e, hoje, há mais de 2,25 milhões. “Quando se inclui pessoas de índice social mais baixo, é mais difícil ensinar. A tendência é que, com isso, caia o resultado. Mas, no Brasil, isso não aconteceu”, disse Bacchetto. “O Brasil foi o país que mais cresceu na diferença de pontos de matemática comparado com a edição de 2003. Incluímos mais pessoas e elas aprenderam muito mais. É um pouco ruim a OCDE não estar atenta a isso.”

Bacchetto reconheceu que os melhores sistemas de educação do mundo têm escolas com autonomia. “Mas, dependendo de onde se fizer isso, o diretor vai demitir e contratar os seus cupinchas. Então, a questão da autonomia escolar é algo perigoso ao se discutir na realidade brasileira”, advertiu. Segundo o gerente do Pisa no Brasil, há a ideia de que o professor pode fazer o que quer em sala de aula, o que não ocorre em outros países onde deve-se seguir um programa