Creche alivia carência no Jardim Bassoli

Creche alivia carência no Jardim Bassoli

Rogério Verzignasse
Foto: César Rodrigues/AAN
Os moradores do Jardim Bassoli — bairro de apartamentos populares construídos a 20 quilômetros do Centro, na região do limite de Campinas com Monte Mor — terão os benefícios de uma política emergencial de investimentos da Administração municipal.

Nos últimos quatro anos, quase 15 mil pessoas se mudaram para os apartamentos, beneficiados por programas habitacionais populares. Brotou uma nova cidade na periferia, desprovida de serviços públicos essenciais nas áreas de saúde e educação.

Na quarta-feira (29), a Prefeitura deu o primeiro passo para mudar a realidade social. Uma creche de horário integral foi inaugurada em um terreno público de 4,7 mil metros quadrados, anexo ao conjunto habitacional. Ali vão estudar 2.566 crianças, que dependiam de vagas disponibilizada em escolas infantis de bairros próximos.

O Centro de Educação Infantil “Elenice Aparecida de Moraes Ferrari” consumiu investimentos da ordem de R$ 2,2 milhões. Trata-se da quinta nave-mãe já inaugurada, dentro de um pacote de oito unidades previsto para ser entregue até o começo de 2016.

A concepção arquitetônica dos prédios é pensada para garantir o conforto das crianças, com sete salas, banheiros adaptados, playground adequado, lactário, quiosque externo.

A unidade do Jardim Bassoli vai seguir as normatizações pedagógicas da rede municipal, mas será administrado pela Chance Internacional, instituição beneficente sem fins lucrativos, que já administrava oito naves-mães pela cidade.

O prefeito Jonas Donizette (PSB) afirmou que gostaria de ter inaugurado a nave-mãe do Bassoli quando tomou posse, no primeiro dia de 2013. Ele admite que o conjunto habitacional foi um projeto social respeitável, que garantiu moradia a milhares de famílias que antes viviam em áreas de risco. Mas ele afirma que a Prefeitura errou, entregando apartamentos sem investir na estrutura de serviços públicos.

Diante da situação, o prefeito prometeu ontem que vai agilizar a construção de um centro de saúde modelar na área. Além disso, Campinas já disponibilizou para o Estado uma outra gleba pública, de 3 mil metros quadrados, para a construção de uma escola de Ensino Fundamental.

“É uma questão de respeito. A Prefeitura corre para oferecer a estrutura que a população tem direito”, falou.

Homenagem

O novo CEI leva o nome de uma educadora que, por mais de quatro décadas, viveu e lecionou em Campinas. Elenice Aparecida de Moraes Ferrari, especialista em neurofisiologia, fez carreira como docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ela faleceu aos 69 anos, depois de lutar três anos contra o câncer. A homenagem recebida ontem emocionou os parentes.

A mãe dela, Elza Oliviere de Moraes, uma senhora de 94 anos, foi levada ao palco onde o prefeito discursava, e foi acomodada em uma cadeira. A educadora homenageada era mãe do vereador Thiago Ferrari (PTB).

“Minha mãe nasceu no tempo em que as mulheres não saíam de casa para estudar. Ela superou barreiras, encarou desafios, nos deixou um legado de coragem e dedicação”, falou.

Neste ano foram abertos cinco centros

Desde janeiro, o Município entregou cinco CEIs. Elas funcionam na Vila Esperança, Jardim Campos Elíseos, Residencial Porto Seguro, Jardim Ibirapuera e Jardim Bassoli e Ibirapuera. Até o começo do ano que vem, serão executadas as obras previstas para os bairros San Martin, Gleba B e Residencial São José. Todo o pacote é orçado em aproximadamente R$ 25 milhões.

Saiba mais

O Residencial Jardim Bassoli é composto por 2.380 apartamentos de dois quartos, entregues a famílias que, basicamente, viviam em submoradias, amontoadas em barrancos ou beiras de córregos.

Recursos do governo federal financiaram a execução das obras, que conseguiram investimentos da ordem de 120,9 milhões. Os apartamentos foram sendo entregues à medida que ficavam prontos, desde o final de 2011.