Desafio brasileiro

Desafio brasileiro

O crescimento da economia brasileira na última década trouxe à tona um problema que estava adormecido: a falta de mão de obra especializada. À medida que o desemprego no Brasil começou a cair desde meados de 2004, a dificuldade das empresas em contratar bons profissionais tem aumentado.

O apagão de mão de obra favoreceu a valorização de uma área que também não vinha recebendo a atenção devida: os cursos técnicos. E foi dessa nova realidade que nasceu o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, que vai se firmando como um dos projetos mais vitoriosos de formação de mão de obra na história do Brasil. A iniciativa já mudou a vida de muitos jovens que se viam sem opções ao fim do Ensino Médio. Milhares de jovens talentosos não têm condição de pagar uma faculdade particular ou um cursinho pré-vestibular.

São cursos de qualificação profissional de alta qualidade para um público que, muitas vezes, não tem nem o Ensino Fundamental completo e que não tinha acesso a esses cursos.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, para todo o País serão ofertadas 763 mil vagas, e desde 2012, o Pronatec do Brasil Sem Miséria recebeu 842 mil matrículas – 30,8 mil para Alagoas. Entre os cursos que foram oferecidos estão auxiliar administrativo, operador de computador, eletricista instalador predial, pedreiro, aplicador de revestimento cerâmico, soldador e frentista.

Apesar do crescimento de 60% nos últimos cinco anos, a quantidade de jovens na educação profissional, proporcionalmente, é inferior não só à de países desenvolvidos, mas também às da Argentina e Chile, segundo especialistas. Uma realidade que impõe ao Brasil uma série de desafios para atender à demanda por mão de obra qualificada de uma economia emergente.

A necessidade de contratar técnicos não é nova, mas se intensificou na esteira da expansão do PIB e face às projeções de investimentos do setor privado. Especialistas estimam que o País terá de formar 7,2 milhões de trabalhadores em nível técnico e em áreas de média qualificação para atuar em 177 ocupações industriais até 2015.

O grande desafio é buscar equilíbrio entre oferta e demanda do mercado, com investimento nos cursos técnicos profissionalizantes, na educação básica e na ampliação da pós-graduação.

Fonte: Gazeta Web