Especialistas destacam importância da família na escola e das políticas educacionais

A parceria entre Família e Escola, a Violência e conflitos escolares e a Política pública/legislação para educação foram os desafios mais votados na enquete realizada pelo Compromisso Campinas pela Educação (CCE) durante a 6ª Semana da Educação de Campinas, entre 9 e 13 de novembro. Especialistas em Educação comentam a relevância desses temas.

Membro do Conselho Estadual de Educação (CEE) e do grupo que está assessorando o Ministério da Educação na formulação da Base Nacional Comum Curricular, o professor Luiz Carlos Menezes, da USP, afirma que “não é um cartola, e por isso gosta de visitar escolas”.

Nessas visitas, segundo ele, fica claro que “as boas escolas mantêm uma relação muito intensa com as famílias e a comunidade” onde estão inseridas. “Deve haver uma corresponsabilidade. Quando a escola acusa a família de alguma omissão ou quando a família critica a escola porque não cumpre o seu papel, algo já começa errado. É preciso reciprocidade e quando ela existe tudo flui muito melhor”, comenta Menezes.

Quando ocorre essa corresponsabilidade, assinala o professor da USP, “a questão dos conflitos e da violência pode ser equacionada de formas muito mais inteligentes”. Para que haja o diálogo, a cooperação, entre escola, comunidade e famílias, ele acrescenta, “a família deve atuar mais na escola e, ao mesmo tempo, a escola deve estar aberta para a comunidade, sendo protagonista, por exemplo, quando essa comunidade é atingida por uma epidemia, pois o aluno pode se transformar em um vetor de informações muito importante”.

A educadora Flávia Vivaldi, que é mestre em Psicologia Moral e formadora de professores, também ressalta a relevância da parceria entre família e escola. E considera que a escola, “para fugir do senso comum”, deve estar mais atenta para os conhecimentos científicos já acumulados na questão de como lidar com a violência e os conflitos.

Na sua opinião, a escola precisa assumir que “tem dificuldades em lidar com conflitos, em diferenciar os conflitos”. Daí a necessidade de recorrer às bases científicas já construídas sobre esses temas vitais para a escola contemporânea.

Flávia Vivaldi é grande defensora da adoção, pelas escolas brasileiras, de Planos de Convivência, o que já ocorre em vários países. Seriam Planos construídos em conjunto pela comunidade escolar, para nortear a convivência de todos os membros dessa comunidade. Os Planos de Convivência, acredita a especialista, deveriam ser adotados pelas escolas brasileiras, da mesma maneira que o Projeto Político Pedagógico (PPP).

Luiz Carlos Menezes e Flávia Vivaldi também destacam a importância das políticas públicas na área da Educação. Essas políticas públicas, na avaliação dos dois especialistas, serão tanto melhores quanto mais forem construídas em conjunto com a comunidade escolar.