EMEF Raul Pila oferece educação integral e trabalha com união e dedicação

EMEF Raul Pila oferece educação integral e trabalha com união e dedicação

Laura Gonçalves

Uma equipe pedagógica comprometida com a educação, a união e o conhecimento. Assim acontece o trabalho na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Raul Pila que, com mais de 500 alunos, enfrentou desafios e se organizou para entrar no rol das unidades de educação integral da rede municipal de Campinas.

A preparação para se tornar uma escola integral teve início em 2014, com as transformações dos espaços. “Foi difícil porque era uma novidade até mesmo para a rede municipal. A primeira coisa que fizemos foi solicitar a construção de um refeitório de 250 lugares, onde todos pudessem comer com conforto, além de mais quatro salas de aula. E fomos prontamente atendidos”, falou a diretora Rosane Dorazio Nogueira.

De acordo com Rosane, o período de turbulência durou poucos meses, mas demandou paciência de todos. “Professores, alunos e funcionários tiveram que aguentar o quebra-quebra, os barulhos e a bagunça da reforma, mas tudo deu certo. Também contamos muito com a parceria da Coordenadoria de Arquitetura Escolar e da Administração Regional 2, que estiveram presentes conosco durante a reforma. Em pouco tempo tudo acabou dando certo”, resumiu.

Após esse período, os desafios continuaram com o comprometimento do corpo docente. “Percebemos que não tinha mais volta e daí tivemos que contar com uma equipe unida, que queria realmente participar e trabalhar numa escola de período integral. Houve professores que não tinham disponibilidade para permanecer devido à extensão do horário e foram embora, mas quem ficou e quem veio, se comprometeu, abraçou a causa e está aqui, firme e forte”, garantiu a vice-diretora Maria Iara Prado Nascimento.

Para a vice-diretora educacional da Raul Pila, Kanila dos Santos Moraes, outro desafio enfrentado foi a organização da grade curricular, da metodologia, divisão de aulas e de professores. “Tivemos que contar com o apoio de todos e nossa escola preza muito por uma metodologia diferenciada. Um exemplo é o nosso professor de História que mantém contato com outro educador de uma tribo indígena da etnia Guarani. Desta forma, os alunos, via internet, trocam fotos, conhecimentos e curiosidade com índios. É uma forma de aprender que dá muito certo. Temos que inovar para conseguir a atenção dos alunos com o período integral”, avaliou.

Sala de aula e atividades

A Raul Pila também conta com o Programa Mais Educação, que consiste na ampliação do currículo, por meio de estratégia de educação integral, incluindo aulas de instrumentos musicais, danças, teatro e esportes visando o aumento da permanência diária do aluno na escola ao frequentar as oficinas no contraturno. “Nossos estudantes trabalham com o teatro e com a dança, que também são formas de linguagem e de arte. É uma maneira de inovar e de incentivar a cultura”, explicou Maria Iara.

Na EMEF, outra curiosidade é a mudança de salas que passaram a ser salas ambientes. Os professores ficam em suas classes e os alunos que trocam de espaço. “Isso é muito interessante porque é um breve momento que os estudantes têm para interagir, trocar uma palavra e dar uma espairecida. Tudo isso dá certo porque a organização que utilizamos está funcionando”, resumiu a vice-diretora.

Com as mudanças que o ensino integral trouxe à escola, os alunos valorizam a oportunidade do aprendizado estendido, mas reclamam um pouco da carga horária, uma vez que chegam às 8h e saem às 15h30 ou 16h20. “Estamos estudando e aprendendo mais. As aulas diferenciadas são as melhores, os filmes, os estudos do meio e essa interatividade é ótima, mas a escola integral também é cansativa”, falou Isabela Aparecida Martins, aluna do 9º ano.

Por isso é preciso inovar. “Temos classes nada convencionais, onde o ensino acontece em diversos espaços. Trabalhamos com sala ambiente, uma para cada matéria, o que torna os locais mais interessantes. Também usamos materiais coloridos que muitas vezes são criados pelos próprios alunos. Enfim, estamos tentando tornar nossos espaços mais atrativos aos alunos, com material pedagógico interessante. A sala de arte é um exemplo, uma vez que está no antigo refeitório e conta com pia, balcão e tudo mais que os alunos precisam para as artes”, falou Kanila.

