Observatório da Educação: estudo recém lançado aponta principais  desafios educacionais em Campinas

Observatório da Educação: estudo recém lançado aponta principais desafios educacionais em Campinas

Foto: Ricardo Lima

Redução do analfabetismo funcional, diminuição do déficit na Educação Infantil e melhora da qualidade do ensino, principalmente no Ensino Fundamental e Médio, são alguns desafios, de acordo com o estudo “Dados sobre a educação de Campinas – Um panorama social, econômico e educacional”

Reduzir o analfabetismo funcional, que é de cerca de 30% entre a população de 15 a 64 anos, diminuir o déficit de vagas na Educação Infantil, para crianças de zero a três anos, e melhorar a qualidade da educação no Ensino Fundamental e Ensino Médio. Estes são alguns dos grandes desafios educacionais em Campinas, de acordo com o estudo “Dados sobre a educação de Campinas – Um panorama social, econômico e educacional”, divulgado na manhã desta quinta-feira, 30 de julho, durante mais um Encontro Mensal do Compromisso Campinas pela Educação (CCE). O evento foi realizado no auditório da Fundação FEAC e também marcou o lançamento local do relatório “De Olho nas Metas 2013-14”, assinado pelo movimento nacional Todos Pela Educação.

Estiveram presentes no evento, além de educadores, membros do Conselho Deliberativo do Observatório da Educação, Diretoria e Superintendência da FEAC; Antônio Admir Schiavo, dirigente de Ensino Campinas Oeste; Nivaldo Vicente, dirigente de ensino Campinas Leste; Juliano Mello, diretor do departamento pedagógico, representando a Secretaria Municipal de Educação de Campinas; Darci Silva, diretora executiva da Fundação Municipal para Educação Comunitária (FUMEC); Maria de Fátima Polesi Lukjamenko, secretária de educação de Itatiba; o vereador André Von Zuben, entre outras autoridades.

O documento “Dados sobre a educação de Campinas – Um panorama social, econômico e educacional” foi produzido no âmbito do Observatório da Educação, ligado ao CCE. O estudo tem a assinatura de Stella Silva Telles, doutora em Demografia pela Unicamp e pesquisadora do Núcleo de Estudos em Políticas Públicas (Nepp) da mesma universidade. A especialista também integra o Comitê Deliberativo do Observatório da Educação do Compromisso Campinas pela Educação.

 Na forma de dados, tabelas e gráficos, o estudo foi produzido para a melhor compreensão do estado atual e dos muitos desafios nos campos social e da educação em Campinas, no momento em que acaba de ser promulgado o Plano Municipal de Educação (PME). Os resultados do estudo foram apresentados na manhã desta quinta-feira pela professora Dra. Maria Inês Fini, consultora do Compromisso Campinas pela Educação, dedicada ao Observatório da Educação.

Dados apontam desafios – O documento aponta vários desafios para a melhoria da educação em Campinas nos próximos anos, em termos de infraestrutura, ampliação de vagas e melhoria na qualidade do ensino. O documento cita, por exemplo, estudo dos professores Dalton Andrade e Francisco Soares Neto, para o mesmo Observatório da Educação, do CCE, indicando que somente 12,8% de um conjunto de 727 escolas avaliadas em Campinas apresentavam infraestrutura adequada em 2011, enquanto 56,1% tinham infraestrutura básica e 31,1% somente um nível apenas elementar de infraestrutura.

O estudo divulgado hoje na FEAC mostra que houve uma melhoria na taxa de atendimento escolar dos menores de três anos, que passou de 20% em 2007 para 39,2% em 2013. Entretanto, ainda há que se incluir 6.514 (estimativa com base em 2013) menores de três anos na Educação Infantil para que se alcance a meta prevista no Plano Nacional de Educação de 50% das crianças nesta faixa etária com acesso a creches. Do mesmo modo, outros 3.121 jovens de 15 a 17 anos devem ser incluídos no Ensino Médio.

