Novo ministro da educação assume com muitos desafios

Novo ministro da educação assume com muitos desafios

O filósofo Renato Janine Ribeiro, de 65 anos, tomou posse como novo ministro da Educação no dia 06 de abril com um elenco de desafios pela frente. Entre eles, a execução do Plano Nacional de Educação (PNE 2014-2024) e a perspectiva de redução do orçamento para o seu Ministério em 2015, em função dos ajustes promovidos pelo governo federal, que definiu como seu lema geral “Pátria Educadora”.

Outro desafio de curto prazo para o novo ministro está relacionado à conclusão, pelos Estados e municípios, dos respectivos Planos de Educação. O PNE estipula que o prazo final para a aprovação dos Planos Estaduais e Municipais de Educação é 24 de junho, mas a maioria dos municípios está atrasada na elaboração de seus planos.
Carreira acadêmica – Renato Janine Ribeiro tem uma sólida carreira acadêmica. Nascido em Araçatuba (SP), fez o curso universitário em filosofia na USP, durante o regime militar, e o mestrado na Sorbonne, em Paris, concluído em 1973.

De volta ao Brasil, defendeu em 1984 – o ano da campanha das diretas-já – a tese de doutorado na USP (onde leciona desde 1975) sobre o filósofo inglês Thomas Hobbes. A filosofia política representa, portanto, um dos principais campos de atuação de Ribeiro, que escreve há anos para jornais e revistas sobre os principais assuntos da arena pública.

Tem vários livros publicados, como “A marca do Leviatã” (1978), “A última razão dos reis – ensaios de filosofia e política” (1993), “Ao leitor sem medo – Hobbes escrevendo contra o seu tempo” (1999), “A etiqueta no antigo regime” (1999), “A sociedade contra o social: o alto custo da vida pública no Brasil” (2000), ganhador do Prêmio Jabuti 2001 na categoria de Ensaios e Ciências Humanas, e “A universidade e a vida atual” (2003).

Expectativas – O novo ministro da Educação chega ao cargo cercado de expectativas, decorrentes de sua trajetória acadêmica e após os turbulentos 76 dias do ministro anterior, o ex-governador do Ceará, Cid Gomes.

Para o diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos, Renato Janine Ribeiro chega ao cargo como “uma referência importante e respeitabilidade acadêmica”. Nota, entretanto, que o novo ministro tem como experiência em gestão pública somente como diretor de Avaliação da Capes – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal e Nível Superior, entre 2004 e 2008. Também foi secretário da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entre 1999 e 2001.

Mozart entende que o novo ministro precisará de “uma enorme capacidade de articulação e execução”, com o apoio de uma equipe capaz de “dar agilidade ao enorme cargueiro” que é o Ministério da Educação, um dos mais importantes do governo federal, com orçamento próximo de R$ 50 bilhões.

“Torcemos para que o ministro consiga melhorar a educação brasileira, no sentido de uma educação apartidária e que seja considerada como elemento estratégico para o desenvolvimento do país”, diz o diretor do Instituto Ayrton Senna e também ex-secretário de Educação de Pernambuco e ex-dirigente do Movimento Nacional Todos Pela Educação. Mozart lembra que um ministro deve lidar “com muitas demandas de governadores, deputados, senadores e prefeitos”. O cargo demanda, enfim, considerável habilidade política.

Membro do Conselho Estadual de Educação e do Conselho Técnico Científico da CAPES para Educação Básica, o professor Luiz Carlos Menezes destaca que Renato Janine Ribeiro é “um acadêmico de prestígio, e há tempos se manifesta sobre educação no Brasil”.

Menezes entende ter sido promissor o apelo do novo ministro, no sentido de que as universidades federais se ocupem mais da educação de base. Nesse sentido, o professor Menezes afirma ter uma sugestão, a de que “sejam modificados os critérios de avaliação do ensino superior, de modo que seja melhor considerada a dedicação do profissional à educação básica, por exemplo na formação de professores”. Os atuais critérios de avaliação do ensino superior, nota, dão muito peso para a publicação de artigos, mas “praticamente ignoram a dedicação do profissional ao ensino básico”.

Outra sugestão de Menezes, docente aposentado do Instituto de Física da USP e membro da equipe da Unesco do Projeto de Currículos Integrados para o Ensino Médio, ao novo ministro é no sentido de que o Ministério da Educação contribua para “uma maior articulação entre o centro formador de professores e a escola”. “É preciso ter maior organicidade entre o centro formador de professores e a escola, para que não haja o atual distanciamento entre teoria e prática”, complementa Luiz Carlos Menezes.