O desafio da avaliação eficaz

Do ensino fundamental para o médio, a preocupação dos pais com relação ao conteúdo ensinado aos filhos aumenta. Mas a garantia de um ensino dinâmico, que inclua temas transversais, e de uma instituição que garanta a participação deles, também é apontada como relevante. “Acho que ter a nossa participação aliada à da escola dá segurança e os deixa mais tranquilos na hora de enfrentar a concorrência num vestibular”, afirma a dentista Cláudia Jreige, 51 anos, mãe de quatro filhos, de 16 a 22 anos.

“Inovação é a relação com os nossos alunos, a forma diferente de fazer as coisas, de despertar o interesse deles em todas as áreas”, reforça o diretor do colégio Mackenzie, Walter Ribeiro. Carlos Eduardo Oliveira, professor de química da escola, acredita que o contato com os pais e a facilidade de acesso à direção contribuem para o processo de ensino e para adotar as inovações necessárias, que, para ele, têm relação com permitir ao aluno construir e se apoderar do conhecimento que está à disposição dele. “A inovação é essa: aproveitar as dúvidas e os questionamentos que os alunos têm”, destaca.

Luis Claudio Megiorin, presidente da Associação de Pais e Alunos das Instituições de Ensino do DF (Aspa-DF), acredita que a inovação na avaliação seja o maior desafio das escolas. A competitividade, acirrada no ensino médio em razão da preparação para exames de seleção do ensino superior, é um dos fatores apontados por ele como dificultador de uma avaliação global. Segundo ele, os pais devem ficar atentos ao que é cobrado e informar à escola sobre eventuais discordâncias. “Se o pai não fizer isso, vai tirar a oportunidade da escola de rever a forma como ela avalia.”

Para Álvaro Domingues, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinepe-DF), toda inovação, seja tecnológica, seja na prática docente, depende de uma disposição da gestão para adotá-la. “O mais inovador, atualmente, é a prática pedagógica e, nessa esteira, vem a avaliação”, afirma. Além dessa disposição, Domingues afirma que é necessária a adoção de um modelo que facilite a adesão do corpo docente e conte com a cumplicidade dos professores. “Se antes o professor era o polo divulgador de conhecimento, hoje, ele não tem mais esse status: ele é um facilitador e promotor da aprendizagem. Ele tem que mudar radicalmente”, explica o presidente do Sinepe-DF.

O apoio da escola para levar adiante essas mudanças é a principal demanda dos professores. “As instituições não dão suporte para que os professores possam usar a inovação”, relata Trajano Jardim, diretor de Comunicação do Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinproep-DF). “Quando incluem (a inovação), a formação fica por conta do próprio professor”, completa.

Fonte: Correio Braziliense