Escolas de Campinas realizam ações de combate à dengue

Escolas de Campinas realizam ações de combate à dengue

As escolas das redes públicas municipal e estadual estão envolvidas no esforço coletivo de combate à dengue em Campinas. O município teve o maior número de casos de dengue no país em 2014. Foram mais de 40 mil casos, com maior incidência nos primeiros meses do ano. Esse fato levou a um incremento das ações preventivas e de combate à dengue por parte dos gestores públicos, como forma de evitar que em 2015 o quadro se repetisse.

Neste ano, uma preocupação adicional é representada pela Febre Chikungunya, transmitida pelo mesmo mosquito vetor da dengue, o Aedes aegypti., e com número cada vez maior de casos no Brasil desde 2014.

De acordo com o diretor regional de Ensino da Diretoria Oeste de Campinas, professor Admir Schiavo, as escolas da rede estadual foram orientadas a manter um alerta permanente em relação a possíveis focos do mosquito transmissor da dengue. “As escolas fazem vistorias sistemáticas, para identificar e eliminar esses focos”, ele esclarece.

Os alunos são uma peça-chave no envolvimento das escolas no empenho comunitário contra a dengue e Febre Chikungunya. “Com as informações que recebem nas escolas, os alunos ajudam a levar para suas casas orientações sobre como evitar e eliminar os criadouros”, completa o dirigente de ensino.
Marcha contra a dengue

A Prefeitura de Campinas montou um comitê intersetorial para prevenir e combater a dengue e Febre Chikungunya em 2015. Mutirões passaram a ser realizados periodicamente em todas as regiões da cidade, com coleta de entulhos e outros materiais que podem se transformar em focos do Aedes. A crise hídrica que o estado de São Paulo atravessa desde 2014 é um ingrediente a mais de inquietação, na medida em que muitos cidadãos passaram a acumular água em casa em recipientes que podem se tornar criadouros do mosquito.

Com todo esse rol de desafios, as escolas da rede pública municipal foram especialmente mobilizadas neste ano contra a dengue. Elas participaram, nesse sentido, de uma “Marcha contra a dengue”. Alunos, pais e educadores das Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs) saíram às ruas para alertar a população a eliminar os locais de água parada, onde o mosquito transmissor se reproduz, e a receber os agentes comunitários de saúde. A ação foi planejada pela Secretaria de Educação em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde. Um calendário orientou a participação das escolas nessas ações.

Foi, de fato, um trabalho intersetorial, com a participação da Secretaria Municipal de Educação, por meio de ações de educação, informação e mobilização social nas escolas. Para isto, foram capacitados todos os representantes das dos Naeds (Núcleos de Ação Educativa Descentralizados) e diretores de educação infantil e fundamental, que se tornaram multiplicadores em seus territórios.

Como na rede estadual, as ações na esfera municipal abrangeram principalmente os cuidados com o ambiente escolar. Os possíveis criadouros identificados passaram a ser eliminados. Caixas de água foram e continuam sendo tampadas e limpas regularmente, o mesmo com as calhas e outros recipientes que podem acumular água.

A questão da dengue tem sido exaustivamente abordada em sala de aula, do mesmo modo que na rede estadual. Algumas escolas municipais avançaram ainda mais nesse sentido. Caso do CEI (Centro de Educação Infantil) “Agostinho Páttaro”, que viabilizou a confecção do livro “Dengue”. O livro foi levado para casa por todas as crianças, de modo que a família pode responder, em espaço apropriado, à pergunta: “O que eles fazem para combater a dengue?”

As professoras trabalharam com suas turmas na produção do material. Além disso, cartazes foram confeccionados pelas crianças e afixados na praça em frente à escola. Crianças e professores participaram, ainda, da produção de repelente biológico de mosquitos, com a planta citronela.

O CEI “Dr. Roberto Telles Sampaio” também se envolveu de forma intensa no tema da dengue, de modo associado à discussão sobre questões ambientais, como o uso do espaço urbano de forma responsável, a preservação dos recursos naturais e a conscientização e prevenção de outras doenças, como leptospirose, viroses e etc.

O trabalho visou o envolvimento da comunidade. Nesse sentido, houve importante discussão sobre o lixo depositado de forma inadequada no entorno da escola. Dessas reflexões surgiram duas ações. Uma delas foi a limpeza da via lateral que estava cheia de lixo e entulho, inclusive com recipientes que acumulavam água, propiciando a multiplicação do mosquito da dengue e maior contágio da doença. Outra ação foi o plantio de mudas de árvores frutíferas no local. Cada turma de alunos adotou uma árvore. A comunidade participou da limpeza do terreno.

Na mesma linha, o CEI “Sônia Lenita Galdino Torrezan Câmara” fez um esforço especial na reflexão e ações sobre a dengue, com a conscientização de toda a comunidade escolar sobre a necessidade constante de eliminar os locais que acumulam água e servem de criadouro para o mosquito. Foi montado um moral mural informativo na escola, com amplo e diversificado material sobre o ciclo da doença e como combatê-la.

As recomendações difundidas pelo CEI “Sônia Lenita Galdino Torrezan Câmara” junto à comunidade escolar continuam válidas para o conjunto das escolas públicas e toda a comunidade de Campinas. No início de março de 2015, a Prefeitura fez um balanço sobre os casos de dengue até aquele momento.

Pelos dados divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde, Campinas teve 888 casos confirmados de dengue em janeiro e fevereiro, com mais 3295 casos suspeitos, sob investigação pelo Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa). Não foram registrados casos de Febre Chikungunya.