Mais horas em sala de aula, menos preparação

Mais horas em sala de aula, menos preparação

Não é só o ato de lecionar que é afetado pela jornada excessiva. Fora da sala de aula, há provas para corrigir, lições a preparar, reuniões a fazer. O professor de educação física Carlos Eduardo Berwanger, 45 anos, se divide em três para cumprir o magistério em uma escola particular, uma municipal e ainda em uma faculdade. Toda semana, são 70 horas dedicadas à carreira, sem contar o tempo gasto com atividades extraclasse.

– Isso acaba afetando a qualidade das aulas. Tenho pouco tempo de atualização para poder estudar, fazer uma leitura mais aprofundada e inclusive para o lazer – afirma Berwanger.

Adicional noturno é alento financeiro

O professor começa a lecionar de manhã e segue até as 22h45min nos dias de semana – além de dar aulas em alguns sábados. Para ele, um passo importante na valorização da profissão surge com o pagamento de adicional noturno de 20% a professores da rede pública do Estado, aprovado na semana passada pela Justiça. Ainda assim, Berwanger ressalta que o incremento no salário não soluciona a falta de tempo para investir na própria qualificação.

A crítica vai ao encontro do que mostra a pesquisa Talis. O levantamento aponta que a maior parte dos professores brasileiros declara amor pela profissão, mas se sente desvalorizado. Gerente da área técnica do movimento Todos pela Educação, Alejandra Meraz Velasco reforça que tal jornada estressante compromete principalmente o aluno.

– Se o professor trabalha em mais de uma escola, também tem capacidade menor de observar o desenvolvimento dos alunos separadamente e pensar estratégias específicas para cada um. Isso prejudica o profissional, e em consequência piora a qualidade do ensino – garante Alejandra.

Fonte: Zero Hora