De guerra de robôs ao fim da Lagoa: crianças projetam Campinas do futuro

De guerra de robôs ao fim da Lagoa: crianças projetam Campinas do futuro

Lana Torres
Virgginia Laborão

Em 2044, Campinas (SP) será cenário de uma guerra entre robôs malévolos e benfeitores. Na paisagem, além das casas serem todas metálicas e com asas, os carros voam e a Lagoa do Taquaral, principal ponto turístico da cidade, terá desaparecido. Não há limites para a fantasia de um campineiro mirim. As previsões imaginativas são de um grupo de crianças de 7 a 11 anos de uma escola municipal, que no dia do aniversário da cidade, celebrado nesta segunda-feira (14), foi convidado a descrever a Campinas de hoje e projetar o futuro nos próximos 30 anos.

“No futuro, vai ser tudo mais ou menos velho, mas tecnológico. Tudo é de máquina, azul moderno. Vai ter robô, vai dar para falar pra eles fazerem tudo, mexer a gente para lá e para cá. Pode ter os robôs de um exército do mal de outra cidade, que vai tentar invadir Campinas, mas depois os robôs voltam a ser todos do bem.”, prevê Maria Eduarda, de 11 anos.

Além de “antecipar” o futuro da cidade, Júlia, Lívia, Maria Luíza, Amanda, Beatriz, Emanuele e Maria Eduarda também descreveram Campinas a partir do seu ponto de vista, com as coisas que mais gostam e as que menos gostam no lugar em que vivem. Nesse exercício, elas se dividem entre aquelas que, imersas na realidade difícil de um bairro de periferia, reproduzem um discurso adulto de insatisfação com as políticas públicas na área da saúde e segurança e aquelas que vivem uma cidade idealizada, quase sem defeitos.

“No futuro, vai ter respeito e não vai ter mais ladrão”, diz a esperançosa Lívia. “A cidade não tem nada de ruim”, rebate Amanda. Para Júlia, Campinas mora exatamente no meio termo. “É uma cidade muito boa, mas também tem muita poluição, e as pessoas são diferentes.”, divaga.

Realidade

As sete meninas ouvidas pelo G1 estudam na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Maria Pavanatti Fávaro, no Jardim São Cristóvão, bairro simples da Região Sudoeste da cidade. A conversa com o grupo ocorreu no dia 8 de julho, durante uma atividade de balé oferecida no período de férias para manter os alunos ocupados.
No futuro, Campinas vai ser bem diferente, vai ter mudado muito. Eu acho que quase não vai existir o Taquaral. Se existir, eles vão tirar a Lagoa, vão tirar um monte de coisas de lá.”
Júlia, 10 anos

A diretora da unidade de ensino, Sandra Shafirovits, explica que a maioria das crianças ali é de família pobre e que, embora tenham tido uma melhora no padrão de vida nos últimos anos, ainda enfrentam problemas de infraestrutura, saúde e segurança precários. “Elas vivem uma realidade de falta de médicos, problemas de violência, etc. São de famílias de trabalhadores em um bairro pobre de Campinas”, explica.

Superpoderes

E se fosse possível dar à cidade qualquer presente neste aniversário? A imaginação entra em cena mais uma vez. “Eu ia distribuir dinheiro pra todo mundo”, diz a pequena Amanda com um senso de justiça social disfarçado de ingenuidade. Para Maria Eduarda, a solução para os problemas da cidade está em ceder doses de superpoderes a todos os moradores. “Eu ia poder transformar aquele desenho de flor em uma flor de verdade”, imagina em voz alta. Já Beatriz diz que daria um prédio bem grande “para colocar as pessoas que não tem onde morar”.

‘Prefeito, assim não dá’

Provocadas a fazer qualquer pedido ao chefe do Executivo, as crianças mais uma vez surpreendem. Sem se desprender do lúdico, Maria Eduarda pede um brinquedo que custa inatingíveis R$ 400. Maria Luiza faz um discurso que mistura sorriso e revolta. “Prefeito, por favor, melhora os nossos hospitais porque assim não dá mais”, disparou

Fonte: Portal G1