Mapeando a Educação

Mapeando a Educação

O relatório De Olho nas Metas, elaborado pelo Movimento Todos pela Educação, revela um número absurdo e, ao mesmo tempo, preocupante: o Brasil tem hoje 3,6 milhões de crianças e jovens com idade entre 4 e 17 anos fora da escola. Desse total, mais de dois milhões têm idade entre 15 e 17 anos e deveria estar cursando o Ensino Médio, ou seja, mais de um milhão de crianças com idade entre 4 e 5 anos que deveriam estar na Educação Infantil também não frequentam os bancos escolares. São dados que revelam, por exemplo, que o Brasil está muito longe de atingir a meta de colocar 98% dos seus jovens e crianças na escola até 2022, já que isso somente seria possível se o Brasil tivesse hoje 94,1% desse público matriculado, mas apenas 92% dos brasileiros com idade entre 4 e 17 anos estão regulamente matriculados. Outro dado preocupante: mais de 40% dos adolescentes matriculados no Ensino Médio estão atrasados em, pelo menos, um ano de estudo. Fica claro, portanto, que os governantes falham nas suas políticas educacionais e que dificilmente atingirão as metas do Movimento Todos pela Educação.

No geral, alguns Estados como o Acre, Amazonas e Rondônia, que no ano 2000 exibiam índices de pouco acima dos 70%, ou seja, para cada 10 crianças sete estavam matriculadas, vivem uma nova realidade. No Acre, por exemplo, 88,9% dos jovens e crianças estão matriculados, enquanto no Amazonas são 88,7% e em Rondônia o índice é de 86,3%. Contudo, ao lado do Amapá, esses Estados ainda apresentam os maiores índices de pessoas nessa faixa etária fora da escola, de 11% a 13% da população de 4 a 17 anos. O Movimento Todos pela Educação revela que, em números absolutos, São Paulo tem hoje 575 mil jovens e crianças fora das salas de aula, o que corresponde a 6,6% da população nessa faixa etária, seguido por Minas Gerais com 367 mil alunos com idade entre 4 e 7 anos sem frequentar os bancos escolares. São números que assombram, mesmo porque, juntos, os dois maiores Estados brasileiros somam quase 1 milhão de crianças e adolescentes fora dos bancos escolares. Em todo o Brasil, a situação mais crítica é nas chamadas séries iniciais onde seria necessário criar 1.050.560 vagas em creches para atender essa clientela.

Esse é um quadro que deveria mudar a partir de 2016, já que a educação infantil passará a ser obrigatória para todas as crianças com idade entre 4 e 5 anos sendo matriculadas na pré-escola, mas o atraso nas obras federais, sobretudo no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) impedirá a conclusão das obras de milhares de creches que foram iniciadas e ficaram pelo meio do caminho. A situação no Ensino Médio também é preocupante, sobretudo em virtude da evasão que em 2014 atingiu a marca de 10,3%, ou seja, para cada grupo de 1.000 estudantes dessa faixa, exatos 100 abandonam as salas de aula antes de concluir o ciclo. Uma estudo recente realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que 40,3% dos jovens evadidos deixam o Ensino Médio alegando falta de interesse. Também chama a atenção a informação que 31,6% dos jovens com idade entre 15 e 17 anos ainda não chegaram ao Ensino Médio, revelando que além da evasão escolar parte dos estudantes não estão conseguindo concluir os ciclos dentro do prazo.

O Movimento Todos pela Educação alerta ainda que os alunos do Ensino Médio são os que apresentam maior defasagem no aprendizado, tanto que menos de um terço desses estudantes conhecem a língua portuguesa da forma adequada ao período de estudo e apenas 10,3% sabem matemática proporcionalmente ao ano de Ensino Médio. Esses números foram retirados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil de 2013, onde ficou constatado que a maior defasagem em matemática está mesmo no Ensino Médio. Deve ser por isso que a Pesquisa Mensal de Empregos (PME) do Ministério do Trabalho aponta que de 2004 a 2013 houve um avanço de 169% na frequência de cursos de natureza profissionalizante, comprovando que grande parte dos jovens deixam a escola para se inserir no mercado de trabalho e, depois, diante da necessidade de melhorar o desempenho, acabam buscando os cursos técnicos. Lamentavelmente até mesmo esse setor está sendo prejudicado pelos cortes do governo, com milhares de alunos sendo prejudicados pela falta de recursos aos cursos do Pronatec.

Fonte: O Progresso