Enem de cara nova

Enem de cara nova

Ministério da Educação abre consulta pública para receber sugestões sobre o formato digital do exame nacional. Especialista aponta quais seriam os principais problemas para colocá-lo em prática

O Ministério da Educação quer mudar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, desde o começo deste mês, está fazendo uma consulta pública para receber sugestões da população para melhorar a avaliação. Pela ideia inicial apresentada no começo do ano pelo ministro da Educação, Cid Gomes, o exame ganharia uma versão online.

De acordo com a assessoria de imprensa da pasta, ainda não há um modelo oficial definido, mas a ideia seria criar um banco nacional de questões, ao qual os candidatos teriam acesso para estudar e de onde seriam retiradas as perguntas da prova. Os inscritos no Enem, de acordo com a proposta do ministro, ainda teriam a chance de fazer o exame mais de uma vez no ano e teriam acesso a salas especiais, com computadores e sistema de segurança, para participar da avaliação.

No mundo das ideias, o Enem online tem tudo para se tornar realidade e poderia ser uma forma de agilizar o processo de avaliação dos alunos do Ensino Médio e, quem sabe, torná-lo menos dispendioso para o governo, já que exige uma logística enorme para garantir a aplicação das provas em todo o país.

O caderno Vestibular conversou com o matemático e especialista em avaliações educacionais Tadeu da Ponte, responsável pelos simulados e pelo sistema estatístico do Missão Universitário, plataforma de preparação para o vestibular da empresa israelense Mind Lab. Ele apontou quais seriam os principais desafios do MEC na implantação do Enem online e se eles seriam impeditivos para que o exame já ganhasse um formato diferente neste ano, como é o desejo do ministro Cid Gomes.

– O Enem online não é ficção científica, mas algo plausível, mas acredito que seja necessário de um a dois anos para estruturá-lo melhor – diz.

Na visão de Ponte, o Enem online, desde que implantado adequadamente, poderá resolver problemas de modo mais ágil, sem exigir o cancelamento de edições inteiras, como já ocorreu devido ao furto de uma prova. Para os estudantes, o especialista só aponta vantagens no possível novo formato.

– Atualmente, o risco de um candidato não estar em um dia bom tem um impacto grande para ele, pois demora um ano para ter uma nova chance. Acho que a ansiedade pesaria menos no desempenho – avalia.

Fonte: Zero Hora