São vários desafios relacionados ao Ensino Médio, que representa, por exemplo, a etapa mais preocupante em termos de abandono escolar, com uma tendência de crescimento. Em 2007 a taxa de abandono escolar no Ensino Médio era inferior a 5% e, em 2013, atingiu quase 7% do total de alunos matriculados.

No Ensino Fundamental, o acesso à escola está praticamente universalizado em Campinas. Entretanto, a qualidade da educação desperta preocupação. Os dados da Prova Brasil da edição de 2013 evidenciaram que metade dos estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental em Campinas estava no nível adequado de aprendizagem em português. Em matemática, esse percentual era de 46%. Com relação à proficiência dos alunos dos 9º anos, a situação é bastante crítica. A proporção de alunos que obtiveram nível adequado em matemática é baixa e ficou praticamente estagnada em torno de 12%. Também em português, a proporção de alunos com proficiência adequada ficou em um nível baixo (28%) e estagnado no período analisado. Assim, além de não ter havido melhoria desde 2009, os patamares alcançados em 2013 pelos alunos dos 9º anos das escolas públicas ficaram muito longe da meta proposta.

Desafios também existem para erradicar o analfabetismo, que atinge 3,2% da população, e diminuir o analfabetismo funcional, abrangendo 30% da população entre 15 e 64 anos. No ensino profissionalizante, o maior desafio é ampliar as ofertas de ensino profissionalizante integrado ao ensino médio. Apenas 3% das matrículas no ensino profissionalizante em 2013 em Campinas estavam nessa modalidade.

A íntegra do estudo e a apresentação feita nesta manhã durante o Encontro Mensal estão disponíveis no portal do CCE: http://www.compromissocampinas.org.br/estudos/

De Olho nas Metas –  No evento desta quinta-feira, 30 de julho, no auditório da Fundação FEAC, o movimento nacional Todos Pela Educação também apresentou, por meio de sua diretora administrativo-financeira, Maria Lucia Meirelles Reis, o seu relatório “De Olho nas Metas 2013-14”. Esta é a sexta edição do relatório, que faz um balanço, a cada dois anos, de como estão as cinco metas perseguidas desde 2006 pelo Todos Pela Educação (TPE), um movimento da sociedade civil brasileira que tem como missão contribuir para que até 2022, ano do bicentenário da independência do Brasil, o país assegure a todas as crianças e jovens educação básica de qualidade.

Em função do monitoramento das cinco metas nacionais, o relatório do Todos Pela Educação identifica alguns dos grandes desafios para a educação no Brasil. O relatório mostra, por exemplo, que o Brasil ainda precisa incluir 2,8 milhões de crianças, adolescentes e jovens de quatro a 17 anos no sistema educacional e aprimorar muito a qualidade da educação, considerando fatos como o de que, em 2013, somente 9,3% dos alunos do 3º ano do Ensino Médio aprenderam o considerado adequado em matemática, e 27,2% em português. São números muito abaixo das metas intermediárias do TPE esse ano, que eram de aprendizado adequado de 28,3% em matemática e 39% em português, respectivamente. A meta para 2022, ainda muito distante de ser atingida, é que 70% ou mais dos alunos tenham aprendido o que é adequado para seu ano.

O Encontro Mensal do Compromisso Campinas pela Educação (CCE) é realizado todas as últimas quintas-feiras de cada mês, geralmente no período noturno. Em julho, excepcionalmente, foi promovido no período diurno. Já a edição do mês de agosto acontece a 27, à noite. Oportunamente o evento será amplamente divulgado.

Todos os Encontros Mensais e demais atividades do CCE em 2015 estão sendo promovidas, preferencialmente, com base na bandeira “Valorização da Escola”, eleita pelo Compromisso Campinas pela Educação para este ano, quando foi selecionada via enquete realizada na 5ª Semana da Educação, em novembro de 2014.