Grandes testes corromperam sistema educacional tradicional, diz Nobel

Grandes testes corromperam sistema educacional tradicional, diz Nobel

BRASÍLIA – Ministros da Educação, formuladores de políticas públicas e especialistas em ensino de vários países se reúnem em São Paulo amanhã e terça-feira para ouvir o economista James Heckman, prêmio Nobel de Economia, falar sobre um tema que está no radar das políticas educacionais de governos do mundo inteiro: a importância de medir e avaliar habilidades não cognitivas ou socioemocionais – como liderança, abertura a novas experiências, otimismo, perseverança – e seus impactos na qualidade do ensino, usando modelagens econômicas e técnicas psicométricas.

No seminário “Educar para as competências do século XXI”, organizado pelo Ministério da Educação (MEC) e Instituto Ayrton Senna (IAS), Heckman e seu assistente na Universidade de Chicago Tim Kautz vão apresentar um trabalho acadêmico encomendado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que pretende mostrar que avaliações educacionais de larga escala, como o Pisa e a Prova Brasil, por exemplo, aplicadas hoje em vários países para medir a qualidade do ensino, têm um potencial limitado.

No sábado à noite, antes de embarcar para o Brasil, Heckman foi enfático ao dizer ao Valor que os atuais instrumentos para aferir bom desempenho escolar corromperam os sistemas educacionais como um todo. “Quando dissemos que os testes educacionais eram a coisa mais importante para orientar as políticas educacionais, as crianças e os professores ficaram só focados em ensinar e aprender com base nesses testes. As grandes avaliações corromperam o sistema educacional tradicional. O que nós queremos mostrar é quais são as habilidades que mais importam para a vida, então muito melhor do que ficar dando pontos pelo conhecimento em inglês, português ou matemática é avaliar como o comportamento e a motivação da criança impactam nesses conhecimentos”, afirma Heckman.