Escolas públicas perdem alunos em 2014 e rede privada cresce

Escolas públicas perdem alunos em 2014 e rede privada cresce

Paulo Saldaña

A rede pública respondia por 87% do total de alunos em 2008 e no passado esse porcentual foi de 82%; Matrículas em creche e no ensino integral tiveram avanço

Enquanto as escolas públicas perdem alunos em todas as etapas da educação básica, a rede privada segue o caminho inverso e registra aumento de matrículas. Além disso, o ensino médio, considerado um dos gargalos educacionais do País, tem queda de alunos.

Os dados, ainda preliminares, são do do Censo da Educação Básica, organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), ligado ao Ministério da Educação.

Entre 2008 e 2014, as escolas públicas da educação básica tiveram queda de 12% nas matrículas – passando de 46 milhões de alunos para 40,6 milhões. A rede pública respondia por 87% do total de alunos em 2008 e no passado esse porcentual era de 82%. As matrículas na rede privada saltaram 28% no período, evidenciando uma migração de alunos.

A queda de alunos no ensino fundamental (do 1º ao 9º ano) é uma tendência considerada positiva. É fruto de melhoria no fluxo das redes (aprovação dos alunos), redução da defasagem e também reflete uma transição demográfica. Há no Brasil menos jovens em idade escolar.

No ensino médio, entretanto, há expectativa para aumento de matrículas, principalmente pela melhora do fluxo nos anos anteriores. Cerca de 1,5 milhão de jovens entre 15 e 17 anos estão fora da escola.

Em 2014, havia 8,3 milhões de estudantes na etapa – 1% a menos do que em 2008. Só na rede pública, a queda foi de 2,2% no período. Passou de 7,3 milhões em 2008 para 7,2 milhões no ano passado. A rede particular de ensino médio, no entanto, cresceu 10,3%, chegando a 1,07 milhão de matrículas.

As boas notícias do Censo de 2014 estão no avanço das matrículas em creche e em tempo integral. Em 2014, havia 2,8 milhões de crianças em creche (de 0 a 3 anos), o que representa um salto de 65% sobre 2008. Com relação a 2012, o crescimento foi de 14%. As matrículas em tempo integral cresceram 41% em 2014 em relação ao anterior, chegando a 4,4 milhões de matrículas. O número é quase 6 vezes maior do que em 2008.

Fonte: Estadão