Diretora do Carlos Gomes é afastada; vice assume

Diretora do Carlos Gomes é afastada; vice assume

O ano letivo na Escola Estadual Carlos Gomes começa nesta segunda-feira (15) sob nova direção. Alvo de denúncias de autoritarismo e assédio moral feitas por alunos, após dez anos no cargo de diretora, Mirian Shimizu, 59 anos, foi afastada definitivamente da função na instituição. A notícia divulgada na última sexta-feira (12)na página do Facebook Ocupação CG foi recebida com entusiasmo pelos alunos. Advertisement

Em nota, a Diretoria de Ensino de Campinas confirmou que a diretora não exercerá mais suas funções na Escola Estadual Carlos Gomes. Quem assumirá a direção da unidade é a vice-diretora, Marli Fernandes.

Também em nota, a Diretoria de Ensino de Campinas informou que a apuração preliminar das denúncias contra Mirian está em fase conclusiva para ser enviada à Secretaria da Educação. Considerada autoritária e contrária à criação do grêmio estudantil na Carlos Gomes, a substituição da diretora estava na pauta de exigência dos estudantes e foi um dos motivos do prolongamento da ocupação da unidade escolar. O protesto à reorganização proposta pelo Governo durou 37 dias entre novembro e dezembro do ano passado.

De acordo com informações de um professor que prefere não se identificar, a saída de Mirian é considerada uma vitória. “Estou há cinco anos no corpo docente, quatro deles sob a gestão da Mirian. Sua saída indica uma situação de mudança, de novas perspectivas mais democráticas”, disse. Para ele, sem o ambiente de autoritarismo, alunos e docentes esperam o renascimento da escola.

Aluna secundarista da Carlos Gomes, Lorena Margonaro Souza, 18 anos, vai cursar o último ano no período da manhã. No ano passado apoiou a ocupação e agora comemora a saída de Mirian. “Atenderam um dos nossos pedidos. Ela (diretora) era opressora. Achava que a escola era dela e, por isso, gritava com alunos e professores”, lembra. De acordo com a estudante, a ex-diretora matinha o apoio da maioria, incluindo a vice-diretora, coordenadores e funcionários. Agora, com a mudança, Lorena espera que os corpos discente e docente da escola consigam se fazer mais participativos junto à administração da escola. “Antes a direção não permitia a criação do grêmio. Agora ele poderá ser criado e eu provavelmente vou participar” , disse a estudante.

Diretora se defendeu em entrevista

Neste sábado (13), a ex-diretora não foi encontrada pela reportagem, mas em dezembro passado concedeu uma entrevista à repórter Inaê Miranda, quando se defendeu das acusações. Afirmou ser pautada pelas orientações e legislações da Secretaria de Educação. Questionada sobre boletins de ocorrências feitos por professores, Mirian disse: “Alguns desses professores que nos acusam são, na realidade, os que agem usando de ameaças e intimidações inclusive tendo como alvos alunos que discordam das suas posturas, excluindo-os de suas aulas e causando-lhes, até mesmo, problemas psicológicos em razão do medo que sofrem”.

Com relação aos horários de entrada, outra reclamaçao contra ela, afirmou que os alunos são autorizados a entrar com até 10 minutos de atraso e que quando um grupo chega junto e vem da mesma região acusando problemas no trânsito ou quebra do transporte, eles têm acesso à escola.

Fonte: Correio Popular