Investimentos na formação de professores é essencial para garantir  alfabetização

Investimentos na formação de professores é essencial para garantir alfabetização

Ingrid Vogl

Investir na formação dos professores e acreditar que todos são capazes de aprender. Estes são os maiores desafios para o cumprimento da Meta 5 do Plano Municipal de Educação de Campinas (PME), que prevê a alfabetização de todas as crianças no máximo até o fim do 3º ano do ensino fundamental.

Atualmente, a rede municipal de Campinas possui 6.827 crianças matriculadas nos 1º, 2º e 3º anos do ensino fundamental. Segundo a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) de 2014, 88% dos alunos chegam ao fim do 3º ano adequadamente alfabetizados.

Já as escolas da rede estadual de Campinas ligadas à Diretoria de Ensino Oeste possuem 16.362 alunos nos três primeiros anos do ensino fundamental. Em 2015, 89,60% das crianças que chegaram ao fim do 3º ano estavam alfabetizadas.

No universo de escolas da rede estadual que integram a Diretoria de Ensino Leste, 7.191 alunos estavam matriculados nos três primeiros anos do ensino fundamental, sendo que 95% deles chegaram ao fim do 3º ano alfabetizados.

Panorama municipal

Na rede municipal, há ações que estão sendo realizadas em busca do alcance de 100% de alfabetização nos três primeiros anos do ensino fundamental. A Secretaria Municipal de Educação (SME) investe na formação dos professores alfabetizadores e oportuniza reflexões teóricas e práticas, além da socialização de ações cotidianas entre os profissionais, como contribuição ao aprimoramento da atuação docente.

Os resultados dessa discussão apontam para melhoras na organização das rotinas de trabalho, dos planejamentos, dos registros sobre o processo de aprendizagem, da avaliação, dos trabalhos com a leitura, produção escrita e exploração dos gêneros textuais, da organização do trabalho a partir dos saberes dos alunos, além de maior segurança na condução do trabalho didático por parte dos professores.

Para o aprimoramento do ensino e aprendizagem nos primeiros anos do ensino fundamental, houve a contratação de um estagiário por sala do Ciclo I (1º ao 5º) para acompanhar os professores participantes da formação, como apoio ao trabalho docente junto aos alunos. Além disso, a rede está atuando junto às escolas para a orientação e elaboração de propostas que atendam aos alunos que ainda não se alfabetizaram.

Escolas estaduais

Já na rede estadual de ensino, o programa Ler e Escrever tem como objetivo promover a alfabetização de crianças até sete anos e conta com um conjunto de ações voltadas aos estudantes dos 1º aos 5º anos, incluindo formação, acompanhamento, elaboração e distribuição de materiais pedagógicos.

“O Programa está pautado em uma concepção de ensino para resolução de problemas e que olha como o aluno aprende, encarando-o como autor de suas aprendizagens, visando formar leitores e escritores competentes e permitindo a aproximação destes com as situações sociais e reais de leitura e escrita, possibilitando um aprendizado significativo”, explicou a professora coordenadora da Escola Estadual Conjunto Vida Nova III, Maria Teresa Cruz de Moraes.

Segundo ela, os professores da rede estadual têm se esforçado para realizar um trabalho de alfabetização adequado e equilibrado. “Mais do que o método, os professores têm procurado levar em conta o processo de aprendizagem e, por isso, dão voz e autoria aos alunos, permitindo que exponham suas ideias acerca do que estão aprendendo. E nesse processo penso que um professor consciente de sua prática educativa, que ao entrar na sala de aula já planejou sua rotina, sabe tudo sobre o conteúdo, conhece os saberes de seus alunos, antecipa suas dúvidas para poder intervir melhor e que acima de tudo tenha entusiasmo e criatividade pelo seu fazer pedagógico, para fazer a diferença”, avaliou Maria Teresa.

Patrícia Regina Infranger Campos, orientadora pedagógica da rede municipal de Campinas, chama a atenção para a importância da formação continuada dos professores, que considera um dos principais desafios da educação. “O bom professor alfabetizador conhece e utiliza diferentes formas de alfabetizar, de acordo com a necessidade de cada aluno. E para que isso ocorra, é preciso que haja uma boa formação profissional e políticas públicas que assegurem essa qualificação constante”, disse.

Neste sentido, a orientadora pedagógica lembrou do Pacto Nacional para Alfabetização na idade Certa (PNAIC), compromisso do governo federal assumido com o Distrito Federal, estados e municípios em 2013 para assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até o fim do 3º ano. O Pacto foi desenvolvido nos últimos três anos na rede municipal e envolveu um processo de formação continuada, de acordo com as demandas e a realidade das escolas municipais de Campinas. Participaram das formações do Pacto, 230 professores dos anos iniciais da rede municipal, além de dez orientadores pedagógicos.

A alfabetização de crianças com deficiências, que é citada na estratégia 5.5 do PME, também vem recebendo cada vez mais objeto de atenção nas políticas públicas educacionais, conforme disse Maria Teresa. “Esse é um grande desafio, o olhar atento às especificidades de cada aluno e atendê-lo em suas necessidades. Temos observado que a visão de alguns professores já mudou, a nossa enquanto coordenador também. Hoje penso que estamos nos aproximando de um trabalho mais adequado com essas crianças especiais, pois começamos a entender o conceito de adaptação e já permitimos aos alunos com necessidades especiais aprender as mesmas coisas de forma diferenciada”, frisou.

Interação entre educadores

A interlocução entre os educadores dentro da escola para que haja uma alfabetização eficiente e adequada é outro ponto importante. “O trabalho do orientador/coordenador é organizar o espaço na escola e provocar os professores para o debate de experiências”, disse Patrícia Campos.

Maria Teresa concorda e também frisa o papel do professor coordenador/orientador no processo de aprimoramento do ensino e aprendizagem. “O professor coordenador é o autor nesse processo, pois além de sermos formadores do professor em serviço, cabe-nos o acompanhamento sistemático com vistas a aprimorar o trabalho do professor. É necessário um saber teórico e técnico/prático para que potencializemos o fazer pedagógico do professor, ampliando os saberes dos mais experientes e apoiando e fortalecendo os novos”, contou.

Composta por cinco estratégias, a Meta 5 não possui prazos intermediários e, portanto, pode ser cumprida até o término da vigência do PME, 2025.

Confira o Plano Municipal de Educação na íntegra: http://compromissocampinas.org.br/wp-content/uploads/2015/07/Plano-Municipal-de-Educacao-de-Campinas-Lei-n-15.029-24_06_2015.pdf