Na suécia, lição para incorporar (e questionar) o google em classe

Na suécia, lição para incorporar (e questionar) o google em classe

“Se o professor fizer uma pergunta em sala de aula cuja resposta possa ser achada no Google, a pergunta está errada”. A afirmação é de Johana Gagner, professora desde 1998 e atual responsável pelo desenvolvimento escolar da YBC, uma escola não tradicional de Estocolmo, fundada há seis anos e que tem a missão de responder “o que a escola pode ser”. Lá, numa realidade em que o profissional de ensino ganha cerca de US$ 4 mil, acredita-se que o professor não pode trabalhar isolado do mundo e, mesmo integrado, não tem como saber tudo. Cada aluno entre 16 e 19 anos vai para a sala de aula munido de um computador, alugado a cada início de ano em um sistema de Leasing com a escola. Daí que acessar o Google ou qualquer outra ferramenta de busca durante a aula não é uma provocação, é dia a dia.

– Para ser criativo, é importante saber das coisas, mas esta é só uma parte do processo. Você tem que questionar. Encontrar respostas em diferentes fontes é muito fácil. É preciso acrescentar algo mais – diz Johana. – Às vezes conseguimos, às vezes não…

Longe de ter uma fórmula pronta, ela exemplifica que, em vez de perguntar a data da Segunda Guerra, a ideia é colocar o aluno no cenário, com questões como “se você fosse um soldado inglês na Segunda Guerra, como seria seu dia?”.

– Isso o Google não pode responder.

No Brasil, onde os colégios tentam adequar a aula presencial às novas tecnologias, há plataformas que usam até o Facebook. No fim de maio, o Colégio Mater Dei, em São Paulo, inaugurou o primeiro Google Learning Space do mundo, um centro de aprendizagem colaborativo onde alunos usam tecnologia para ler, aprender e compartilhar. Para as demais escolas, no entanto, o desafio continua sendo sistematizar, integrar o Google à estratégia educacional.
– Copiar e colar sempre existiu. Hoje, com o Google, o professor tem que tentar fazer com que isso aconteça dentro da sala, como consulta – acredita Stavros P. Xanthopoylos, vice-presidente da Associação Brasileira de Ensino à Distância.

Livros didáticos na berlinda

Stavros cita o exemplo de um professor com uma turma rebelde em Atenas que usou ferramentas de pesquisa para montar uma competição. Ganhava quem fizesse a melhor discussão sobre um determinado tema.

– E aí os alunos “bandidos” da escola tiveram uma evolução fantástica. Isso é pegar o veio do processo e criar o pedagógico em cima da tecnologia.

No Rio, na escola Edem, em Laranjeiras, a ideia é orientar o aluno a analisar as respostas do site de busca, verificar as fontes, desenvolver um olhar crítico… E isso já desde os 5 anos de idade. Fala-se aos pequenos inclusive sobre os perigos de postar algumas informações na rede.

– As novas tecnologias estão aí para mudar a escola – acredita a professora Luiza Peralta, que, de manhã, dá aulas para o fundamental II e, à tarde, para alunos a partir do 5º ano. – Daqui a pouco não vamos usar mais caderno. Será que vamos precisar de livro didático? Não sei, a internet não tem esse conteúdo? – observa.

A diretora pedagógica da Escola Parque, Patrícia Konder Lins e Silva, concorda que a chave está na mudança e que, em breve, a figura do professor falando na frente da classe tende a desaparecer. Mas ela admite ser difícil se desligar desse modelo.

– Professores mais jovens têm mais facilidade para absorver as novidades, usam iPhone para fazer vídeo e, depois, escrever sobre aquilo. Há mil maneiras – diz. – No meu tempo, o bom era ter cultura geral. Hoje isso já se desloca para um site de buscas. Para o aluno de hoje, o desafio é aprender a lidar com essa informação e resolver os desafios da vida.

Fonte: O Globo Digital