Gadotti pede mais atenção para educação infantil e de jovens e adultos durante Encontro Mensal do CCE

Gadotti pede mais atenção para educação infantil e de jovens e adultos durante Encontro Mensal do CCE

Maior atenção para a educação infantil e para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), as duas áreas de maiores desafios para o setor no Brasil. Este foi o pedido do educador Moacir Gadotti, durante o sétimo Encontro Mensal do Compromisso Campinas pela Educação (CCE), realizado na noite de quinta-feira, 16 de outubro, no Teatro Brasil Kirin do Shopping Center Iguatemi Campinas. O evento especial, realizado em comemoração ao Dia do Professor (15 de outubro), também contou com a cerimônia de premiação dos vencedores da primeira edição do Prêmio Atitude Educação.

“O professor como organizador de aprendizagem” foi o tema de Moacir Gadotti no encontro do CCE, último antes da 5ª Semana de Educação de Campinas, que acontece entre 03 e 07 de novembro. O evento contou com a participação, entre outros, do Secretário Municipal de Educação em Exercício de Campinas, Julio Moretto, o dirigente estadual de Ensino da Regional Campinas Oeste, Admir Schiavo, o presidente da Diretoria Executiva da Fundação FEAC, Antonio Carlos de Moraes Salles Filho, o Tuti, e o membro do Conselho de Governança do Todos Pela Educação, Luís Norberto Pascoal.

Um dos principais educadores brasileiros, com 53 anos de profissão, Gadotti observou que “avanços importantes” foram conquistados na área da educação no Brasil nos últimos anos. Uma das conquistas, salientou, foi o Piso Nacional do Magistério, lembrando que, entretanto, o Piso não tem sido observado em alguns estados, estando em exame no Supremo Tribunal Federal. “Mas foi um avanço, antes não havia qualquer garantia legal”, disse.

A universalização do acesso ao ensino fundamental foi outro avanço, mas Gadotti ressaltou que permanecem desafios importantes. “Usando uma linguagem futebolística, o nosso meio de campo está razoável, mas as pontas não estão bem”, comparou.
Uma das pontas é a educação infantil. “Na cidade de São Paulo, a mais rica do país, mais de 140 mil crianças de zero a quatro anos estão fora da escola”, lamentou. Gadotti entende que a educação infantil é de fato a base, a fase na qual começam a ser formados muitos valores. “O profissional da educação infantil deve ser tratado como realmente um profissional, e não mais como pajem ou tia”, pediu o educador.

Na outra ponta, as falhas na Educação de Jovens e Adultos (EJA). “É simplesmente constrangedor, um absurdo, que o Brasil ainda tenha 13 milhões de analfabetos. Isso pelos dados oficiais, mas acho que o número é bem maior”, protestou.

Para Moacir Gadotti, novas perspectivas foram abertas com o Plano Nacional de Educação (PNE 2014-2024). Ele aponta entre elas justamente a Meta 9, que estipula a Alfabetização e Alfabetismo Funcional de Jovens e Adultos. Cita também a Meta 16, que prevê a formação, em nível de pós-graduação, de 50% dos professores da Educação Básica, até o último ano de vigência do PNE, ou seja, 2024.

O educador chama a atenção particularmente para a Estratégia 20.6 da Meta 20, que trata do financiamento da educação nos próximos anos. A Estratégia estipula que, no prazo de dois anos da vigência do PNE, será implantado o Custo Aluno-Qualidade inicial – CAQi, um indicador formado a partir dos padrões mínimos estabelecidos na legislação educacional e cujo financiamento será calculado com base nos respectivos insumos indispensáveis ao processo de ensino-aprendizagem e será progressivamente reajustado até a implementação plena do Custo Aluno Qualidade – CAQ.

“Estes insumos são a existência de laboratórios nas escolas, de quadras de esportes, entre outros pontos que são fundamentais para a educação de qualidade. Hoje menos de 6% das escolas brasileiras contam com a infraestrutura adequada”, disse Moacir Gadotti, alertando para o fato de que “todas as metas do PNE apenas serão de fato concretizadas se houver vontade política do Estado e da sociedade, que tem que estar monitorando continuamente a sua implantação”.

Professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Moacir Gadotti também lecionou na PUC-São Paulo, PUC-Campinas e Unicamp. Livre docente pela Unicamp e doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra, Suíça, é presidente de honra do Instituto Paulo Freire e foi um dos redatores da Carta da Terra, documento que na sua opinião deveria ser mais utilizado nas escolas do ensino fundamental e médio e nas Universidades.

Prêmio Atitude Educação

Após a conferência do professor Gadotti, foi realizada a cerimônia de premiação da primeira edição do Prêmio Atitude Educação, iniciativa da Fundação FEAC, no âmbito do Compromisso Campinas pela Educação, com o objetivo de reconhecer e contemplar ações direcionadas para a melhoria da qualidade da educação no município de Campinas, com foco na atuação do educador.

Nessa primeira edição, de 2014, em função da bandeira do CCE esse ano que é a Valorização do Professor, o prêmio contemplou textos com o tema: “O que faz a minha vida profissional ser mais valorizada pelos meus estudantes? Histórias que mudaram a minha vida como professor a partir do reconhecimento recebido pelos meus alunos.” Puderam participar professores da rede pública (estadual e municipal) de ensino de Campinas.

A vencedora da Categoria 1, para Professores em Educação Infantil, foi a professora Ana Diniz Neves do Lago, com a redação “Um dia de cada vez”. “Foi uma importante iniciativa de valorização do professor, tive honra em participar”, disse a ganhadora.
Com a redação “O Professor e o Monumento”, André Martins de Araújo foi o vencedor da Categoria 2, para Professores de Ensino Fundamental. “Foi uma grande oportunidade de colocar e refletir em texto sobre a nossa prática, sobre o que ela significa para os alunos, e nesse sentido foi um grande reconhecimento”, disse o professor.

A professora Fúlvia Cristina Santana foi a vencedora da Categoria 3, para Professores do Ensino Médio, com a redação “A razão de amar o meu ofício, o de ser professora”. Para a educadora, o Prêmio foi uma ótima oportunidade “para se mostrar o lado bom da educação, que anda um pouco desacreditada, mas amo a minha profissão e era um sonho meu esse reconhecimento”, relatou.

A redação “Aprendendo com Maria” deu à professora Vera Lúcia Alves de Oliveira a vitória na Categoria 4, para Professores de Jovens e Adultos. “Uma iniciativa muito importante, para destacar experiências que às vezes ficam no anonimato, mas são fundamentais para a sociedade”, comentou a premiada.
O Prêmio Atitude Educação concedeu prêmios de R$ 2.000,00, R$ 1.000,00 e R$ 500,00 para os três primeiros colocados em cada categoria, respectivamente.

O próximo evento do CCE será a Semana da Educação de Campinas, que em sua 5ª edição terá 12 atividades gratuitas entre palestras, oficinas e debates para educadores e cidadãos interessados no tema educação.