Números da Educação

Números da Educação

Relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) revela que o Brasil cumpriu apenas duas das seis metas do Marco de Ação de Dakar, Educação para Todos: Cumprindo nossos Com-promissos Coletivos, firmado em 2000 por 164 países. O Ministério da Educação conseguiu apenas, e com ressalvas, universalizar o acesso à educação primária, do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental e cumprir a meta referente à inclusão de meninos e meninas na escola, independentemente do gênero, ou seja, as metas atingidas não merecem muita comemoração porque a educação primária é responsabilidade das prefeituras e inclusão de gênero já é realidade há décadas no país. Outras metas como redução do analfabetismo entre os adultos; garantia de educação de qualidade aos jovens e as crianças com menos de 5 anos de idade; redução dos elevados índices de evasão escolar e conclusão do Ensino Fundamental e Médio dentro do prazo ficaram para trás e, dificilmente, serão cumpridas pelo governo brasileiro.

Entre todos os problemas, o analfabetismo é um dos mais graves, já que 8,3% da população com mais de 15 anos, segundo os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, não sabem ler e escrever. Outro desafio está no Ensino Médio, onde as grades curriculares não são atrativas, os índices de eva-são são elevadíssimos e os estudantes demoram, em média, 7 anos para concluir os 4 anos do ciclo. Em outra frente, o Movimento Todos pela Educação alerta que nove em cada dez mu-nicípios brasileiros não atingiram o percentual mínimo de alunos com desempenho adequado em matemática no 9º ano do Ensino Fundamental, ou seja, somente 10,8% dos municípios atingiram a meta intermediária calculada para que, em 2022, bicentenário da Independência do Brasil, pelo menos 70% dos alunos tenham aprendizado adequado nesta disciplina. Os números foram apurados pela Prova Brasil e revelam que na disciplina português apenas 29,6% dos municípios atingiram o nível intermediário, de forma que o percentual de cidades que atingem as metas do Todos pela Educação vem caindo nos últimos anos.

A situação é preocupante, mesmo porque em 2009 83,7% dos municípios cumpriram a meta para o ano em português no fim do ensino fundamental e 42,7%, em matemática, revelando que os bons resultados que vêm sendo observados nos anos inici-ais não estão tendo repercussão nos anos finais. Isso ocorre porque o país não tem metas claras do que deve ser aprendido em cada nível de ensino, tanto que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) considera nove níveis de desempenho na Prova Brasil, sem definir qual é o adequado. Por outro lado, relatório da consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) revela que o Brasil se distanciou da média de 40 países no ranking que compara resultados de provas de matemática, ciência e leitura, além de índices como taxas de alfabetização e aprovação escolar, ou seja, por mais que o governo federal alegue evolução no setor, na comparação com outros países fica claro que a educação brasileira segue na berlinda e, mais grave, dificilmente mudará para melhor se as autoridades insistirem em manter o atual modelo pedagógico.

É inverossímil, mas entre os 40 países avaliados pela Economist Intelligence Unit, o Brasil conseguiu ser melhor apenas que o México e a Indonésia nos indicadores de capacidade cognitiva e sucesso escolar, sobretudo nos índices de alfabetização e aprovação escolar. No topo do ranking de qualidade educacional estão Coréia do Sul, Japão, Cingapura e Hong Kong, todos com índices positi-vos. Fica patente a necessidade de se questionar a eficiência dos sistemas educacionais do Brasil para suportar índices de crescimento econômico no longo prazo, já que a educação é pressuposto fundamental para o desenvolvimento. Em 2013, o Brasil havia obtido um escore de -1.65 e em 2014 o indicador ficou -1,78, o que mostra que o país está mais distante da média dos 40 países avaliados, já que quanto maior o índice, pior será a educação ofertada. Os dados do Economist Intelligence Unit revelam que o Brasil preci-sa aumentar em 30% o número de professores de ciência e matemática para aliviar as pressões sob o contingente atual, que está sobrecarregado e carece não apenas de treinamento, mas, sobretudo, de valorização profissional e de melhores condições de trabalho.

Fonte: O Progresso