Mães de crianças com microcefalia têm ensino gratuito

Mães de crianças com microcefalia têm ensino gratuito

Camila Ferreira

Mães de crianças com doenças raras, entre elas a microcefalia, poderão estudar a distância gratuitamente. A iniciativa faz parte do projeto Mães Produtivas, idealizado pela Aliança de Mães e Famílias Raras (Amar) e pelo grupo Ser Educacional. No total, são 50 vagas para 17 cursos de graduação e pós-graduação disponíveis para sete estados do País, entre eles São Paulo, que contará com cinco vagas.

O primeiro Estado a desenvolver o projeto é Pernambuco, com 15 bolsas, devido à alta incidência de casos de microcefalia. Metade das oportunidades foram destinadas a mães, cujos filhos apresentam tal patologia, e as aulas começaram nesta segunda.

Para Germana Soares, de 24 anos, esta é uma oportunidade única para que seus projetos não fiquem parados enquanto cuida do filho Guilherme, de 4 meses, que nasceu com microcefalia por conta de infecção do zika vírus. “Ele demanda todo meu tempo, saímos as 4h de casa e voltamos as 17h por conta dos acompanhamentos que ele precisa. Vou aproveitar os momentos que ele dorme ou os que fica com o pai”, contou.

Germana se matriculou no curso de administração e já tinha se formado em marketing e logística antes de ter o filho. Ela ficou sabendo da oportunidade pelo grupo Amar. “Preciso fazer essa oportunidade valer a pena, não só por mim, mas também por ele”, destacou.

Pernambuco

O Centro Universitário Maurício de Nassau atenderá as estudantes de Pernambuco. Outras unidades da faculdade receberão as mães em Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Já os campi Atibaia, Bragança, Guarulhos, Itaquaquecetuba e Dutra, da Universidade UNG, serão os polos no Estado de São Paulo. As alunas de Campinas podem se inscrever para uma dessas unidades.

De acordo com Daniela Rorato, vice-presidente da Amar, em São Paulo, as mulheres que tiverem interesse devem entrar em contato com o grupo pela página no Facebook para solicitar a bolsa. Uma triagem será realizada. “O projeto foi criado para levar a qualificação profissional para essas mães, que não podem fazer aulas presenciais, pois são cuidadoras dos filhos. Muitas delas são chefes de família e, em nosso País, cinco milhões de crianças não possuem o nome do pai em seu registro de identificação. Outra triste estatística aponta para o fato de que 70% das mulheres que recebem filhos com deficiência são abandonadas pelos maridos e tornam-se cuidadoras de alguém, em um processo exaustivo, cujo resultado muitas vezes se desdobra em doenças secundárias para a mãe, como depressão e síndrome do pânico”, relata.

O curso é realizado 100% em casa, sendo necessário apenas um computador com internet e uma visita presencial a cada três meses para realização de uma prova. A conclusão do curso depende da dedicação de cada aluna, que precisa cumprir uma carga horária semanal. Todos os cursos são gratuitos.

Fonte: Correio Popular