Metade das escolas de Campinas está sem aulas

Metade das escolas de Campinas está sem aulas

Shana Pereira

A ausência de profissionais de limpeza e de segurança prejudica o funcionamento de 50% das escolas e creches municipais de Campinas. Das 206 unidades de ensino, 103 estão paradas pela falta de funcionários da Gocil, empresa terceirizada que rompeu os contratos de vigilância e limpeza com a Prefeitura no começo deste mês sob a alegação de atraso no repasse de verbas. Com o fim da greve dos servidores públicos, os pais dos alunos tinham a esperança de que os serviços voltassem ao normal, mas as escolas continuam sem funcionamento, o que deixa 22,6 mil estudantes sem aulas.

Além do fim da greve, na semana passada, o juiz da 2º Vara da Fazenda Pública, Wagner Roby Gidaro, concedeu uma liminar para o Executivo e determinou que a Gocil retornasse imediatamente às atividades. A empresa informou que não foi notificada sobre a decisão do juiz em relação ao serviço de limpeza.

Na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Professor Vicente Rao, no Parque Industrial, a diretora justificou para a mãe de uma aluna que, por causa da falta de estrutura na limpeza e da segurança, não tem previsão para retorno das aulas. “A minha filha está sem aula desde o início da greve, com o término achei que voltaria ao normal. Estou pedindo favores e pagando para alguém ficar com ela para eu poder trabalhar”, disse a consultora de beleza Gil Vieira.

Um grupo de pais da escola Violeta Dória Lins, no Vila Rica, está organizando um protesto amanhã e promete fechar a Avenida Amoreiras. Eles querem mobilizar o máximo de pais de escolas paradas para participarem do ato. A cabeleireira Márcia Regina Moreira, de 44 anos, disse que somando o período da greve e da paralisação dos serviços de vigilância e limpeza, os alunos já estão há 23 dias sem aulas.

“Queremos uma solução, quem sai perdendo são os nossos filhos”, afirmou. A vendedora Priscila Fernanda Martins, de 35 anos, não tem mais a quem recorrer para deixar o filho. “Só falta pedirem para os pais realizarem a limpeza da escola para os filhos estudarem”, reclamou.
Na Emef Professora Clotilde Barraquet Von Zuben, no Jardim Florence, 833 alunos estão sem frequentar as aulas. A dona de casa Sheila Maria Alves da Silva, de 25 anos, por exemplo, vai até a escola todos os dias para verificar se as atividades foram retomadas. “Eu tenho dois filhos matriculados. Um deles está aprendendo a ler, a paralisação está prejudicando o ensino. Por mais que ajudemos em casa, não é a mesma coisa”, afirma. No Centro de Educação Infantil Aurora Santoro, no Jardim Ipaussurama, a situação não é diferente: os pais chegam para deixar os alunos e são avisados da paralisação.

Garantias

A Administração Municipal informou que está garantindo todas as condições para que as unidades da Educação voltem à normalidade. Em paralelo, o Executivo iniciou o processo de rescisão dos contratos e convocação das empresas classificadas nas licitações públicas para serviços de limpeza e segurança. “Na próxima terça ou quarta-feira devemos fechar o contrato com a terceira colocada na licitação da limpeza. Já em relação à vigilância estamos analisando a segunda e terceira empresa”, disse o secretário da Administração, Sílvio Bernardin.

Os trabalhadores da Gocil também deixaram de prestar os serviços de segurança dos centros de saúde da cidade. A Prefeitura informou que os atendimentos não estão prejudicados e funcionam normalmente. No início do mês, a Administração obteve uma liminar para que os funcionários terceirizados retomassem o atendimento na área da saúde. Em nota, sobre o contrato de vigilância, a Gocil informou ter recebido a notificação da decisão da liminar, que está sob avaliação de sua área jurídica. A empresa alega que a Prefeitura está inadimplente há mais de 90 dias em ambos contratos.

Fonte: Correio Popular