Família perto da escola

Família perto da escola

Mesmo sem envolver diretamente concepções religiosas acerca das famílias, um dado é fato: há desestrutura nos lares. De locais de abrigo e proteção, as casas muitas vezes se tornam espaço de violação e de temor. Os abusos cometidos no lar, sejam de quais ordem forem, geram impactos na vida das crianças e dos jovens. Impactos sentidos na aprendizagem e até mesmo na sociabilidade demonstrada na escola. Família e escola podem – aliás, devem – trabalhar mais próximas.

Pois esta é a intenção do movimento Todos pela Educação. Em São Paulo, uma campanha para estimular a família a se aproximar mais da educação das crianças na rede pública e privada de ensino foi lançada. A ideia é fazer com que os responsáveis pelos menores acompanhem de perto o dia a dia deles, preocupando-se mais com a evolução educacional, com os sentimentos das crianças, sonhos, dificuldades e necessidades de complementar a aprendizagem com esporte e cultura.

Os meios de comunicação serão utilizados para envolver a família, a escola e a comunidade no processo educacional, com mensagens baseadas em cinco metas: valorizar os professores, a aprendizagem e o conhecimento; promover habilidades importantes para a vida e para a escola; colocar a educação escolar no dia a dia; apoiar o projeto de vida e o protagonismo dos alunos; e ampliar o repertório cultural e esportivo das crianças e dos jovens.

Alejandra Meraz Velasco, coordenadora do Todos pela Educação, explicou que essas ações partiram de um levantamento feito com pais, alunos, educadores e outras pessoas ligadas ao meio acadêmico, nas cinco regiões brasileiras. Segundo ela, diferentemente das demais campanhas em que o foco era os alunos a partir de políticas públicas, nesta ação o que se busca é a educação de qualidade, mas por meio de atitudes de engajamento da família.

Entre os exemplos mostrados pela campanha está a trajetória de vida da líder comunitária Maria Aparecida Alexandre Custódio, de 49 anos.

Dona de casa, moradora do bairro de Guaianazes, na zona leste, ela conta que mesmo tendo pouco estudo, apenas o ensino fundamental, fez diferença na formação educacional de seus cinco filhos. “Um dos meus filhos, hoje com 30 anos, formado em Educação Física e Engenharia Elétrica, vinha com questionamentos que eu não sabia responder. Então, ele ia dormir e eu ia estudar para ensiná-lo depois”, relatou a dona de casa, cuja experiência de vida lhe permitiu estar envolvida com um trabalho de resgate social de pessoas que vivem em áreas de vulnerabilidade nos estados do Espírito Santo e de Goiás.

Fonte: Diário Popular