Ensino técnico e emprego jovem

Ensino técnico e emprego jovem

É preocupante a expectativa de emprego dos mais jovens para os próximos anos. Em palestra na Cúpula das Américas do Panamá na semana passada, o diretor-geral da Organização Mundial do Trabalho (OIT), Guy Ryder, calculou em 50 milhões o número de vagas que precisam ser criadas na região da América Latina e Caribe na próxima década apenas para absorver os jovens que vão entrar no mercado de trabalho. O mesmo dirigente alertou que o momento na região é preocupante, uma vez que a desaceleração econômica tem elevado o desemprego e a informalidade.

Segundo os dados da OIT, a taxa média de desemprego urbano nos países da área analisada melhorou na última década, saindo de um patamar de 11% para 6,1% em 2014. Mas a se confirmar as previsões de crescimento econômico mais lento, a taxa deve fechar 2015 em 6,3%. Isso já pode representar um início de reversão da curva. No Brasil, a última pesquisa do IBGE mostrou que 40,5% dos desocupados estão na faixa dos 15 aos 24 anos.

Para os jovens, o futuro é ainda mais incerto. Estudos da OCDE já comprovaram que os menores de 25 anos têm três vezes mais possibilidades de ficarem desempregados. Entre os latino-americanos e caribenhos, seis em cada 10 jovens só conseguem emprego como informais.

Não há muitas saídas para essa situação que não envolvam a gradual recuperação econômica e a diversificação da matriz produtiva, com mais empresas e mais setores em condições de competição. É onde entra o investimento público em educação de qualidade e oferta de ensino superior e técnico. Este último tem recebido maior procura nos últimos anos. Dados do Censo da Educação Básica, analisados pelo Senai, mostram que entre 2008 e 2013 o número de matrículas nesses cursos no nível médio cresceu 55,3%, para mais 1,4 milhão.

Além de ser um incentivo à queda da evasão no ensino médio, pela sensação de melhor preparação para o mercado de trabalho, o ensino técnico serve ainda para pular algumas etapas. Segundo o mesmo Senai, a renda média dos profissionais recém-formados é 19% maior do que a os ocupados em outras áreas.

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