Janine, novo titular do MEC, diz que estudará dossiês de sua pasta e pede união em favor da educação

Janine, novo titular do MEC, diz que estudará dossiês de sua pasta e pede união em favor da educação

O novo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, escolhido na sexta- feira para ocupar o cargo pela presidente Dilma Rousseff, disse ontem, em sua página no Facebook, que irá estudar dossiês de sua pasta antes de dar entrevistas. Ele também afirmou esperar que “a educação constitua um destes pontos que permitam unir o país”.

Janine Ribeiro, que tomará posse no próximo dia 6 , afirmou que recebeu uma ligação na quinta-feira do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o chamando para ir a Brasília conversar sobre a possibilidade de assumir o Ministério da Educação (MEC). O filósofo contou que teve que cancelar alguns compromissos, para estar no Palácio do Planalto em uma “longa conversa” com Dilma e Mercadante. Disse também que depois da reunião foi para o MEC, onde o secretário-executivo da pasta, Luiz Cláudio Costa, fez um briefing sobre o ministério.

No seu post, Ribeiro se mostra animado para comandar a área que conta com 50 milhões de alunos e 2 milhões de professores. “É o Brasil que está lá, subindo a ladeira”, escreve. O futuro ministro agradece as mensagens que recebeu e diz esperar que a “educação constitua um destes pontos que permitam unir o país, gente de um lado ou de outro, mas que sabe que sem educar não se avança”.

Ele também aproveitou para pedir a compreensão de jornalistas, que já começaram a pedir entrevistas, dizendo que só falará após a assumir oficialmente o cargo. Segundo Janine, ele tomará posse e estudará bastante, pois ninguém pode assumir a Educação sem começar a missão estudando.

O ministro assumirá o MEC no lugar de Cid Gomes, que se demitiu há duas semanas depois de bater boca no plenário da Câmara, onde foi chamado para falar sobre sua declaração de que haveria “400 achacadores” na Câmara. Será o quinto ministro da presidente Dilma. Antes dele, ocuparam a pasta, na gestão da presidente, Fernando Haddad, Aloizio Mercadante, José Henrique Paim e Cid Gomes.

Vários nomes eram especulados em Brasília, mas o de Janine só ganhou mais força nos últimos dias. Até então, o nome que mais aparecia nas especulações era o do atual secretário municipal de educação de São Paulo, Gabriel Chalita, que contava com o apoio do vice-presidente Michel Temer.

Boa recepção entre educadores

A nomeação de Janine foi bem recebida entre educadores. Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, comemorou a escolha, mas cobrou dele que implemente o Plano Nacional de Educação ( PNE), aprovado no ano passado no Congresso. O plano estabelece 20 metas para a educação nos próximos dez anos, entre elas o aumento do investimento no setor para até 10% do PIB.

— Em primeiro lugar, é uma surpresa, e uma boa surpresa. É um excelente intelectual, que teve boa experiência de gestão na Capes e que tem a primazia dos Direitos Humanos como princípio. Ou seja, minhas expectativas são as melhores. O desafio dele será tirar o PNE do papel, em um contexto de crise econômica. Isso significa que, com diálogo, será preciso revisitar o PNE, para construir caminhos para cumprir as metas e estratégias. O que não pode ocorrer é se ignorar o plano. Esse é o desafio do novo Ministro — disse Cara.

Em entrevista ao portal G1, Alejandra Meraz Velasco, coordenadora do movimento Todos pela Educação, também citou o PNE como um dos desafios do novo ministro.

— Já é uma boa notícia que a nomeação tenha sido rápida. E o Renato é interessante porque ele tem interlocução de longa data com muitos dos setores necessários para a articulação política, que costuma ser prejudicada por descontinuidades (como a substituição de ministros). Como ministro, enfrentará, mais do que a questão orçamentária, a definição da Base Nacional Comum e do Currículo de Formação de Professores, que estão atrelados ao Plano Nacional de Educação.

Cleuza Repulho, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, pede que Janine esteja aberto ao diálogo com estados e municípios.

— Estou contente com a escolha, acho que a preocupação realmente com a educação se mostra, porque coloca um professor e alguém que tem um histórico importante na educação. Por toda a análise política que ele faz desse contexto, do pacto federativo, acho que é uma pessoa que conhece o país e toda essa lógica democrática. Espero com ele encontrar um Ministério da Educação aberto ao diálogo com os estados e municípios, para que a gente possa de fato colocar em prática o PNE e chegar à pátria educadora. — disse a dirigente ao G1.

O sociólogo Simon Schwartzman, que foi presidente do IBGE durante o governo Fernando Henrique Cardoso, também considerou Janine uma boa escolha.

— Tem experiência, trabalhou na Capes bastante tempo, tem uma visão bastante ampla. Espero que faça um bom trabalho. O governo acabou colocando uma pessoa mais técnica e não uma pessoa política, isso é bom. Com o Renato você pode concordar mais ou menos, mas não pode dizer que não é da área, que não conhece. O MEC tem problemas por todo lado. Problemas não faltam, não há nenhum problema novo. Mas acho que alguém que pode entender os problemas e tentar buscar a solução, e buscar as competências que tem no país para ajudar, eu acho que isso ele pode fazer. O medo seria que fosse uma indicação política, para atender o partido A ou B, e isso não foi feito — afirmou Schwartzman.

Fonte: O Globo