Habilidades socioemocionais em debate no Encontro Mensal do CCE de junho

Habilidades socioemocionais em debate no Encontro Mensal do CCE de junho

O que são habilidades socioemocionais? Por que a escola é um lugar especialmente valioso para seu desenvolvimento? Estas são algumas das perguntas em debate no próximo Encontro Mensal do Compromisso Campinas pela Educação (CCE) a realizar-se a 25 de junho, às 19h, no auditório da Fundação FEAC. O evento é aberto ao público, com acesso por ordem de chegada. O professor Lino de Macedo apresentará o tema “Escola e desenvolvimento de habilidades socioemocionais”.

O professor Lino de Macedo, conferencista no dia 25 de junho, tem uma rica trajetória no mundo educacional brasileiro.  Graduado em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Preto, é doutor e livre docente em Psicologia pela Universidade de São Paulo. Membro da Academia Paulista de Psicologia, é docente aposentado do Instituto de Psicologia da USP.

É autor de vários artigos e livros. Entre os títulos estão “Ensaios Pedagógicos” e “Ensaios Construtivistas”, ambos pela Editora Penso, e “Os Jogos e o Lúdico na Aprendizagem”, em co-autoria com Ana Lucia Sicoli Petty e Cris Norimar, pela mesma editora. Outro livro é “Jogo e Projeto”, pela Editora Summus.

A importância das habilidades socioemocionais – Habilidades socioemocionais, explica o professor Lino de Macedo, referem-se aos recursos que a criança precisa desenvolver para interagir e enfrentar problemas em suas relações consigo mesma, com outras pessoas e as coisas do mundo. Que recursos são esses? Ele afirma: “Respondo à pergunta apoiado em duas perspectivas, uma centrípeta (de fora para dentro) e outra, centrifuga (de dentro para fora). A primeira refere-se ao desenvolvimento de funções executivas e implicam o desenvolvimento do controle inibitório, isto é, de habilidades de pensar antes de agir, de ponderar as consequências da ação, de desenvolver autocontrole, selfgovernent ou auto-regulação das emoções. Trata-se aqui da condição da criança aprender a internalizar, isto é, tornar seus modos de lidar com suas emoções em um contexto de trocas sociais e resolução de problemas”.

A segunda perspectiva, acrescenta o especialista, refere-se “ao saber tornar-se parte do mundo, desenvolvendo respeito mútuo, capacidade de colaboração e aquilo que Piaget chama de afetos normativos. Trata-se aqui da criança aprender a se tornar parte, pertencer à, compartilhando projetos comuns e enfrentando conflitos”.

Em uma visão de escola para todos, aprender a conviver e enfrentar conflitos nas relações interpessoais, adverte o professor Lino de Macedo, é tão importante quanto aprender recursos cognitivos que possibilitam o domínio dos conteúdos disciplinares. Ou seja, desenvolver habilidades socioemocionais é tão importante quanto desenvolver habilidades cognitivas, ele sustenta.

E a escola tem um papel fundamental no desenvolvimento de tais habilidades, acentua o especialista. “A escola é uma instituição coletiva regida por normas e comprometida, agora, com o desenvolvimento integral de crianças e jovens. Nessa instituição convivem adultos, crianças e jovens de muitos tipos, interesses, posições e formas de pensar e agir, ainda que todos estejam ali, em princípio, por uma missão ou objetivo comum: aprender aquilo que só se aprende na escola, através de um professor e dos recursos e apoios requeridos para isso”, afirma.

Nesse sentido, ele alerta, escola integral não é só aquela de período inteiro, “mas a que se compromete com o desenvolvimento de cidadãos íntegros que aprendem a oferecer o melhor de si em favor de todos. O valor da escola para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais é tão inestimável quanto o seu valor para o desenvolvimento de habilidades cognitivas”, reitera.

Para o professor Lino de Macedo, a escola tradicional brasileira contribui para o desenvolvimento das habilidades socioemocionais, mas de modo implícito, não intencional. “Nela, frequentemente esperava-se que essas habilidades fossem desenvolvidas em casa, graças à educação, sobretudo, moral e referencial (exemplo), dos pais. A escola de hoje assumiu compartilhar com eles essa tarefa fundamental. Trata-se, agora, de aprender e ensinar conteúdos disciplinares e formas de convivência, que beneficiam a todos, nos diferentes momentos da vida escolar. Note-se, que eu disse compartilhar, o que é muito diferente de substituir”, observa.

Neste sentido, não cabe, segundo o ponto de vista do educador, “chamar os pais para denunciar um mau comportamento do filho na escola. Esse mau comportamento é problema dela, ao menos na maioria dos casos. Pode-se, isso sim, convocar os pais para compartilharem uma forma de promover ou valorizar um melhor comportamento da criança e de se estudar as situações em que isso acontece e o que fazem as demais pessoas envolvidas no processo”, assinala, sobre um dos pontos que vai tratar no Encontro Mensal do Compromisso Campinas pela Educação de junho, na Fundação FEAC.