Escola abre biblioteca multilíngue ao público

Escola abre biblioteca multilíngue ao público

JUNIA OLIVEIRA

“Isso remete muito ao papel da escola de estar em todos os pontos de contato de uma pessoa que quer aprender”, Márcia Naves, diretora-geral da Fundação Torino

Poltronas para lá de confortáveis num canto, mesinhas, jarros de flores espalhados, computadores e arte para dar ainda mais charme. Ninguém falaria que essa descrição é de um espaço para leitura. Mas nesse ambiente convidativo e relaxante está a mais nova biblioteca disponível ao público de Belo Horizonte e região. Com quase 20 mil volumes, a Fundação Torino Escola Internacional, no Bairro Belvedere, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, abre hoje à comunidade as portas da instituição para consultas e empréstimos de suas obras infanto-juvenis, grandes clássicos da literatura e raridades. Com um diferencial: o público pode encontrar vários títulos em português, inglês, italiano, espanhol, francês e alemão – oportunidade e tanto para quem quer ter acesso ao universo dos livros e conhecer autores renomados do mundo inteiro.

A biblioteca Dante Alighieri foi pensada para não ser apenas capaz de abrigar os livros, mas de propiciar rituais agradáveis de leitura, além de promover o gosto pelas histórias e ampliar o repertório de seus frequentadores. No painel feito com pintura sobre livros didáticos antigos, frase do escritor argentino Jorge Luis Borges define bem: “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca”.

Dostoiévski, Shakespeare e Jorge Amado, por exemplo, estão disponíveis em mais de um idioma. O acervo com quase 20 mil volumes conta ainda com exemplares de catálogos de 18 exposições feitas na Casa Fiat de Cultura, como Rodin, Chagall, Guignard e Caravaggio. As páginas amareladas são o indicativo do tempo para a edição de 1927 de Sertões, de Euclides da Cunha, e Voici ton maitre, de Marcel Prévost, edição parisiense de 1930. Além de raridades, o acervo tem também obras contemporâneas. “Precisamos estar atentos à nova literatura, deixando clara a importância dos clássicos para a formação humana”, diz Márcia Naves, diretora-geral da Fundação Torino.

Indagada sobre o motivo de abrir a biblioteca ao público externo, ela devolve a pergunta: “Por que não?”. “Isso remete muito ao papel da escola de estar em todos os pontos de contato de uma pessoa que quer aprender. E ao meu sonho de que todos tenham a possibilidade de acesso à educação. Se é possível, por que não? Vai muito além dos muros da escola”, diz.

Uma versão de Dom Quixote feita para estudantes do ensino fundamental, com tradução de Ferreira Gullar e ilustrações de Gustave Doré, é uma das obras preferidas da diretora. “São poucas as escolas brasileiras hoje preocupadas em trazer os clássicos, importantes pois posicionam até nosso caráter. Trazer isso para um adolescente é muito interessante”, ressalta. A biblioteca se abriu ao público pouco a pouco. Em abril, os pais de alunos foram os primeiros a poder frequentá-la.

Depois do Atentado Poético, projeto feito desde 2003 no qual os alunos saem às ruas de BH para “abandonar” livros em diversos pontos da cidade de forma coordenada e simultânea, é hora de fazer o caminho inverso e convidar as pessoas a irem até a escola. A iniciativa é uma parceria do colégio com a Casa Fiat de Cultura, que doou várias obras para o acervo e ainda manterá em suas dependências, na Praça da Liberdade, um totem para consulta e reservas dos títulos disponíveis. Mas a retirada dos livros é feita exclusivamente na sede da Fundação, no Belvedere.

SENSIBILIDADE

O lançamento oficial das atividades públicas da biblioteca será feito durante o projeto Divinas Conversas, uma inspiração do clássico Divina Comédia, do italiano Dante Alighieri. Trata-se de um ciclo de conferências que traz nesta quarta edição o poeta, letrista e roteirista Geraldo Carneiro falando sobre “Os 400 anos da morte de Shakespeare”. A palestra será hoje, às 19h30, no auditório da Fundação Torino, com entrada gratuita. O evento ocorre uma vez por mês e tem a contribuição dos professores da escola internacional.

Essa mistura de literatura, arte e sensibilidade é a síntese do espaço onde o público terá acesso para explorar o acervo da fundação. “O homem precisa cada vez mais trazer a sensibilidade para sua formação. Nas carreiras tradicionais, na música ou no cinema, é importante a formação literária, da arte, da cultura para ter essa visão sistêmica da vida. Temos dois lados, o direito e o esquerdo. Precisamos desse lado ambidestro, um pouco de razão e emoção na vida”, afirma Márcia. Falando em arte e literatura, nada mais justo que lembrar Guimarães Rosa. “O homem nasceu para aprender. Aprender tanto quanto a vida lhe permite. E como escola, temos que trazer isso em nossa mente e ajudar as pessoas a terem acesso a esse aprendizado.”

Carteira de associado

Os interessados em empréstimos precisam fazer uma carteira de associado. Basta apresentar documentos pessoais e comprovante de endereço. A partir do cadastro, a pessoa tem direito a três publicações emprestadas por um período de sete dias. As normas para empréstimos e outros serviços estão no regulamento da biblioteca e podem ser acessadas pelo site: www.fundacaotorino.com.br.

Fonte: O Estado de Minas