Dados do Observatório da Educação mostram ensino e aprendizagem de Campinas em xeque

A qualidade do ensino e da aprendizagem em Campinas foi colocada em xeque pelos números divulgados na manhã desta quinta-feira, 30 de julho, pelo Observatório da Educação, vinculado ao Compromisso Campinas pela Educação (CCE). As informações apontando enormes desafios estão no estudo “Dados sobre a educação de Campinas – Um panorama social, econômico e educacional”, divulgado no Encontro Mensal do CCE, realizado no auditório da Fundação FEAC e que também marcou o lançamento em Campinas do relatório “De olho nas metas 2013-14”, do Movimento Nacional Todos pela Educação.

O documento “Dados sobre a educação de Campinas – Um panorama social, econômico e educacional” tem a assinatura de Stella Silva Telles, doutora em Demografia pela Unicamp e pesquisadora do Núcleo de Estudos em Políticas Públicas (Nepp) da mesma universidade. A especialista também integra o Comitê Deliberativo do Observatório da Educação do Compromisso Campinas pela Educação.

Na forma de dados, tabelas e gráficos, o estudo foi produzido para a melhor compreensão do estado atual e dos muitos desafios nos campos social e da educação em Campinas, no momento em que acaba de ser promulgado o Plano Municipal de Educação (PME). Os resultados do estudo foram apresentados na manhã desta quinta-feira pela professora Dra.Maria Inês Fini, coordenadora do Observatório da Educação, no evento que contou com muitos educadores, gestores e estudantes.

Elenco de desafios

São muitos desafios apontados no documento, a começar pela infraestrutura das escolas públicas de Campinas. O documento cita, por exemplo, estudo dos professores Dalton Andrade e Joaquim Soares Neto, para o mesmo Observatório da Educação, indicando que somente 12,8% de um conjunto de 727 escolas avaliadas em Campinas apresentavam infraestrutura adequada em 2011, enquanto 56,1% tinham infraestrutura básica e 31,1% somente um nível apenas elementar de infraestrutura.

O estudo divulgado hoje na FEAC mostra que houve uma melhoria na taxa de atendimento escolar dos menores de 3 anos, que passou de 20% em 2007 para 39,2% em 2013. Entretanto, ainda há que se incluir 6.514 (estimativa com base em 2013) menores de 3 anos em creches para que se alcance a meta prevista no Plano Nacional de Educação de 50% das crianças nesta faixa etária com acesso a creches. “É fundamental esse acesso a creches, pois elas permitem a inserção das crianças na educação infantil e permitem que as mães trabalhadoras possam atuar em suas profissões”, disse a professora Maria Inês Fini. Do mesmo modo, outros 3.121 jovens de 15 a 17 anos devem ser incluídos no Ensino Médio.

São vários desafios relacionados ao Ensino Médio, que representa, por exemplo, a etapa mais preocupante em termos de abandono escolar, com uma tendência de crescimento. Em 2007 a taxa de abandono escolar no Ensino Médio era inferior a 5% e, em 2013 atingiu quase 7% do total de alunos matriculados. “Esse abandono mostra que as escolas não são atraentes para os jovens”, observou a professora Maria Inês Fini.

No Ensino Fundamental, o acesso à escola está praticamente universalizado em Campinas. Entretanto, a qualidade da educação gera muita preocupação. “É a dor maior”, sintetizou Maria Inês Fini. Os dados da Prova Brasil da edição de 2013 evidenciaram que apenas a metade dos estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental em Campinas estava no nível adequado de aprendizagem em português. Em matemática esse percentual era de 46%.

Com relação à proficiência dos alunos dos nonos anos, a situação é particularmente crítica. A proporção de alunos que obtiveram nível adequado em matemática é baixa e ficou praticamente estagnada em torno de 12%. Também em português a proporção de alunos com proficiência adequada ficou em um nível baixo (28%) e estagnado no período analisado. Assim, além de não ter havido melhoria desde 2009, os patamares alcançados em 2013 pelos alunos dos nonos anos das escolas públicas ficaram muito longe da meta proposta.

Desafios também para erradicar o analfabetismo, que atinge 3,2% da população (mais de 20 mil pessoas em 2010), e diminuir o analfabetismo funcional, abrangendo 30% da população entre 15 e 64 anos. No ensino profissionalizante, o maior desafio é ampliar as ofertas de ensino profissionalizante integrado ao ensino médio. Apenas 3% das matrículas no ensino profissionalizante em 2013 em Campinas estavam nessa modalidade. O estudo completo está no site www.compromissocampinas.org.br

De olho nas metas

No evento desta quinta-feira, 30 de julho, no auditório da Fundação FEAC, o Movimento Nacional Todos pela Educação também apresentou, por meio de sua diretora administrativo-financeira, Maria Lucia Meirelles Reis, o seu relatório “De olho nas metas – 2013-14”. Esta é a sexta edição do relatório, que faz um balanço, a cada dois anos, de como estão as cinco metas perseguidas desde 2006 pelo Todos Pela Educação (TPE), um movimento da sociedade civil brasileira que tem como missão contribuir para que até 2022, ano do bicentenário da independência do Brasil, o país assegure a todas as crianças e jovens educação básica de qualidade. E os desafios apontados no relatório para a educação nacional também são imensos.

O relatório mostra, por exemplo, que o Brasil ainda precisa incluir 2,8 milhões de crianças, adolescentes e jovens de 4 a 17 anos no sistema educacional e aprimorar muito a qualidade da educação, considerando fatos como o de que, em 2013, somente 9,3% dos alunos do 3º ano do ensino médio aprenderam o considerado adequado em matemática, e 27,2% em português. São números muito abaixo das metas intermediárias do TPE esse ano, que eram de aprendizado adequado de 28,3% em Matemática e 39% em Português, respectivamente. A meta para 2022, ainda muito distante de ser atingida, é que 70% ou mais dos alunos tenham aprendido o que é adequado para seu ano.

Fonte: Agência Social de Notícias