Educação Reprovada

Educação Reprovada

O Movimento Todos pela Educação revelou ontem que nove em cada dez municípios brasileiros não atingiram o percentual mínimo de alunos com desempenho adequado em matemática no 9º ano do Ensino Fundamental, ou seja, somente 10,8% dos municípios atingiram a meta intermediária calculada para que, em 2022, bicentenário da Independência do Brasil, pelo menos 70% dos alunos tenham aprendizado adequado nesta disciplina. Os números foram apurados pela Prova Brasil de 2013 e revelam que na disciplina português apenas 29,6% dos municípios atingiram o nível intermediário, de forma que o percentual de cidades que atingem as metas do Todos pela Educação vem caindo gradativamente nos últimos anos. Em 2009, por exemplo, 83,7% dos municípios cumpriram a meta para o ano em português no fim do ensino fundamental e 42,7%, em matemática, revelando que os bons resultados que vêm sendo observados nos anos iniciais não estão tendo repercussão nos anos finais. Isso ocorre porque o país não tem metas claras do que deve ser aprendido em cada nível de ensino, tanto que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) considera nove níveis de desempenho na Prova Brasil, sem definir qual é o adequado.

O mais preocupante é que 3% dos estudantes com idade entre 7 e 14 anos estão fora da sala de aula, volume que salta para 5% se forem incluídas as crianças em idade de frequentar a pré-escola. Cabe enfatizar que os 3% que estão fora da escola representam um universo de 1,7 milhão de crianças em idade escolar e, mais grave, para cada 100 alunos que entram na primeira série, somente 47 terminam o 9º ano na idade correspondente, enquanto 14 concluem o Ensino Médio sem interrupção e apenas 11 chegam à universidade. Mais: 61% dos estudantes do 5º ano não conseguem interpretar textos simples e não dominam regras gramaticais, enquanto 60% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental não interpretam textos dissertativos. Com um desempenho desse, fica impossível atingir uma classificação melhor no Índice de Desenvolvimento Humano.

Na disciplina Matemática 65% dos alunos do 5º ano não dominam operação de cálculo e 60% dos alunos do 9º ano não sabem realizar cálculos de porcentagem. Esse é o retrato da educação em todo o Brasil. A situação é caótica, tanto que o próprio Ministério da Educação apurou que um em cada cinco estudantes brasileiros do Ensino Fundamental está atrasado na escola, enquanto no Ensino Médio, pelo menos três em cada dez alunos também estão em situação idêntica. Dados do Censo Escolar sobre as taxas de distorção idade-série, que mede a proporção de alunos que não está matriculada na série indicada à faixa etária, ou seja, não estão conseguindo cumprir a legislação que estabelece que a criança deve ingressar aos 6 anos no 1° ano do Ensino Fundamental e concluir a etapa aos 14 anos de idade, previsão que passa longe da realidade da quase totalidade das escolas públicas brasileiras. A mesma legislação estabelece que, na faixa etária dos 15 aos 17 anos, o jovem deve estar matriculado no Ensino Médio, mas na prática a grande maioria dos estudantes brasileiros chegam aos 16 ou 17 anos ainda cursando o 9º ano do Ensino Fundamental.

Em outra frente, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) revela que apenas 54,3% dos jovens brasileiros conseguiram concluir o Ensino Médio até os 19 anos de idade. O percentual, ainda que vergonhoso, é melhor que o apurado em 2007, quando somente 46,6% dos jovens concluíram o Ensino Médio até os 19 anos de idade, ou seja, em cinco anos houve um avanço razoável, mas, ainda assim, preocupante a partir do momento em que para cada grupo de 100 estudantes apenas 54 conseguem finalizar o Ensino Médio dentro do prazo. Nesse ritmo, dificilmente se atingirá a meta proposta pelo Movimento Todos pela Educação para que se garanta educação de qualidade até 2022, quando, pelo menos, 90% dos jovens concluam o Ensino Médio até os 19 anos de idade. A situação do Ensino Fundamental é um pouco melhor, com 71,7% dos jovens conseguindo concluir essa etapa até os 16 anos de idade, percentual bem abaixo da meta para 2022 quando 95% desse público deve concluir os estudos dentro do prazo. O Ministério da Educação prometeu mudanças importantes no Ensino Médio, mas, na prática, pouca coisa mudou a ponto de melhorar a qualidade da educação pública oferecida no Brasil.

Fonte: Progresso