Hora do lanche

Com a mudança para a escola integral, o refeitório também ganhou lugar de destaque. Afinal, com os alunos o dia todo no colégio, a alimentação é essencial. No total são quatro refeições: café da manhã, lanches da manhã e tarde e almoço.
“No fim, a escola integral foi um ganho também para a comunidade, pois os pais sabem que aqui as crianças estão bem cuidadas e aprendendo. E cuidamos de tudo mesmo, inclusive da alimentação. A criança mesma se serve, adquirindo autonomia até mesmo na hora do almoço. Eles comem o quanto querem e conhecem novos alimentos. E ainda aprendem que não podem desperdiçar”, explicou Kanila.

A Raul Pila também conta com o projeto “Compartilhando Saberes e Sabores”, da Prefeitura Municipal de Campinas, que visa intensificar um trabalho já desenvolvido nas escolas do município sobre práticas saudáveis de alimentação e segurança alimentar. “Professores e alunos almoçam juntos e essa hora também é de aprendizado, pois há orientação e estímulo para que os alunos comam bem, com qualidade e consciência”, explicou a diretora Rosane.

Acolhimento

Conversar e ouvir. Este também é um dos lemas da unidade de ensino. “Procuramos conversar com pais, professores e alunos. Mostramos que temos regras, mas que a equipe gestora quer ouvir. O mesmo acontece na sala de aula, acolhemos os alunos e fazemos um combinado com eles. Os professores mantem esse diálogo e o canal sempre aberto”, falou Rosane.

Para os estudantes, além do diálogo, a oferta diferenciada de aulas é especial. “As aulas aqui são diferentes. Sei que isso vai ser bom pro meu futuro. A gente sabe que essa oportunidade tem que ser aproveitada”, falou a aluna Caroline Pires Ferreira, de 14 anos.

A conversa entre alunos e professores também é vista o tempo todo na escola. “Cheguei aqui em 2015 e tive uma experiência nova e posso afirmar que tentamos fazer atividades diferenciadas. Agora, o mais difícil é o domínio em sala de aula, conseguir a atenção dos alunos, mas com conversa e dinâmicas, as coisas acabam dando certo”, explicou a professora de ciências, Ana Cecília Cavalaro.

Estudo do Meio e EJA

Outra forma de estimular os alunos é o estudo do meio, método de ensino interdisciplinar que visa proporcionar o contato direto com determinada realidade, um meio qualquer, rural ou urbano, que se decida estudar.

“Esta atividade pedagógica se concretiza pela imersão orientada na complexidade de um determinado espaço geográfico, do estabelecimento de um diálogo inteligente com o mundo, com o intuito de verificar e de produzir novos conhecimentos. E é um diferencial que os estudantes adoram, tanto os do ensino fundamental quanto os da Educação de Jovens e Adultos (EJA)”, garantiu a diretora da unidade.

Desde 2015, a Raul Pila incrementou o estudo do meio e tem levado os estudantes para diversos lugares. “Com isso, já fomos ao Museu Catavento e Zoológico de Americana/SP e muitos outros lugares e eventos, e também assistimos a concertos na Sala São Paulo, filmes em cinemas e peças de teatro”, exemplificou Rosane. “Para realizar estes e outros projetos temos a ajuda da representante regional do Núcleo de Ação Educativa Descentralizada (NAED) Leste, Ângela Faquini Costa, que nos auxilia com transporte sempre que precisamos e nos atende em muitas outras necessidades”, disse Rosane.

As turmas da EJA também estão aproveitando esses diferenciais. “Tentamos levar para os adultos as mesmas oportunidades que oferecemos às turmas do ensino fundamental, temos um projeto de leitura coletiva de textos no qual os professores trabalham dentro das possibilidades de cada aluno”, explicou Rosane.

A escola também tem uma parceria com a Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho –Amatra, que leva às turmas da EJA palestras de diversos temas, como assédio moral, direitos e deveres dos trabalhadores e outros. “São temas que esses estudantes precisam conhecer e que mostram novos horizontes”, completou.

E desta forma, a EMEF Raul Pila está entrando numa nova realidade. “Ainda temos muitos desafios pela frente, vários deles de ordem estrutural, pois somos uma escola grande, num terreno grande. Mas aos poucos vamos nos acertando”, finalizou a diretora.

Confira a página no Facebook da escola: https://www.facebook.com/EMEF-Raul-Pila-173111076088141/?fref=ts

Gráfico Raul Pila