Encontro Mensal do CCE: importância da escola no desenvolvimento das habilidades socioemocionais dos alunos é ressaltada

Encontro Mensal do CCE: importância da escola no desenvolvimento das habilidades socioemocionais dos alunos é ressaltada

O Encontro Mensal do Compromisso Campinas pela Educação (CCE) que ocorreu na noite desta quinta-feira, dia 25 de junho, abordou o desenvolvimento das habilidades socioemocionais das crianças, a importância das relações humanas respeitosas e o papel fundamental da escola em todo esse processo. O auditório da Fundação FEAC ficou lotado com mais de cem pessoas entre profissionais da educação, gestores, professores, funcionários, estudantes e cidadãos interessados no tema educação que acompanharam a palestra “Escola e desenvolvimento de habilidades socioemocionais”, ministrada pelo professor Lino de Macedo.

Professor aposentado do Instituto de Psicologia da USP, e com vários livros publicados, Lino de Macedo reiterou a importância das habilidades socioemocionais para o desenvolvimento integral. “As habilidades socioemocionais abrangem o modo de convivência com o outro, a forma da pessoa reagir a um fato, o seu posicionamento diante da vida”, destacou.

   Para o especialista, a escola tem um papel fundamental no desenvolvimento dessas habilidades. “A família é muito importante, mas ela prepara para as relações familiares. A escola é fundamental, porque prepara para a vida toda, para o viver em sociedade”, ressaltou. “A escola é preciosa para o desenvolvimento das habilidades socioemocionais”, completou.

 Dimensões das habilidades socioemocionais– São duas as principais dimensões dessas habilidades, para as quais a escola pode contribuir muito, disse Macedo. A primeira é a que trata das chamadas funções executivas, que seriam relacionadas ao movimento “de fora para dentro”, ou seja, ao desenvolvimento do controle inibitório, de habilidades de pensar antes de agir, de ponderar as consequências da ação, de desenvolver autocontrole, selfgovernent ou autorregulação das emoções. É como a criança aprende a internalizar, a tornar seus modos de lidar com suas emoções em um contexto de trocas sociais e resolução de problemas.

A outra dimensão está ligada ao movimento “de dentro para fora”, ou seja, ao “saber tornar-se parte do mundo, desenvolvendo respeito mútuo, capacidade de colaboração e aquilo que Piaget chama de afetos normativos. Trata-se aqui de a criança aprender a se tornar parte, pertencer à, compartilhando projetos comuns e enfrentando conflitos”.

 Papel da escola – Para Lino de Macedo, a escola pode fazer toda a diferença no desenvolvimento das habilidades socioemocionais. “O modo de os funcionários da escola (professores, gestores, auxiliares) lidarem com diferentes situações que envolvam conflitos, relações interpessoais e como conviver no cotidiano da instituição pode ser uma grande referência”, explicou.

Outra forma de contribuição da escola é estabelecer e respeitar limites em um contexto de discussão e acordos coletivos. “Não generalizar casos excepcionais, também ajuda. Ser generoso e paciente em um processo que leva tempo para se desenvolver e que conhecerá muitos erros e acertos, “caídas e recaídas” são, igualmente, modos preciosos da escola valorizar e promover esse processo de aquisição fundamental a uma vida que se quer responsável, livre e digna”, acentuou o especialista.

A relação da escola com a comunidade também é muito relevante para o desenvolvimento social e emocional, acredita Lino de Macedo. “Habilidades socioemocionais expressam o como, quando, quanto e o que fazemos com ou regulamos nossas emoções (alegria, tristeza, raiva, inveja, rancor, ódio, amor, ansiedade, angústia, medo) despertadas nas relações com pessoas, coisas, sobretudo em contexto de colocação de problemas, divergências, demandas. Escola e comunidade são duas instituições hoje cada vez mais solidárias em favor do que é melhor para a educação de todas as crianças e jovens. Como elas expressam essa solidariedade ou interdependência faz muita diferença”, diz Lino, acrescentando que “a escola é o celeiro do mundo, nela a criança aprende a fazer parte do todo, isso é insubstituível”.

Essas habilidades, sublinha o especialista, compõem uma parte importante do que hoje é designado como competências transcurriculares, ou seja, aquelas que se aplicam a todas as disciplinas bem como ao cotidiano das relações na escola. “A questão moral, definir o que é certo ou errado, também pesa muito, pois pode-se cair em uma disputa do poder de uma opinião, costume ou valor sobre outros. O fato é que em uma escola para todos há de se enfrentar essas questões com o mesmo interesse e seriedade quanto àquele relacionado ao ensino e à avaliação dos conteúdos disciplinares”, conclui.

 Interatividade – Houve muita interatividade no encontro desta quinta-feira, 25 de junho, no auditório da Fundação FEAC. Diretora da Escola Estadual Lais Bertoni Pereira, Maria José Lima entende que “não dá para a escola se preocupar apenas com as habilidades cognitivas se ela almeja uma educação integral”. A escola também deve estar “atenta a outros aspectos importantes, como as habilidades socioemocionais, em conjunto com a família”, ressalta a gestora.

 Professor na Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Floriano Peixoto, Jaime Balbino entende que as habilidades socioemocionais “são muito importantes para o processo educativo, e a escola está olhando mais atentamente para esse aspecto”, e daí a relevância que viu na discussão do tema no Encontro Mensal do CCE na FEAC.

Ademir da Silva Pinheiro também participou do evento. Ele é psicoterapeuta na Comunidade Santos Apóstolos, na Vila Boa Vista, em Campinas. Para ele, a escola “não deve se preocupar apenas com a formação para o mercado de trabalho, ela não deve se esquecer do lado emocional”. Além de bom profissional, a pessoa deve estar preparada para “ser boa cidadã”. Por isso a escola deve estar voltada ”para uma educação integral, que envolve as habilidades socioemocionais”, conclui.

Os temas dos Encontros Mensais do CCE em 2015 estão relacionados à bandeira do Compromisso Campinas pela Educação neste ano, que é a “Valorização da Escola”.  A temática foi definida em enquete pública realizada em novembro do ano passado, durante a 5ª Semana da Educação de Campinas. As linhas gerais da campanha do CCE sobre esse tema foram discutidas por um grupo de reflexão constituído pela Fundação FEAC.

O próximo Encontro Mensal será no dia 30 de julho e deve ocorrer no período da manhã. Na ocasião, serão apresentados e divulgados três estudos encomendados pelo Observatório da Educação, do Compromisso Campinas pela Educação: “Dados sobre a educação de Campinas – Um panorama social, econômico e educacional”, de Stella Silva Telles; “Pontos e contrapontos do ensino e da aprendizagem de Matemática na perspectiva da avaliação da Prova Brasil”, de Ruy César Pietropaolo; e “Pontos e contrapontos do ensino e da aprendizagem de Língua Portuguesa/Leitura na perspectiva da avaliação da Prova Brasil”, de Zuleika de Felice Murrie. Os estudos sobre Matemática e Português serão ainda disponibilizados às escolas públicas de Campinas como sugestão de mais um material de apoio escolar.

Informações:  (19) 3794 3512.