Escolas ocupadas buscam ajuda de ‘guardiões’

Alenita Ramirez

Um grupo de alunos e apoiadores das ocupações nas escolas estaduais busca voluntários para ajudar em uma possível ordem de desocupação. A campanha foi lançada segunda-feira (30) pela Rede Minha Campinas. O interessado em ser “guardião” das escolas devem fazer o cadastro pelo site deguardapelasescolas.minhacampinas.org.br. “Esse grupo não é ligado a políticos, mas é independente e apoia o movimento dos estudantes. Eles estão fazendo uma lista de interessados em ajudar as ocupações, quando for necessário”, disse o integrante do Coletivo de Educadores e Educadoras Quinze de Outubro e diretor do Sindicato dos professores da rede estadual de ensino (Apeoesp), Pedro Oliveira. Até a tarde desta terça-feira (1º), 270 pessoas tinham feito a inscrição no site.
Pela proposta da ONG, o voluntário só será acionado caso haja ameaça de desocupação forçada pela Polícia Militar (PM) ou ação abusiva do governo. Quando houver a ameaça será enviado um SMS de alerta. A medida foi tomada depois que vazou na imprensa um áudio de uma reunião de representantes da Secretaria Estadual de Educação com 40 dirigentes escolares, realizada no último domingo. Segundo Oliveira, no áudio foi constatado que o governo teria decretado “guerra” contra os estudantes nas ocupações.

De acordo com representantes da Rede Minha Campinas, o guardião das escolas já foi testado no Rio para defender a escola Friedenreich e teria funcionado bem. “Para os alunos, essa rede de proteção externa é fundamental para diminuir o risco de uma desocupação abusiva e violenta e mostrar grande apoio da sociedade em favor da demanda dos alunos por um reforma na educação que seja debatida com a sociedade”, frisa o grupo.

A Rede Minha Campinas busca ajuda de guardiões, por enquanto, para as ocupações das escolas Dom Barreto, Júlio de Mesquita, Procópio Ferreira e Antônio Vilela. Em Campinas, somam dez escolas ocupadas. Na região somam mais dez, totalizando até esta terça-feira a tarde 20 escolas. Os manifestantes são contra a reorganização escolar, prevista para janeiro do ano que vem. Pela proposta do governo, os estudantes serão agrupados de acordo com a idade e série, ou seja, do 1º ao 5º ano, do 6º ao 9º ano e depois o Ensino Médio. Com a reorganização, serão fechadas ao menos 93 escolas (só na Região Metropolitana de Campinas serão cinco).

É oficial

O governador Geraldo Alckmin publicou nesta terça o decreto que oficializa a primeira medida da reorganização de ensino, que fará com escolas estaduais tenham ciclo único (atendam apenas um segmento — Ensino Fundamental anos iniciais, finais ou Ensino Médio). A medida tem causado protestos diários, além da ocupação de cerca de 200 escolas por estudantes e movimentos sociais em todo o Estado.

A partir da norma, a Secretaria de Estado da Educação fica autorizada a transferir integrantes do seu quadro de pessoal — professores ou outros funcionários — no caso de as escolas estaduais deixarem de atender a um ou mais segmentos ou quando passarem a atender novos segmentos. A medida poderá ser usada para restringir a transferência de funcionários somente onde as escolas passarem pela reorganização. Cerca de 300 mil alunos serão afetados pela medida, 754 colégios terão ciclo único e 93 unidades serão fechadas.
Confrontos

Policiais e manifestantes entraram em conflito nesta terça dentro da Escola Estadual Maria José, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo, após pais e professores tentarem desocupar o colégio. Em um vídeo que circula pelas redes sociais, é possível ver um dos momentos da confusão. A PM chegou a usar gás de pimenta na ação. No início das imagens, um policial empurra um dos manifestantes. Segundos depois ele é contido por outros policiais. Mesmo com a confusão, os estudantes decidiram permanecer na ocupação.

Procuradas, as assessorias de imprensa da PM e da Secretaria de Educação não se manifestaram sobre o caso até a noite desta terça.
Em Osasco, a Escola Estadual Coronel Antônio Paiva de Sampaio foi alvo de vandalismo após ser ocupada por alunos. O prédio foi desocupado na segunda-feira, após o ato de vandalismo. Ninguém foi detido e não há informações de quem praticou o crime. Computadores, armários, cadeiras e mesas estavam revirados e quebrados. Era possível ver sinais de destruição por todos os lados.

“Certamente isso aqui não é coisa de aluno, isso aqui é coisa de movimentos políticos e que visam fazer isso aqui a destruição do patrimônio público. Depredação, vandalismo, é um ato crimoso”, afirmou Fernando Padula, chefe de gabinete da Secretaria da Educação.
* Com informações das agências Brasil e Estado

Fonte e imagem: Correio Popular