Estudo associa nível socioeconômico à doença cardiovascular

Estudo associa nível socioeconômico à doença cardiovascular

Pesquisas anteriores já haviam estabelecido uma relação entre o nível socioeconômico mais baixo e um risco aumentado de doença cardiovascular. Em um novo estudo liderado pelo Hospital Brigham and Women (BWH), cientistas descobriram que também há taxas mais elevadas de doença arterial periférica (DAP) em indivíduos com baixa renda e menor escolaridade nos Estados Unidos. Os resultados foram publicados no periódico Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes.

— Nossas descobertas ressaltam a necessidade de se concentrar em esforços de educação e sensibilização para essas populações em situação de risco— diz Reena Pande, médica da Divisão Cardiovascular da BWH.

A DAP, um problema circulatório que estreita as artérias e reduz o fluxo sanguíneo para os membros, especialmente para as pernas, provoca dores e é muitas vezes um indicador de aterosclerose. Os indivíduos que sofrem com a patologia também têm mais chance de desenvolver doenças cardíacas e bloqueios no fluxo de sangue no cérebro. A DAP pode ser tratada com modificações de estilo de vida tais como o exercício, uma dieta saudável e o abandono do tabagismo.

A equipe analisou dados do the National Health and Nutrition Examination Survey de 1999 a 2004. A DAP foi definida através de um padrão de medida, um índice tornozelo-braquial de 0,90. As medidas de nível socioeconômico incluíram pobreza, relação renda e linha de pobreza e nível de escolaridade.

Dos 6.791 participantes, os cientistas verificaram que a prevalência da patologia foi significativamente maior nos indivíduos com baixa renda e baixa escolaridade. Aqueles que figuraram na menor das seis categorias de pobreza tiveram duas vezes mais chance de sofrer de DAP em comparação com aqueles na categoria mais elevada do nível de pobreza – uma associação que ainda foi significativa após a contabilização de outros fatores de risco. Um nível de escolaridade mais baixo também foi ligado a uma prevalência mais elevada da doença, mas após ajustes essa associação não foi tão significativa.

Os pesquisadores observaram que a educação e a renda são apenas duas das muitas potenciais medidas de status sócioeconômico e que outras também podem ter um efeito sobre a saúde em geral, incluindo uma rede de familiares e amigos e o acesso a recursos e oportunidades.

— Precisamos investir em abordagens dedicadas aos esforços de conscientização da DAP, esforços de pesquisa e estratégias de tratamento que incidam sobre os indivíduos de baixos estratos socioeconômicos que podem ser mais susceptíveis de serem afetados— explica Reena.

Ela acrescenta que, especificamente, é preciso direcionar os esforços de sensibilização para as subpopulações que têm as maiores lacunas no conhecimento e, ao mesmo tempo, estão em maior risco de desenvolver a DAP. Na avaliação e implementação de novas terapias ou estratégias de tratamento, deve-se desenvolver estratégias que facilitem o acesso a estes tratamentos benéficos para atingir todos os segmentos da população igualmente, relata.

Fonte: Diário Catarinense