Educação na berlinda

Educação na berlinda

Números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2013 apurados pelo Movimento Todos pela Educação mostram que, no ano passado, apenas 54,3% dos jovens brasileiros conseguiram concluir o Ensino Médio até os 19 anos de idade. O percentual, ainda que vergonhoso, é melhor que o apurado em 2007, quando somente 46,6% dos jovens concluíram o Ensino Médio até os 19 anos de idade, ou seja, em cinco anos houve um avanço razoável, mas, ainda assim, preocupante a partir do momento em que para cada grupo de 100 estudantes apenas 54 conseguem finalizar o Ensino Médio dentro do prazo. Nesse ritmo, dificilmente se atingirá a meta proposta pelo Movimento Todos pela Educação para que se garanta educação de qualidade até 2022, quando, pelo menos, 90% dos jovens concluam o Ensino Médio até os 19 anos de idade. A situação do Ensino Fundamental é um pouco melhor, com 71,7% dos jovens conseguindo concluir essa etapa até os 16 anos de idade, percentual bem abaixo da meta para 2022 quando 95% desse público deve concluir os estudos dentro do prazo.

O Ministério da Educação prometeu mudanças importantes no Ensino Médio, sendo que as mais profundas delas seriam aumentar o número de horas do aluno na escola, elevando a carga horária diária das atuais quatro horas para seis horas ou ampliar o número de dias letivos, que atualmente é de 200 dias. Passados quatro anos, nenhuma dessas medidas foi adotada pelo Ministério da Educação e, certamente, se tivessem ocorrido as mudanças não seriam das mais eficazes, mesmo porque ao invés de se preocupar em fazer com que os estudantes fiquem mais tempo em sala de aula o governo deveria focar na qualidade do ensino que é oferecido atualmente pelas escolas públicas em todo o Brasil, ou seja, qualidade é muito mais importante que quantidade, sobretudo quando se fala em educação. É preciso repensar as grades curriculares, a formação do próprio docente e, sobretudo, a estrutura física das escolas públicas. Ainda que o aprendizado esteja diretamente relacionado à exposição do aluno ao conhecimento, o governo deve entender que precisa criar uma escola mais atrativa para os adolescentes ao invés de obrigar que um jovem fique 1.200 horas por ano em sala de aula.

O aumento do tempo de permanência de um aluno na escola deveria ser reflexo da qualidade do ensino oferecido, da infraestrutura escolar e, sobretudo, da grade curricular que se aplica aos alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio. Quando a escola for atrativa o estudante ficará, naturalmente, mais tempo em sala de aula e mais tempo em atividades extracurriculares, do contrário, ele elevará os índices de evasão e ficará cada vez mais longe da educação. À essa necessidade deveria ser somada ainda o compromisso do próprio aluno e da família com a educação, de forma que esses jovens precisam entender que somente por meio da educação é que eles conseguirão construir um futuro melhor. Ainda que o governo repense as grades curriculares; contrate professores específicos para as mais diferentes áreas; ofereça melhor estrutura física de laboratórios, bibliotecas e quadras poliesportivas; nada disso será suficiente para manter o aluno na escola se ele não tiver vontade de estudar e, sobretudo, se a família não estiver presente no cotidiano desse jovem.

Os estudos que estão sendo feitos pelo Ministério da Educação em parceria com a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), com o único objetivo de ampliar o ano letivo tem tudo para se transformar em apenas mais um estudo, sem qualquer resultado prático para a educação. Relatório divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico aponta que, entre 2000 e 2010, o Brasil foi o país que mais aumentou os gastos por aluno da educação primária (Ensino Fundamental) até o segundo ciclo da educação secundária (Ensino Médio) entre as nações em desenvolvimento. Ainda assim, 61% dos estudantes do 5º ano não conseguem interpretar textos simples e não dominam regras gramaticais, enquanto 60% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental não interpretam textos dissertativos. Com um desempenho desse, fica impossível atingir uma classificação melhor no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Fonte: Progresso