Estado fecha 150 salas de aula e superlota classes

Estado fecha 150 salas de aula e superlota classes

Inaê Miranda

O cenário de volta às aulas é caótico na rede Estadual de Ensino de Campinas. Pelo menos 150 salas foram fechadas para o ano letivo de 2015. Na diretoria Oeste, que atende bairros das regiões dos DICs, Jardim São Marcos, Satélite Íris e distrito de Nova Aparecidinha, 96 salas foram fechadas e os alunos remanejados em outras classes. O resultado são salas ainda mais lotados, com quase 60 alunos, e professores desempregados ou alocados em postos como bibliotecas e secretaria.

Os alunos também vão iniciar o ano sem material escolar, já que os kits distribuídos no início do ano têm previsão de entrega apenas para março. De acordo com Francisco Nery da Silva, representante de escola pelo Sindicato dos Professores, na Escola Eliseu Narciso, no DIC III, 12 salas foram fechadas no Ensino Médio e no Ensino Fundamental. Na Escola Eduardo Barnabé, no DIC I, três salas foram fechadas.

Consequências

Na Escola Carlos Alberto Galhiego, no Campo Grande, foram fechadas dez salas de aula. “Estão remanejando os alunos para outras salas e as consequências são salas superlotadas, com mais problemas de convívio com o professor, piora na qualidade do ensino, problemas relativos a brigas. É uma questão grave” , diz Silva.

Nesta segunda-feira (2), pais e alunos da escola Uacury Ribeiro Bastos de Assis, na região do Jardim Carlos Gomes, fizeram um ato em frente à instituição para protestar contra o fechamento da única sala do 1º ano do Ensino Médio. Cerca de 30 alunos foram matriculados em escolas do Centro da cidade ou em escolas de Jaguariúna, que faz limite com o bairro.

“Transferiram o Ensino Médio para o noturno e disseram que os alunos do 1º ano não tinham idade suficiente para estudar à noite. O problema é que eles estão indo estudar em outra cidade e vão precisar pagar transporte, sendo que temos uma escola do lado de casa. E 30 alunos é número mais que suficiente para formar uma turma”, reclamou a dona de casa Elaine Sales da Silva, tia de um estudante transferido para Jaguariúna.

Demissão de professor

Segundo o diretor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Eduardo Rosa, o sindicato tem denúncia de salas com até 60 alunos. Além das consequência no processo ensino aprendizado, os professores estão sofrendo com as demissões e remanejamentos para postos diferentes.

De acordo com Silva, os efetivos estão dando aulas em até três escolas para completar a jornada. A categoria “F” , que tem maior tempo de ensino, mas não é efetiva, ficou com uma jornada reduzida, e a maior parte da categoria “O” , também não efetiva, está sem aula e foi dispensada sem benefícios ou salários.

Sem material

“As consequências já foram refletidas na atribuição de aula. Muitos professores estão desempregados, inclusive os efetivos estão sem função. Por conta do fechamento das salas, tem professor cumprindo carga horária na secretária, na biblioteca”, acrescenta Rosa. Os professores acrescentam ainda que foram cortados cargos.

“O governo fechou algumas funções como a de coordenadores gerais de apoio. Os professores que ocupavam esses postos voltaram para as salas de aula e os professores que davam aula nessas salas foram todos demitidos” , disse Silva.

Mas a precariedade no ensino público estadual vai além. Professores e alunos terminaram o ano passado sem papel higiênico e irão iniciar o ano letivo sem o kit escolar (composto por caderno, lápis, borracha canetas, mochila, régua e livros) que deveria ser distribuído esta semana. “A suposta previsão passada foi março, mas as aulas começam agora e os alunos vão precisar do material. A orientação que será dada é para que os pais comprem” , afirma Silva.

Verba

O sindicato também afirma que a verba em torno de R$ 800 por escola repassada para reformas básicas, como pintura, não chegou até o momento. “As escolas estão sofrendo com prédios precários e falta de investimento. A verba repassada todo fim de ano para pintar a escola até agora não chegou”, complementou.

Diante da crise grave instalada na educação, professores do grupo Pela Base, junto com pais e alunos planejam um ato para o próximo dia 12. Já a Apeoesp irá convocar professores para assembleia e deliberação de greve no dia 13 de março.

Outro lado

Sobre o fechamento das salas, a Secretaria de Estado da Educação informou que da rede de todo o Estado e também na região de Campinas atendem toda a demanda para a Educação Básica e todas as unidades de ensino devem seguir as regras que determinam que a média de alunos por sala de aula deve ser de 30 estudantes nos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano), 35 alunos nos anos finais (6º ao 9º ano) e 40 alunos no Ensino Médio.

As salas de aula de todas as escolas são formadas de acordo com a demanda e que todos os estudantes serão atendidos. Informou ainda que os kits escolares serão distribuídos a partir de hoje.

Fonte: Correio